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Octávio Caúmo Serrano
Vamos
analisar a estrutura de uma casa espírita. Ali, há os freqüentadores habituais,
os trabalhadores, os curiosos da primeira vez e os que estudam o Espiritismo ou
cuidam de aprimorar a mediunidade. Há também os dirigentes, encarregados de
departamentos ou tarefas. Enfim, existe ali uma sociedade com propósitos
definidos, segundo foi decidido pelos que comandam a casa.
O
Espiritismo não age como outras religiões, que fazem da contribuição uma
obrigatoriedade, geralmente estabelecendo percentuais sobre o salário do
“fiel”, os chamados dízimos, que correspondem a dez por cento de tudo quanto a
pessoa ganha.
Como
no Espiritismo disseminou-se a proposição de que devemos dar de graça o que de
graça recebemos, os Centros têm dificuldade para arrecadar dinheiro. Que é que
o Centro recebeu de graça e deve dar de graça? Sem dúvida, os ensinamentos
doutrinários, os passes, a orientação espiritual, porque isto não foi comprado
pelo Centro, nem pelos médiuns. Todavia, a luz, a água, o IPTU, a limpeza,
entre outros itens, são pagos pela associação. Não chegam de graça para serem
distribuídos de graça.
Nas
outras religiões, os líderes nem dizem que cobram os dízimos ou os adjutórios,
para pagar o salário do pastor ou para sustentar o padre e mandar uma parte
para a sede de Roma. Simplesmente cobram informando que você está dando a sua
ajuda para Deus. E as pessoas dão e ficam contentes por ajudar Deus.
Na
Casa Espírita, o máximo que se faz é propor que as pessoas se associem à
instituição, para ajudá-la nos compromissos materiais, sem fixar valores. Não é
para dar de comer ao dirigente, porque ele trabalha profissionalmente ou é
aposentado ou tem alguém que o sustenta. E aí é que estão os problemas do
Espiritismo.
A
maioria não atende aos apelos da casa porque está interessada somente em
receber. Os poucos que colaboram, geralmente oferecem contribuições irrisórias
que dão mais trabalho para controlar, contabilizar, depositar e emitir
comprovantes, do que o valor que têm. E o mais grave é que pagam um mês, não
pagam dois.
Outra
figura comum é o participante, geralmente trabalhador da casa, que vive se
oferecendo para colaborar, assim que a casa tiver necessidade. É o conhecido
tipo “se precisar conte comigo”. Não quer o compromisso mensal, mas estará a
disposição quando houver algo importante para ser feito. Desde que nessa
oportunidade ele não tiver que oferecer um presente de aniversário, um batizado
onde será padrinho, a formatura do filho na qual gastará muito. Isto ocorrendo,
lamentavelmente, não poderá contribuir também nessa oportunidade. Mas na próxima,
sem dúvida, pode contar com ele...
Parte
desses, trabalhadores da casa, expositores de doutrina, pregadores de moral,
não percebem que quando falam suas palavras são levadas pelo vento e não chegam
aos corações das pessoas. São teorias falsas que não tem consistência. Não
fazem nada do que falam e mandam os outros fazer.
Há
também outro problema no Centro Espírita, que não envolve dinheiro. Trata-se
dos colaboradores doutrinários que se oferecem para os trabalhos espirituais.
São palestrantes, os passistas, os recepcionistas, os orientadores, os médiuns,
ou doutrinadores. Que minoria existe entre eles já conscientizada e que faz do
trabalho espiritual a sua prioridade. Quão poucos trocam a festa, a TV, o
passeio, a viagem, pela tarefa espírita que assumiram livremente. E quando o
dirigente lhes cobra comportamento responsável, Zangam-se.
O
argumento usado, amiúde, é que eles dão a sua colaboração ao Espiritismo e têm
direito de o fazer quando melhor lhes compraz. Afinal, trabalham de graça e têm
compromissos particulares para atender. Se o dirigente for rigoroso, é comum
que se afastem da casa.
As
pessoas que vão ao centro Espírita, sob qualquer condição, imaginam que o Espiritismo
fica-lhes muito agradecido pela visita, pela colaboração, pelo aprendizado.
Crêem que os Espíritos Superiores ficam lisonjeados com o prestígio da sua
presença. Não se dão conta que o Espiritismo nada tem a agradecer-lhes porque
eles sim é que devem ser gratos à doutrina que os orienta, permite que aprendam
com o trabalho em favor do próximo e dá-lhes a possibilidade de aprender a
viver sem angústias e sem revoltas. Como diz Scheilla na sua mensagem CULTURA
DE GRAÇA, psicografada por Chico Xavier.
Sugerimos
às pessoas que prestem muita atenção ao que acontece na Casa Espírita que
freqüentam. Os dirigentes e os raros colaboradores verdadeiros são também
pessoas que lutam, que têm família para sustentar, que estudam à noite para
melhorar, que adoecem, que se decepcionam e que têm todas as fraquezas que
caracterizam o ser humano de um planeta imperfeito como o nosso. Mas estão
sempre presentes em seus postos, independentemente de frio ou chuva e do número
de participantes na reunião.
Não
espere ser chamado, cobrado, advertido. Dê antes a sua colaboração, a sua
disciplina, a pontualidade e a assiduidade para suavizar o fardo de quem
carrega nas costas o seu Centro Espírita.
Fonte:
Revista
Internacional de Espiritismo. Ano LXXVIII – nº 11 – Dezembro 2003.
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