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Paulo
da Silva Neto Sobrinho
É um questionamento que sempre vem à cabeça
dos que ainda não possuem uma verdadeira compreensão de como é nossa realidade
em relação ao Espírito. Será que a vida do Espírito é só no corpo físico? É a
pergunta resultante desse questionamento. Iremos tentar respondê-la.
Mas, primeiramente, recorreremos ao Novo
Testamento para ver se ali encontramos algo que possa nos ajudar na resposta.
Veremos o que Paulo diz em sua Segunda Carta aos Coríntios, capítulo 5,
versículo 10, passagem essa que retiramos, para uma melhor compreensão, de
várias Bíblias:
Edição Pastoral - De fato, todos deveremos
comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a
recompensa daquilo que tiver feito durante a sua vida no corpo, tanto
para o bem, como para o mal.
Barsa - Porque importa que todos nós
compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o galardão
segundo o que tem feito, ou bom ou mau, estando no próprio corpo.
Ave Maria - Porque teremos de comparecer
diante do tribunal do Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o
bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo.
Loyola - Porque todos nós devemos comparecer
diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba a recompensa das obras realizadas
quando estava no corpo, quer boas, quer más.
Vozes - Pois teremos todos de comparecer
perante o tribunal de Cristo. Aí cada um receberá segundo o que houver
praticado pelo corpo, bem ou mal.
Todas as citações acima são do mesmo texto
da Bíblia, qual seja: 2 Coríntios 5, 10.
As primeiras expressões “durante sua vida no
corpo” e “enquanto estava no corpo” nos dão uma idéia que temos outra vida fora
do corpo. Ao passo que última expressão pode trazer-nos uma idéia que foi corpo
é que praticou o bem ou o mal, pois rapidamente nos vem a lembrança da
afirmativa de Jesus de que “a carne é fraca”. Veja, caro leitor, que com isso o
sentido do texto estaria completamente mudado. Mesmo que, numa análise mais
criteriosa, o texto não tem esta idéia, mas de qualquer forma é bem provável
que a muitas pessoas viessem pensar assim.
Temos consciência de nossa realidade
espiritual até mesmo porque Jesus afirma categoricamente: “Que o espírito é que
dá vida, a carne de nada serve”. Entretanto ainda encontramos muitas pessoas
que contraditoriamente dizem ser espiritualistas, mas dão ao corpo físico a
primazia sobre o espírito. Não dá para entender, não é mesmo? Entretanto,
diante da citada afirmação de Jesus teremos que forçosamente aceitar que temos
outra vida fora do corpo físico.
Recentemente, ouvimos de Dom Aldo Pagotto,
Bispo Diocesano de Sobral (CE) e atual Presidente da 1ª Regional da CNBB do
Nordeste, a seguinte frase: “A vida do espírito é uma só”. Concordamos
plenamente com Dom Aldo, pois nossa verdadeira vida é mesmo a espiritual, por
isso ela é uma só. Temos várias passagens pelo corpo físico, isso vem a ser
confirmado com o “durante sua vida no corpo” dita por Paulo. Que em outra
oportunidade disse que Deus “quer o nosso aperfeiçoamento... até que todos
cheguemos... a ser um homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”,
ou seja, teremos que nos aperfeiçoar até que venhamos a atingir a condição de
homem perfeito como Jesus o é. Para isso é preciso tantas vidas, num corpo
físico, quantas forem necessárias para atingirmos a perfeição.
Certa feita, após encontrar o paralítico,
que antes havia curado, Jesus lhe disse: “Vê, ficaste curado. Não peques mais
para que não te aconteça coisa pior”. Ora, por isso concluímos que a paralisia
desta pessoa era conseqüência de seus pecados, ou seja, que as deformidades (ou
algum tipo de doença) têm sua origem em nossos erros.
Sendo assim, quando uma pessoa nasce cega,
por exemplo, onde estaria seu pecado? Os que pensam que somente temos uma vida
não tendo uma resposta lógica, apelam para o tal de "mistérios" de
Deus, Entretanto, a lógica nos diz que seu pecado está em uma vida anterior. E
se tivemos uma vida anterior é porque a vida do Espírito não se resume numa só
vida física. Para confirmar isso, encontramos os discípulos interrogando a
Jesus sobre um cego de nascença: "Mestre, quem pecou, para este homem
nascer cego, foi ele ou os seus pais?" Jesus respondeu: "Nem ele nem
seus pais, mas isso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem
nele". (João 9,2-3) Se não admitissem que erros de vida anterior pudessem
interferir na atual, não fariam este tipo de pergunta, não é mesmo?
Por outro lado, Jesus também não disse que
isso não poderia acontecer, somente disse que naquele caso específico a causa
não era o erro dele nem de seus pais, mas o caso aconteceu para que as obras de
Deus se manifestem nele. Em outras palavras, esta cegueira de nascença não
tinha como causa erro de vida anterior, nem do cego, nem seus pais, mas era
necessária para que ficasse evidenciado que Jesus era realmente o Messias, pois
o fato lhe deu oportunidade de fazer cura prodigiosa, diante do que muitos
creram Nele. Culpa dos pais não poderia ser, pois em outra oportunidade Ele
disse: "a cada um segundo suas obras" (Mateus 16, 27), confirmando,
assim, que ninguém paga pelo erro de outro.
Dito isso, restaria a hipótese do erro ser
do próprio cego, mas como explicar isso, se Jesus disse Que também não era pelo
erro dele? Sabemos que, com Jesus, reencarnaram vários outros espíritos que
tinham por incumbência ajudá-lo em sua missão. Este cego, com certeza, era um
deles, conforme poderemos perfeitamente comprovar ao lermos no Evangelho o
desenrolar dos fatos após sua cura. Ele é questionado pelos fariseus sobre quem
o tinha curado. Os fariseus eram tão poderosos que, na época, ninguém ousava
enfrentá-los. Entretanto, este cego coloca-os contra a parede. É o que veremos
agora: "Chamaram o cego pela Segunda vez e lhe impuseram: "Dá glória
a Deus! Nós sabemos que este homem é um pecador". Ele respondeu: "Se
é pecador, não sei. Uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo".
Perguntaram de novo: "Que te fez ele? Como te abriu os olhos?" Ele
respondeu: "Já o disse e não quisestes escutar. Que pretendei ainda ouvir?
Será que desejais fazer-vos discípulos dele? Então os fariseus começaram a insultá-lo
dizendo:
"Sejas tu discípulo dele. Nós somos
discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés. Quanto a ele, não
sabemos de onde vem". O homem se defendeu, dizendo: "Isto é espantoso!
Ele me abriu os olhos e vós não sabeis de onde ele vem! Sabemos que Deus não
escuta os pecadores. Mas Deus escuta a quem o serve com piedade e cumpre a sua
vontade. Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de
nascença. Se este homem não fosse de Deus, nada poderia fazer".
Replicaram: "Tu nasceste no pecado, e pretendes ensinar a nós?" E o
expulsaram". (João 9, 24-41).
Podemos concluir então, que nossa vida como
Espírito imortal não poderá se resumir em apenas uma passageira vida física.
Viemos do Mundo espiritual e para lá retornaremos, pois é ele a nossa
verdadeira pátria. E é lá que vivemos a plenitude de nossa realidade
espiritual.
Fonte: Jornal Espírita da FEESP - Out/2001
Bibliografia - Bíblia Mensagem de Deus, Edições Loyola, 1989.
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