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Martins
Peralva
Segundo a definição do Assistente Àulus, a
palavra «psicometria» designa a faculdade que têm algumas pessoas de lerem
«impressões e recordações ao contato de objetos comuns».
Psicometria é, também, faculdade mediúnica.
Faculdade pela qual o sensitivo, tocando em determinados objetos, entra em
relação com pessoas e fatos aos mesmos ligados.
Essa percepção se verifica em vista de tais
objetos se acharem impregnados da influência pessoal do seu possuidor.
Toda pessoa, ao penetrar num recinto, deixa
aí um pouco de si mesma, da sua personalidade, dos seus sentimentos, das suas
virtudes, dos seus defeitos.
A psicometria não é, entretanto, faculdade
comum em nossos círculos de atividade, uma vez que só a possuem pessoas dotadas
de «aguçada sensibilidade psíquica». E a nossa atual condição espiritual, ainda
deficitária, não permite esses admiráveis recursos perceptivos.
Quando tocamos num objeto, imantamo-lo com o
fluido que nos é peculiar. E se, além do simples toque ou uso, convertermos inadvertidamente
esse objeto, seja um livro, uma caneta, uma jóia ou, em ponto maior, uma casa
ou um automóvel em motivo de obsessiva adoração, ampliando, excessivamente, as
noções de posse ou propriedade, o volume de energias fluídicas que sobre o
mesmo projetamos é de tal maneira acentuado que a nossa própria mente ali
ficará impressa.
Em qualquer tempo e lugar, a nossa vida, com
méritos e deméritos, desfilará em todas as suas minúcias ante o «radar» do
psicômetra.
Há um belo estudo de Ernesto Bozzano intitulado
«Enigmas da Psicometria», através de cuja leitura nos defrontamos com
impressionantes narrativas, algumas delas abrangendo fases remotas da
organização planetária terrestre.
O processo pelo qual é possível, ao
psicômetra, entrar em relação com os fatos remotos ou próximos, pode ser
explicado de duas maneiras principais, a saber:
- Uma parte dos fatos e impressões é retirada da própria aura do
objeto;
- Outra parte é recolhida da subconsciência do seu possuidor mediante
relação telepática que o objeto psicometrado estabelece com o médium.
Não tem importância que o possuidor esteja
encarnado ou desencarnado.
O psicômetra recolherá do seu subconsciente,
esteja ele onde estiver, as impressões e sentimentos com que gravou, no objeto,
a própria vida. .
Bozzano demonstra que não são, apenas, as
pessoas os únicos seres psicometráveis.
Além do elemento humano, temos:
- Os animais,
- Os vegetais,
- Objetos inanimados, metais, etc., etc.
O filósofo italiano menciona, na obra
citada, extraordinários fenômenos de psicometria por meio do contato com a pena
de um pombo, o galho de uma árvore, um pedaço de carvão ou de barro.
Poder-se-á indagar: E se o objeto
psicometrado teve, no curso dos anos, diversos possuidores? Com a vida de qual
deles o médium entrará em relação ?
Explica Bozzano, com irresistível lógica,
que o médiun1 entrará em relação com os fatos ligados àquele (possuidor) cujo
fluido se evidenciar mais ativo em relação com o sensitivo.
A esse aspecto do fenômeno psicométrico,
Bozzano denominou de «afinidade eletiva».
Pela psicometria o médium revela o passado,
conhece o presente, desvenda o futuro.
No tocante à relação com o passado e o
presente, qualquer explicação é desnecessária, uma vez que a alínea «a» nos dá
satisfatória resposta : o objeto, móvel ou imóvel, impregnado da influência
pessoal do seu dono, conserva-a durante longo tempo e possibilita o
recolhimento das impressões.
E quanto ao futuro?
Devemos esperar essa pergunta.
Aos que a formularem, recomendamos a leitura
da alínea «b». Outra parte é recolhida da subconsciência do seu possuidor,
mediante a relação telepática que o objeto psicometrado estabelece com o
médium.
Essa resposta pede, todavia, um complemento
explicativo. Ei-lo:
Toda criatura humana tem o seu Carma,
palavra com que designamos a lei de Causa e Efeito, em face do qual, ao
reingressarmos «nas correntes da vida física», para novas experiências,
trazemos impresso no perispírito - molde do corpo somático - um quadro de
inelutáveis provações.
A nossa mente espiritual conhece tais
provações e permite que o psicômetra estabeleça relação com essas vicissitudes,
prevê-las, anunciá-las e, inclusive, fixar a época em que se verificarão.
Como vemos, não há nisso nenhum mistério. E'
como se o sensitivo lesse, na mente do possuidor do objeto, o que lá já está
escrito com vistas ao futuro.
Tudo muito simples, claro e lógico.
Nenhum atentado ao bom-senso.
Apesar de os diversos temas mediúnicos nos
terem levado, algumas vezes, a certas explicações de natureza por assim dizer
«técnica», elucidativas do mecanismo dos
fenômenos, não é este, todavia, o objeto
fundamental do livro que procuramos escrever, mais com o coração do que com o
cérebro.
Desejamos dar aos assuntos mediúnicos feição
e finalidade evangélicas.
A nossa intenção é de que este trabalho
chegue aos núcleos assistenciais do Espiritismo Cristão por mensagem de
cooperação fraterna, de bom ânimo para os desiludidos, de esperança para os que
sofrem, de reabilitação para os que rangem os dentes «nas trevas exteriores»...
Assim sendo, compete-nos extrair, das
considerações expedidas em torno de tão belo quão admirável tema - Psicometria
-, conclusões de ordem moral que fortaleçam o nosso coração para as decisivas e
sublimes realizações na direção do Mais Alto.
O conhecimento da psicometria faz-nos pensar,
conseqüentemente, nos seguintes imperativos :
- Não nos apegarmos, em demasia, aos bens materiais;
- Combatermos o egoísmo que assinala a nossa vida, com a conseqüente
diminuição das exigências impostas a familiares, amigos e conhecidos.
Em capítulo precedente tivemos ensejo de
relacionar o fato daquela senhora que, desencarnada havia muito, «não tinha
força» para afastar-se do próprio domicílio, ao qual se sentia presa pelas
recordações dos familiares e dos objetos caseiros.
Em «Nos Domínios da Mediunidade», no estudo
da psicometria, temos o episódio de uma jovem que, há cerca de 300 anos,
acompanha um espelho a ela ofertado por um rapaz em 1700.
Vamos trazer para as nossas páginas parte do
relato de André Luiz, a fim de colocarmos o leitor em relação com a ocorrência.
A narrativa é de André Luiz, quando em
visita a um museu:
«Avançamos mais além.
Ao lado de extensa galeria, dois cavalheiros
e três damas admiravam singular espelho, junto do qual se mantinha uma jovem
desencarnada com expressão de grande tristeza.
Uma das senhoras teve palavras elogiosas
para a beleza da moldura, e a moça, na feição de sentinela irritada,
aproximou-se tateando-lhe os ombros.»
Acrescenta André Luiz que, à medida que os
visitantes encarnados se retiravam para outra dependência do museu, a moça, que
não percebia a presença dos três desencarnados, mostrou-se «contente com a
solidão e passou a contemplar o espelho, sob estranha fascinação».
Com a mente cristalizada naquele objeto,
nele polarizou todos os seus sonhos de moça, esperando, tristemente, que da
França regressasse o jovem que se foi...
Gravou no espelho a própria vida...
E enquanto pensar no espelho, como síntese
de suas esperanças, junto a ele permanecerá.
Exemplo típico de fixação mental.
Relativamente a pessoas, o fenômeno é o
mesmo.
Apegando-nos, egoística e desvairadamente,
aos que nos são caros ao coração, comemos o risco de a eles nos imantarmos e
sobre eles exercermos cruel escravização, consoante vimos no capitulo «Estranha
obsessão».
Enquanto os nossos sentimentos afetivos não
assinalarem o altruísmo, a elevação, a pureza e o espírito de renúncia
peculiares ao discípulo sincero do Evangelho, o nosso caminho será pontilhado
das mais desagradáveis surpresas, estejamos na libré da carne ou no Mundo dos
Espíritos.
Amar sem idéia de recompensa ; ajudar sem
esperar retribuição; pensar nos próprios deveres com esquecimento de pretensos
direitos; servir e passar - EIS O ELEVADO PROGRAMA que, realizado na medida das
possibilidades de cada um, constituirá penhor de alegria e paz, felicidade e
progresso, neste e no plano espiritual.
Reconhecendo, com toda a sinceridade, a
nossa incapacidade de, por agora, executar tal programa, forte demais para a
nossa fraqueza, podemos, contudo, esforçar-nos no sentido do gradativo
afeiçoamento a ele, considerando a oportuna advertência de Emmanuel:
«Se o clarim cristão já te alcançou os
ouvidos, aceita-lhe as claridades sem vacilar.»
Ainda Emmanuel recorda que «as afeições
familiares, os laços consangüíneos e as simpatias naturais podem ser manifestações
muito santas da alma, quando a criatura se eleva no altar do sentimento
superior ; contudo, é razoável que o Espírito não venha a cair sob o peso das
inclinações próprias».
«O equilíbrio é a posição ideal.»
«A fraternidade pura é o mais sublime dos
sistemas de relações entre as almas.»
Colocando Jesus Cristo no vértice das nossas
aspirações, aprenderemos, com o Bem-aventurado Aflito da Crucificação, a amar
sem exigências, a servir com alegria, a conservar a liberdade da nossa mente e
a paz do nosso coração.
Aceitando-o, efetivamente, como Sol
Espiritual que aquece, com o seu Amor, desde o Princípio, a Terra inteira, a
ninguém escravizaremos.
E a única escravização a que nos
submeteremos será à do dever bem cumprido...
Fonte:
Livro Estudando a Mediunidade
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