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Benedito
da Gama Monteiro
As profecias anunciam há muitos
séculos, antes de Jesus, a vinda do precursor, o anjo do senhor, que viria
investido de uma missão sublime, preparatória, de burilar os sentimentos,
aparando as arestas internas para que os homens da época adquirissem as
condições morais ideais para receberem os ensinamentos sublimes do Consolador
que, como sementes, precisavam de um terreno fértil, limpo, saneado, de modo a
encontrarem o ambiente apropriado as suas germinações.
A esse respeito, encontramos em
Isaías (40:3):
"Voz do que clama no
deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai na solidão as veredas do
nosso Deus."
Esta profecia foi ratificada pôr
Malaquias em 3:1:
"Eis que mando eu o meu
anjo, e ele preparará o caminho diante da minha face. E imediatamente o
Dominador que vós buscais, e o anjo do testamento que desejais, virá ao seu
tempo.".
O Evangelista Mateus em 3:3,
confirmou as profecias dizendo que João Batista era o anunciado pelo profeta
Isaías :
"Voz do Senhor,
endireitai as suas veredas."
Ainda em Mateus,(11:10,11 e14),
Jesus falando sobre João Batista diz:
"Porque é este de quem
está escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante
de ti o teu caminho....".
E se quereis dar crédito, é
este o Elias que havia de vir."
Vemos, depois da transfiguração
de Jesus no alto do monte, quando aconteceu o fenômeno de ectoplasmia
(materialização) de dois varões, Moisés e Elias, o diálogo entre os discípulos
de Jesus que o interrogaram (Mateus, 17:10 a13):
"(...)
- Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?"
E Jesus, respondendo,
disse-lhe: "Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas;
Mas digo-vos que Elias já veio e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo
o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem.". Então
entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista." (sublinhei)
Como vimos nas duas citações,
Jesus foi bem claro afirmando ser João Batista, Elias reencarnado, no que
compreenderam muito bem os seus discípulos.
Em Lucas (1:16 e17) o anjo
Gabriel falando a Zacarias de seu filho João Batista diz:
"E converterá muitos dos
filhos de Israel ao Senhor seu Deus.
E irá adiante dele no
espírito e virtude de Elias para converter os corações dos pais aos filhos,
e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao senhor um povo
bem disposto."(sublinhei)
Em outra passagem de Lucas,
(1:76 a 79), Zacarias cheio do Espírito Santo, profetizando, fala de seu filho
João Batista:
"E tu, ó menino, serás
chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante a face do Senhor, a
preparar os seus caminhos;
Para dar ao seu povo
conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados(...)".
A única argumentação contrária a
tese reencarnatória de João Batista como Elias sai da própria boca de João
Batista em João (1:19 a 23), respondendo às perguntas dos sacerdotes e levitas:
" (...) - Quem és tu?
Disse João Batista: Eu não sou o Cristo. E perguntaram-lhe: Então quem és? És
tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não. Disseram pois.
Quem és? Para que demos respostas àqueles que nos enviaram; que dizes de ti
mesmo? Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do
Senhor, como disse o profeta Isaías.".
A resposta de João suscita
algumas dúvidas:
Por que ele negou ser Elias,
porém afirmou ser o Precursor, embora Jesus tenha afirmado que Elias viria
primeiro para restaurar todas as coisas, ou seja, Elias viria como o precursor.(Mateus,
17:10 a 13).
Em conclusão, podemos raciocinar
com três hipóteses:
1ª- João pôr questão de
humildade não quis afirmar ser Elias, pôr sinal a mesma virtude demonstrada
quando inicialmente recusou batizar Jesus, dizendo não ser digno, sequer, de carregar
as alparcas do Mestre (Mateus, 3:11) e que Jesus é quem deveria batizá-lo
(Mateus, 3:14);
2ª- Esquecimento do passado:
Encontramos em o livro "O Evangelho segundo o Espiritismo",
de Allan Kardec, item 11, Cap. V: "Havendo Deus entendido de lançar
um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança
traria gravíssimo inconveniente. Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente,
ou então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio. Em
todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações
sociais.
Freqüentemente , o Espírito
renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as
mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse
nelas as a quem odiara, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no íntimo. De
todo modo, ele se sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse
ofendido.
Para nos melhorarmos,
outorgou-nos Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta; a voz da consciência
e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial."
Ao reencarnar, João Batista veio
cumprir sublime missão, "a de preparar os caminhos do
Senhor" em função de sua elevada evolução espiritual, tendo isso sido
realçado pôr Jesus em Mateus (11:11):
"Em verdade vos digo
que, entre os que de mulher tem nascido, não apareceu alguém maior do que João
Batista, mas aquele que é menor no reino dos céus é maior do que ele.".
Era evidente que Jesus estava se
referindo a vida passada de João, quando foi Elias e que também veio
desempenhar nobre missão e extrapolou seus direitos, ao vencer a aposta diante
do Rei Acabe, no Monte Carmelo, provando que o Deus que libertou o povo Hebreu
do jugo dos Egípcios, tendo como líder Moisés, o Deus único e verdadeiro, era
mais poderoso que o Deus Baal, cujos adeptos em torno de 450 não conseguiram
que este projetasse do céu, fogo para queimar a sua fogueira e o boi que estava
assentado sobre a mesma cortado em pedaços, apesar dos insistentes apelos que fizeram.
Na vez de Elias, o profeta do Senhor, após fervorosa súplica feita ao seu Deus,
de imediato o fogo vindo como um raio queimou a sua fogueira e o seu boi. Ao
vencer a aposta, Elias, não usando de clemência, exigiu junto ao Rei Acabe que
os profetas de Baal fossem mortos, decapitando-os na torrente de Cison,
conforme consta no Livro III Reis, (18:19 a 40).
João Batista, pôr essa infração
ao 5o Mandamento da Lei de Deus que recomenda não matar, voltou para
resgatar nas mesmas circunstâncias em que matou, sendo, portanto, decapitado,
após solicitação de Salomé e sua mãe ao Rei Herodes (Hebreus, 14:3 a 11)
Ainda com referência ao
esquecimento do passado, João Batista evidenciou que no seu caso, este foi
parcial, tendo consciência, apenas intuitivamente, da missão que vinha
desempenhar como precursor, porém o restante de sua vida como Elias ficou
esquecido pelas razões referidas no livro "O Evangelho Segundo o
Espiritismo";
3ª- Ressurreição. Encontramos
ainda no livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de
Allan Kardec, Cap. IV, item 4, uma referência aos dogmas dos Judeus:
"...criam eles que um
homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato
poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais
judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá idéia de
voltar à vida o corpo que já está morto, o que a ciência demonstra ser
materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham
desde de muito tempo dispersos e absorvidos.(...) João, pois, podia ser Elias
reencarnado, porém, não ressuscitado."
Eis porque o corpo de João
Batista não podia ser o de Elias e daí a resposta de João Batista negando ser
Elias. Porém, como afirmou o Anjo Gabriel, era o Espírito e virtude de Elias.
Fonte: O Reformador – Abril/1995
Bibliografia:
- Soares, Pe. Matos -"Bíblia
Sagrada", 6ª ed. Edições Paulinas - São Paulo -30-6-1953;
- Almeida, João Ferreira de -
"O Novo Testamento de N.S. Jesus--Cristo e o Livro dos Salmos"-
Imprensa Bíblica Brasileira - Rio de Janeiro, 1986;
- Kardec, Allan- "O
Evangelho segundo o Espiritismo",109ª ed. FEB/ 10-8-1994.
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