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Alkíndar
de Oliveira
Sou espírita. Respeito todas as religiões
que têm Deus como o Pai maior. Vejo os integrantes das demais religiões como
diletos irmãos. Nem poderia ser diferente. Se somos filhos do mesmo Deus por
que o fato de professarmos diferentes religiões impediria vermo-nos como
irmãos?
E como irmão do caro leitor, aproveito desta
oportunidade para trazer à tona alguns conceitos - ou preconceitos -
equivocados em relação ao espiritismo.
Caro irmão-leitor, não tenho o intuito de
convertê-lo ao espiritismo. Se você se encontrou no catolicismo ou no
protestantismo para que mudar de religião?
Nós, espíritas, muito valorizamos o
catolicismo. Podemos dizer que o catolicismo é a religião-mãe. Se não fossem a
força, a coragem, a fé e a determinação dos primeiros católicos as palavras do
nosso Mestre Jesus não teria chegado aos nossos dias. A humanidade muito deve
ao catolicismo.
Também respeitamos e valorizamos o
protestantismo. Quando o homem ficou mais preocupado com a religião externa,
isto é, mais valorizava a forma do que o conteúdo, foi o protestantismo que
chacoalhou uma situação de inércia e reavivou as palavras do Mestre.
Mas por que alguns - não todos - católicos e
protestantes, nossos diletos irmãos, insistem em dizer que o “o espiritismo é
coisa do demônio”?
Jesus disse “Pelos frutos conhecereis a
árvore”.
Os espíritas, como outros religiosos, têm
como sua principal meta procurar seguir, com as limitações próprias da natureza
humana, os preceitos de Jesus em sua máxima “Amar a Deus sobre todas as coisas
e ao próximo como a si mesmo”.
Que demônio é este que inspira aos espíritas
o amor a Deus e ao próximo?
Os espíritas, como outros religiosos,
acreditam na realidade maior da vida: “fora da caridade não há salvação”.
Que demônio é este que inspira aos espíritas
fazer a caridade ao próximo?
Os espíritas têm por princípio a valorização
e o respeito às demais religiões, todas consideradas como diferentes
ferramentas idealizadas pelo mesmo Arquiteto.
Que demônio é este que inspira aos espíritas
a fraternidade e a solidariedade entre integrantes de religiões muitas vezes
sustentadas em dogmas ou em faces da verdade conflitantes entre si?
Que demônio é este que, onde há divergência
de opiniões, procura unir em vez de semear a discórdia?
Os verdadeiros espíritas, aqueles que seguem
os preceitos máximos da doutrina, tem como rotina em sua vida o esforço pela
sua transformação moral. Isto é, conhece-se o verdadeiro espírita pelo seu
contínuo esforço em transformar-se moralmente.
Que demônio é este que inspira aos espíritas
constante preocupação com sua elevação moral?
Caro irmão-leitor, reflitamos:
Que demônio é este que fala em amor,
caridade, solidariedade, fraternidade e em transformação moral?
Só não vê, como disse nosso Mestre Jesus,
quem não tem olhos para ver.
Por favor, não entenda que o objetivo deste
artigo é a sua conversão. Se é você um bom católico, continue a sê-lo. Se você
professa uma das diversas religiões protestantes, continue na sua convicção.
Mas se você é dos que dizem que “o espiritismo é coisa do demônio” procure -
sem abandonar sua religião - pelo menos estudar alguns livros espíritas. A
critica gratuita, sem análise, sem profundo estudo, não deve fazer parte de
nossos atos. Dê a si mesmo o direito de conhecer melhor o seu objeto de
crítica. Estude.
É importante dizer que a denominação
“espiritismo” assumiu conotações que não correspondem à real essência da
doutrina codificada pelo educador Allan Kardec, e que se sustenta no evangelho
do Nosso Senhor Jesus Cristo.
No espiritismo não há queima de vela,
incenso, “trabalhos”, magias, imagens ou outros rituais. Muitas pessoas, não
espíritas, muitas pessoas mesmo, imaginam - sem antes pesquisar - que o
espiritismo manifesta-se por tudo que nele não existe, como os exemplos citados
( queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias, culto a imagens, rituais, etc.
).
Muitas religiões que se autodenominam
Espiritismo, não o são de fato.
O templo do espiritismo é o templo do
estudo, do amor e da caridade.
Outras pessoas, como você, também não
acreditavam ou tinham uma opinião deformada do espiritismo.
William Crookes, o extraordinário pai da
Física contemporânea, o homem que descobriu o tálio, a matéria radiante, a quem
se deve os pródomos da Física Nuclear da atualidade chegou a dizer
textualmente:
“Eu era um materialista absoluto e, depois
de investigar em profundidade científica os fenômenos mediúnicos, eu afirmo que
eles já não são possíveis: eles são reais!”
César Lombroso, depois de examinar a
mediunidade de Eusápia Paladino disse estas palavras:
“Quando me lembro do que eu e meus colegas
zombávamos daqueles que acreditavam no Espiritismo, coro de vergonha, porque
hoje eu também sou espírita! A evidência dos fatos dobrou a minha convicção
negativa”.
E ainda Cronwell Varley, o que lançou sobre
o mundo as linhas da telegrafia e da telefonia internacional, os cabos
transoceânicos, teve a coragem de dizer:
“Somente negam os fenômenos espíritas,
aqueles que não se deram ao trabalho de os estudar. Eu não conheço um só
exemplo de alguém que os haja estudado, que não se tenha rendido à sua
evidência”.
Não. Não precisa tornar-se espírita. Mas
estude o espiritismo antes de criticá-lo.
E lembremo-nos que todos, independentemente
de religiões, somos filhos do mesmo Deus e devemos irmanarmo-nos, unirmo-nos
pelo bem comum, pelo amor ao próximo, pelos atos de solidariedade humana.
Ninguém é dono da Verdade Absoluta. Todas as
religiões sérias são de Deus. Deus se manifesta de muitas formas e através de
diversas religiões. Respeitemo-nos mutuamente, cheguemo-nos mais pertos um do
outro, só assim seremos dignos de sermos chamados filhos de Deus.
Para encerrar, leiamos a letra abaixo,
musicada pelo admirável católico-cantor Padre Zezinho, que é um hino ao
respeito e à união dos seguidores das mais diversas religiões:
CANÇÃO
ECUMÊNICA:
“Que
todos nós,
que
acreditamos em Deus,
saibamos
viver em paz e dialogar!
Que
todos nós,
que
cremos que Deus é Pai,
saibamos
nos respeitar e nos abraçar!
Filhos
do Universo,
filhos
do mesmo amor,
saibamos
ouvir uns aos outros,
ouvir
o que o outro nos tem a dizer.
E,
sem combater,
sem
desmerecer,
primeiro
escutar,
depois
discordar,
por
fim celebrar e orar.
E
adorar e servir a Deus.
E
ajudar e ajudar as pessoas...
e
respeitar os ateus!
...
pra sermos filhos de Deus”.
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