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Jacob Melo
Fluido (lê-se fluido e não fluído) é um
termo genérico empregado pata traduzir a característica "das substâncias
líquidas ou gasosas", ou de substância "que corre ou se expande à
maneira de um liquido ou gás; fluente"4. Por isso, popularmente
falando, designamo-lo como sendo a fase não sólida da matéria, a qual pode se
apresentar em quatro subfases5: pastosa, líquida, gasosa e radiante,
tendo sido esta ultima apresentada à Ciência por um dos seus mais eminentes
sábios, o inglês Sir William Crookes.
O entendimento espírita atribuído ao termo
fluido, tal como criteriosamente assimilado por Allan Kardec, pelos Espíritos e
por todos os espíritas, não se limita a tão restrita definição. Pata nós,
fluido é tudo quanto importa à matéria, da mais grosseira à mais diáfana,
variando em multiplicidade infinita a fim de atender a todas as necessidades
físicas, químicas e inclusive vitais daquela, bem como de sua intermediação
entre os remos material e espiritual. É o fluido não apenas algo que se move a
exemplo dos líquidos ou gases, mas a essência mesma desses líquidos, gases e de
todas as matérias, inclusive aqueles ainda inapreensíveis por nossos
instrumentos físicos ou mesmo psíquicos.
Léon Denis, assimilando as teorias dos
Espíritos, explicitou que "A matéria, tornada invisível, imponderável, se
encontra sob formas cada vez mais sutis, que denominamos "fluidos". À
medida que se rarefaz, adquire novas propriedades e uma capacidade de
irradiação sempre crescente; toma-se uma das formas de energia"6.
Com este conceito, remontando das conseqüências às causas, consorciava ele seu
entendimento às teorias einstenianas por surgirem, chamando fluido de "uma
das formas de energia", assim sinalizando o avanço profundo e além-moderno
dos conceitos espiritas sobre o fluido.
Na visão do Espírito André Luiz, temos o
fluido definido segundo alguns critérios mais extensivos: assim, o fluido,
dessa ou daquela procedência, vem a ser"(...) Um corpo cujas moléculas
cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si, quando retidas por
um agente de contenção, ou separando-se, quando entregues a si mesmas"7.
"Mas no plano espiritual - continua ele -, o homem desencarnado vai lidar,
mais diretamente, com um fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável,
(...) absorvido pela mente humana, em processo vitalista semelhante à
respiração, pelo qual a criatura assimila a força emanente do Criador, esparsa
em todo o Cosmo, transubstanciando-a, sob a própria responsabilidade, para
influenciar na Criação, a partir de si mesma. - Esse fluido é seu próprio pensamento
contínuo, gerando potenciais energéticos (...)"8.
Partindo-se dessas colocações, fica fácil
perceber que o fluido merece uma análise não só profunda como, inclusive, que
leve em consideração o plano de observação. Por extensão, convimos que nossos
conhecimentos atuais são ainda muito limitados para penetrarmos na essência
desta matéria. A necessidade do entendimento da ''mecânica do pensamento''
(tema atualmente estudado por Espíritos desencarnados possuidores de conhecimentos
bem avançados e evoluídos) e da própria absorção do fluido vital pela matéria
são indispensáveis para o bom conhecimento de como se processa o domínio
gerador do pensamento na criação de "potenciais energéticos" no
"campo fluídico" esparso por todo o cosmo.
Disso decorre que muita coisa ainda
ficaremos por entender, mas, se por um lado coisas existem completamente
ininteligíveis para nós, outro numero satisfatoriamente razoável se nos oferece
como elemento elucidativo por suas evidências e comprovações.
No que tange ao nosso entendimento dos
conceitos eminentemente espíritas em face dos conceitos acadêmicos, observamos
que parte de nossas atuais dificuldades se devem às atribuições dadas aos
fluidos, tal como foi expandido e apreendido pela Codificação, sem considerar,
por desconhecer, as teorias da física moderna, a qual criou termos novos para
definir teorias e hipóteses novas, sem falar no próprio advento da
Parapsicologia, da Psicotrônica e da Psicobiofísica que, por seus
parapsicólogos9 e pesquisadores, abriram campo no seio acadêmico às
pesquisas mais aprofundadas sobre tal elemento. Afinal, quando Albert Einstein
trouxe ao mundo suas revolucionárias teorias da relatividade e dos campos
unificados das forças, e Plank nos trazia à consideração as teorias quânticas,
a Codificação já estava para completar seu primeiro cinqüentenário. Apesar
disso, a não ser no que diz respeito a terminologias e nomenclaturas, tudo
quanto ali está expresso condiz - e vai mais além - com os mais avançados postulados
e conceitos das Ciências Modernas.
Por isso, concordamos que o termo fluido, em
sua acepção normal, já não traduz exatamente o que ele representa no texto da
Codificação. Do que assimilamos das modernas teorias físicas, os conceitos de
"campos energéticos" e "campos de força" são aqueles que
melhor enquadram o sentido que os Espíritos e Kardec quiseram emprestar ao
termo fluido (pelo menos no que se refere à sua abrangência) pois por
"campo" não se entenderia uma força unilateral, mas, uma dinâmica
multidirecional. Exemplificando, seria como quando acendemos uma vela numa sala
escura; a chama, que tem seu foco restrito e localizado, ilumina uma zona que
lhe é o "campo" peculiar, não se restringindo esse "campo"
à labareda mas à sua ação iluminativa ou, ainda, ao alcance calórico de suas
irradiações térmicas.
Nosso confrade Mauro Quintella escreveu
interessante artigo10 onde expressa idêntico pensamento:
"Modernamente, com base nas teorias quânticas e relativistas (que, como
dissemos acima, eram desconhecidas ao tempo de Kardec), a idéia de uma
substância a permear o espaço, está voltando a ser reconsiderada. Se é
apressado dizermos que essas novas idéias correspondem inteiramente ao conceito
espírita, pelo menos temos certeza de que alguma relação guardam entre si, dada
a semelhança entre elas e o postulado kardequiano" (parêntese nosso).
O conceito de "campo", todavia,
também não será perfeito se não buscarmos fazer uma distinção entre causa e
efeito; como, no exemplo da vela, entre a labareda Fonte; causa) e a
luminosidade ou o calor (campo; efeito); sem isso, conforme nos sugere
André Luiz, "A proposição de Einstein (...) não resolve o problema, porque
a indagação quanto à matéria de base para o campo continua
desafiando o raciocínio, motivo pelo qual, escrevendo da esfera extrafísica
(...), definiremos o meio sutil em que o Universo se equilibra como sendo o
Fluido Cósmico ou Hálito Divino, a força para nós inabordável que sustenta a
Criação"11 (grifos originais). É uma colocação muito pertinente
pois ela pinça uma situação característica de "fonte" onde temos uma
marcante conceituação de "campo", ou vice-versa.
Pelo exposto, percebemos que para tratar da causa,
do fluido universal (a elementaridade, a "fonte" da qual a
matéria se origina), o conceito de "campo" se torna insuficiente e
ineficiente mas, para atendermos aos fluidos de uma forma geral, conseqüência
portanto, onde se incluem os fluidos cósmico e vital, "campo" é a
teoria mais apropriada.
1. XAVIER, Francisco
Cândido. Dever espírita. In "Seara dos M&1iuns", p. 123.
2. KARDEC, Allan. A criação
primária. 1. "A Gênese", cap. 6, item 15.
3. Estes três assuntos
serão proximamente merecedores de um estudo mais aprofundado em obra que
estamos trabalhando, com o título provisório "Fluidos, perispírito, Centros
de Força e Kundalini: uma abordagem racional".
4. FERREIRA, Aurélio
Buarque de Holanda "Novo Dicionário da Língua Portuguesa", p. 791.
5. Atualmente a Ciência já
considera até sete subfases para a matéria.
6. DENIS, Léon. A força
psíquica. Os fluidos. O magnetismo. In "No Invisível", cap. 15,
pp. 175 e 176.
7. XAVIER, Francisco
Cândido e VIEIRA, Waldo. Alma e fluidos. In "Evolução em Dois
Mundos", item Fluidos em geral, cap. 13, p. 95.
8. XAVIER, Francisco
Cândido e VIEIRA, Waldo. Alma e fluidos. In "Evolução em Dois
Mundos", item Fluido vivo, pp., 95 e 96.
9. Entendemos por "parapsicólogos"
os cientistas que estudam com seriedade os fenômenos paranormais, segundo
métodos científicos, e não pessoas que se advogam como tais mas não estudam com
profundidade e seriedade o assunto, apenas interpondo, empiricamente, suas
observações eminentemente pessoais, destituídas de comprovações.
1.1 - O
Fluido universal
Kardec perguntou se há dois elementos gerais
no Universo: matéria e Espírito, ao que os Espíritos responderam: "Sim e
acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e
matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas,
ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que
desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente
dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela.
Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo como elemento material,
ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal
fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o
fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é
matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação
do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas
conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou
elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é princípio sem o
qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as
qualidades que a gravidade lhe dá."
E perguntou mais: "Esse fluido será o
que designamos pelo nome de eletricidade?
"Dissemos que ele é suscetível de
inúmeras combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são
modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão
matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente"12
(grifamos).
Encontramos aio fluido universal projetado
como se os conceitos de "campo" lhe fossem suficientes. A perspicácia
de Kardec, entretanto, vislumbrou se tratar de algo maior, de uma
"fonte" inestancável, verdadeiro "vórtice gerador matriz",
pelo que ele "entrevistou" o Espírito São Luiz13, obtendo
deste informações de que o fluido universal é o elemento universal, "o
princípio elementar de todas as coisas e que, para o encontrarmos na sua
simplicidade absoluta, precisamos ascender aos Espíritos puros". Fica
assim registrado que, além de elemento, ele é o princípio, a causa, a
"fonte", o que difere conceitual e estruturalmente das conseqüências,
o "campo".
Dessa forma confirmamos que o fluido
universal não pode ser conhecido totalmente por Espíritos de nosso nível pois
para apreendê-lo em sua intimidade precisaríamos ascender a Espíritos puros;
nem poderemos atribuir-lhe, com segurança, os conceitos de "campo"
tal como frisamos, sob pena de restringi-lo em sua verdadeira e maior função;
mas podemos assimilá-lo com suficiente segurança, pela exploração e pesquisa do
fluido cósmico, até o ponto que as Ciências, espírita e oficial, forem abrindo
horizontes para um melhor registro e um mais perfeito entendimento.
Apresentamos, entretanto, uma definição de
fluido universal que acreditamos abarca suas mais evidentes características: O
FLUIDO UNIVERSAL, como elemento cosmogônico básico, verdadeira prima-fonte,
assomando a característica de matriz funcional do grande campo criador
do universo material, com seus universos macros e micros, visíveis e
invisíveis, densos e tênues, criados e por criarem-se, irrompe conceitualmente
como a unidade criacionista das forças, a síntese das energias, o plano e o
antiplano da matéria.
10.Considerações sobre o
fluido cósmico universal. Correio Fraterno do ABC, edição sem data.
11. XAVIER, Francisco
Cândido e VIEIRA, Waldo. Fotônios e fluido cósmico. In "Mecanismos da
Mediunidade", item "Campo" de Einstein, cap. 3. p. 39.
12.KARDEC, Allan. Espírito
e matéria. In "O Livro dos Espíritos", Parte 1:, cap. 2.
13.KARDEC, Allan. "Da
teoria das manifestações físicas. In "O Livro dos Médiuns", cap. 4.
1.2 O
Fluido Cósmico (ou a Grande Derivação do Fluido Universal)
A primeira grande derivação do fluido
universal é o fluido cósmico, o fluido que enche todos os vazios, "o meio
sutil em que o Universo se equilibra" e faz com que a matéria adquira
"as qualidades que a gravidade lhe dá", um verdadeiro "campo
energético" pleno de elementos transformáveis, adaptáveis, expansíveis,
contráteis, manipuláveis enfim.
Anotemos as palavras do Espírito André Luiz
a respeito: trata-se do "Plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa
do Todo-Sábio. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis,
mundos e seres, como peixes no oceano" 14 "Nessa substância original,
ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a
Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, (...) extraindo desse
hálito espiritual os celeiros da energia com que constróem os sistemas da
Imensidade.. "15 "Em análogo alicerce, as Inteligências humanas (...)
utilizam o mesmo fluido cósmico, em permanente circulação no Universo (...)
assimilando os corpúsculos da matéria com a energia espiritual que lhes é
própria, formando assim o veículo fisiopsicossomático em que se exprimem ou
cunhando as civilizações que abrangem no mundo a Humanidade Encarnada e a
Humanidade Desencarnada. Dentro das mesmas bases, plasmam também os lugares entenebrecidos
pela purgação infernal, (...) e que valem por aglutinações de duração breve
(...)Na essência, toda a matéria é energia tornada visível e toda a energia,
originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os
nossos propósitos aos propósitos da Criação..."16. (Grifamos.)
Rapidamente percebemos que André Luiz se
refere, sublinearmente, aos conceitos de "campo", chamando o fluido
cósmico ora de "substância original", ora de "força
divina". Deduz-se, por interpolação, que os conceitos de "fonte"
não foram ali considerados.
Em "A Gênese" encontramos: "A
matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e
vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da
eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e,
sobretudo, a eterna geratriz. Absolutamente não desapareceu essa substância
donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda,
incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos,
os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno17.
(Grifamos.)
Percebamos como inicialmente foi inserido o
termo "matéria cósmica primitiva" num sentido de "campo" e
não de "fonte"; considerado foi que ela "continha os elementos
materiais, fluídicos e vitais", e não que os gerou (atente-se que gerar é
diferente de criar). No momento seguinte, quando titulada de "mãe"
e "avó" a um só tempo, ficou transparente o reconhecimento
de se estar lidando com dois conceitos distintos; enquanto que a "mãe fecunda"
é data imagem de "campo energético", com suas cargas disseminadas e
disponíveis à "manipulação", a "primeira avo , a
"eterna geratriz" robustece a característica de "fonte
primacial", literalmente "a mãe da mãe".
Observemos que eles retratam o quadro da
"geração" do "campo cósmico" na imagem da "avó",
e o painel auto-renovável daquela matéria cósmica quando lembra que ela
"recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro
eterno", alusão direta ao "tudo se transforma", ao princípio da
conservação de energia.
Disso tudo que temos analisado, acreditamos
estar visível que fluido -mesmo o universal - não é Espírito nem princípio espiritual
pois, em sua natureza, o Espírito é "O princípio inteligente do
Universo"18; e inteligência é atributo que o fluido não possui,
além do que "A inteligência e a matéria são independentes, porquanto um
corpo pode viver sem a inteligência. Mas a inteligência só por meio dos órgãos
materiais pode manifestar-se. Necessário é que o Espírito se una à matéria animalizada
para intelectualizá-la"19. Assim nos dizem os Espíritos da
Codificação.
Raciocinando com Kardec, o estado de
eterização do fluido é considerado como o estado primitivo, normal, enquanto
que o de materialização resulta das transformações daquele, ao ponto de se
apresentar como matéria tangível nos seus múltiplos aspectos. O ponto
intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível, sem que se
verifique, todavia, transição brusca. A cada, um tipo de fenômeno especial; ao
segundo, os fenômenos do mundo visível; ao primeiro, do invisível. Na
eterização o fluido não é uniforme; suas modificações propiciam o surgimento de
fluidos distintos que, se para os homens são invisíveis, para os Espíritos é
como se materiais fossem, possibilitando, inclusive, a "manipulação"
dos mesmos por Espíritos esclarecidos. Mas, aí remata ele: "Ainda não
conhecemos senão as fronteiras do mundo invisível; o porvir, sem dúvida, nos
reserva o conhecimento de novas leis, que nos permitirão compreender o que se
nos conserva em mistério"20. Sem dúvida alguma as teorias
quânticas e relativistas se encontram entre ditas leis.
Uma observação, contudo, merece registro:
Kardec faz referencia ao que usualmente chamamos de fluido espiritual. Nos
adverte ele, com justa razão, que não se trata de uma qualificação exata pois
os fluidos são sempre materiais, entretanto, tal nomenclatura exprime e
transmite a idéia de estarmos nos referindo aos "fluidos utilizados
pelos Espíritos, pelo que se torna pertinente o uso. Não percamos tal
observação para não cairmos em desentendimentos.
14.XAVIER, Francisco
Cândido e VIEIRA, Waldo. Fluido cósmico. In 'Evolução em Dois Mundos",
cap. 1, p. 19.
15.XAVIER, Francisco
C&>dido e VIEIRA, Waldo. Co-criação em plano maior. In ~ em Dois Mundos",
cap. 1, p. 19.
16.XAVIER, Francisco
Cândido e VIEIRA, Waldo. Co-criacão em plano maior. In "Evolução em Dois
Mundos", cap. 1, p. 23.
17. KARDEC, Allan. Uranografia
geral. In "A Gênese", cap. 6, item
17.
18.KARDEC, Allan. Espírito
e Matéria. In "O Livro dos Espíritos", Parte 1:, cap. 2, questão 23.
19.KARDEC, Allan.
Inteligência e instinto. In "O Livro dos Espíritos", Parte 1'., cap.
4, questão 71.
20.KARDEC, Allan. Os
fluidos. In "A Gênese", cap. 14, item
6.
1.2.1-O
Princípio e o Fluido Vital
É o próprio São Luiz21,
respondendo a Kardec, quem nos orienta:
"22. Se bem compreendemos o que
dissestes, o princípio vital reside no fluido universal; dele o Espírito extrai
o envoltório semimaterial que constitui o seu perispírito e é por meio desse
fluido que atua sobre a matéria inerte.
É isso mesmo?
"Sim; isto é, ele anima a matéria por
uma espécie de vida fictícia; a matéria se anima pela vida animal (...)".
Pelas colocações do sábio São Luiz, temos
confirmado que a vida vem por ação do princípio vital, o qual, por dedução
direta, é um "campo". Sendo "princípio" definido como
"qualquer das causas naturais que concorrem pata que os corpos se movam,
operem e vivam"22, vemos que o princípio vital é o "toque
mágico" propiciador da vida, o "interruptor" vital que faz a
interligação de um "campo" específico chamado "fluido
vital" com elemento(s) proveniente(s) de outro "campo"
(Principio Espiritual). Isto é interessante seja notado pois podemos ter, como
temos, fluidos vitais dispersos, latentes, acumulados mesmo, nos grandes campos
do fluido cósmico, sem que ali se dê a vida propriamente dita; é que aí ainda
estaria faltando a "combinação" ou "interação" desses dois
campos entre si a qual só se dá ante a propiciatura ativa do "princípio
vital".
Eis Allan Kardec em "A Gênese"23
a respeito: "(...) Há na matéria orgânica um princípio especial,
inapreensível e que ainda não pode ser definido: o princípio vital. Ativo
no ser vivente, esse princípio se acha extinto no ser morto (...)"
(grifos originais). E mais adiante ele afirma: tal princípio é "(...) Um
estado especial, uma das modificações do fluido cósmico, pela qual este se
torne princípio de vida (...)".
A vida, portanto, como "efeito"
decorrente de um agente (princípio vital) sobre a matéria (fluido cósmico),
tem, por sustentação, a matéria e o princípio vital em estado de interação
ativa, de forma continua. Decorrente da mesma fonte original - pois
"reside" no "fluido magnético animal", que, por sua vez,
não é outro senão o fluido vital - tem, contudo, a condição peculiar de
veicular o contato com o princípio espiritual.
Assim estabelecidos, tomemos o Espírito
Emmanuel quando nos diz que a força denominada princípio vital é a "(...)
essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas
se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força
que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada
às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os atos nutritivos de
todas as moléculas. O principio vital é o agente entre o corpo espiritual,
fonte da energia e da vontade, e a matéria passiva, inerente às faculdades
superiores do Espírito, que o adapta segundo as forças cósmicas que constituem
as leis físicas de cada plano de existência, proporcionando essa adaptação
às suas necessidades intrínsecas"24 (grifamos).
Acompanhemos agora a resposta dos Espíritos
dada à seguinte questão:
"Que é feito da matéria e do princípio
vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?"
"A matéria inerte se decompõe e vai
formar novos organismos. O princípio vital volta à massa donde saiu"25.
Interessante resposta; enquanto a matéria bruta se recomporá através de outros
organismos, o princípio vital (matéria sutil) retornará à sua "massa"
original (fluido cósmico). O fluido vital, quando o organismo vive, está
ativado pelo princípio vital que dá àquele e a todas as suas partes "uma
atividade que as põe em comunicação entre si, nos casos de certas lesões, e
normaliza as funções momentaneamente perturbadas. Mas, quando os elementos essenciais
ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados,
o fluido vital se torna impotente pata lhes transmitir o movimento da vida, e
o ser morre.
"(...)A quantidade de fluido vital não
é absoluta em todos os seres orgânicos. (...) Alguns há, que se acham, por
assim dizer, saturados desse fluido, enquanto outros o possuem em quantidade
apenas suficiente.
"A quantidade de fluido vital se
esgota. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for
renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm.
"O fluido vital se transmite de um
indivíduo a outro"26
Por força do que vimos dizendo, falar de
princípio vital requer abordemos um outro princípio: o espiritual, a fim de que
não façamos confusão entre as duas coisas. Para elucidar com segurança,
busquemos a Codificação:
"5 - São a mesma coisa o principio
espiritual e o principio vital?
"(...) Ora, desde que a matéria tem uma
vitalidade independente do Espírito e que o Espírito tem uma vitalidade
independente da matéria, (.,.) essa dupla vitalidade repousa em dois princípios
diferentes.
"6 - Terá o princípio espiritual sua fonte
de origem no elemento cósmico universal? (...)
"Se fosse assim, o principio espiritual
sofreria as vicissitudes da matéria; extinguir-se-ia pela desagregação, como o
princípio vital; (...)
"7 - Admitindo-se o ser espiritual e
não podendo ele proceder da matéria, qual a sua origem? (...)
"Aqui, falecem absolutamente os
meios de investigação, como para tudo o que diz respeito à origem das
coisas (...)"27 (grifamos).
Com essas seguras respostas, os Espíritos
nos informam que ainda não chegamos ao nec plus ultra, ao nada mais
além. No-los afirmam que muito haverá a ser desvendado, investigado,
descoberto, trabalhado. Norteiam nosso entendimento sob vários aspectos,
inclusive dando-nos uma pista que nos favorece entendamos por que os
materialistas se sentem com razão quando atribuem ávida uma função meramente
maquinal, material; mas não remontam à gênese.
Partindo daquelas explicações, onde o
princípio vital tem um significado ímpar perante a vida, mesmo sendo fruto do
fluido cósmico e não do princípio espiritual, fica fácil entendermos "a
vida". Não poderíamos esperar que o Espírito agisse independente da
matéria, quando ele nela se encontra encarnado. Sendo a matéria (corpo) o meio
de expressão do Espírito, terá aquela, forçosamente, que fornecer as condições
requeridas para que este se manifeste, qualquer que seja o nível em que isto se
dê. Daí, inclusive, vermos tão profundas e estreitas ligações das potencialidades
orgânicas com as manifestações do Espírito. Mas, apesar disso, não fica nenhuma
dúvida quanto à dualidade do princípio criativo pois à essência espiritual a
matéria não pode negar existência (...)nem explicar jamais! E isso aprendemos,
de forma veemente, desde o tempo do Cristo:
"O que é nascido da carne, é carne; e o
que é nascido do Espírito, é espírito"28.
Disso tudo, portanto, fica destacado que a
Inteligência, o Espírito propriamente dito, se origina de outro princípio que
não é o fluido universal mas sim o Princípio Espiritual (ou Princípio
Inteligente Universal).
Neste ponto, podemos fazer uma síntese:
(FIGURA 1)
DEUS: Pai e criador; "inteligência suprema, causa primária de todas as
coisas". Dentre essas "todas as coisas" Ele criou:
O FLUIDO UNIVERSAL: "fonte" e princípio básico de todos os
fluidos, o qual derivou (e continua a gerar) um grande campo:
O FLUIDO CÓSMICO: primeira (e talvez única) e maior decorrência do
fluido universal, o qual, além de gerar todos os universos, macros e micros,
tem dentro de si mesmo um outro campo:
O FLUIDO VITAL: que é o responsável, quando "combinado" com
o fluido cósmico, ou com outras de suas derivações, através do agente chamado PRINCÍPIO
VITAL segundo padrões muito especiais, pela vida.
Voltando a DEUS, na outra grande
vertente da Criação, surge:
PRINCÍPIO INTELIGENTE (UNIVERSAL): "fonte" do "elemento espiritual"
que virá a ser o Espírito Imortal; o "acionador" do P. V.
21.TEORIA DAS Manifestações
Físicas - II. Revista Espírita", jun. 1858, p. 155.
22.AULETE, Caldas.
"Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa", vol. 4, p. 4.078.
23.KARDEC, Allan. Gênese
orgânica In "A Gênese", cap., 10, itens 16 e 17.
24. XAVIER, Francisco
Cândido. O corpo espiritual. In "Emmanuel", cap. 24, item
"Através dos escaninhos do universo orgânico", p. 132.
25. KARDEC, Allan. A vida e
a morte. XAVIER, Francisco Cândido. In "O Livro dos Espíritos", Parte
1:, cap. 4. questão 70.
26. KARDEC, Allan. A vida e
a morte. XAVIER, Francisco Cândido. In "O Livro dos Espíritos", Parte
1:, cap. 4, questão 70.
27. KARDEC, Allan. Gênese
espiritual. In "A Gênese", cap. 11, item Princípio espiritual.
28. João, III, v. 6.
1.3. -
Conhecendo o Fluido
O fluido cósmico sofre, primordialmente no
estado de eterização, inúmeras modificações, podendo ou não deixar de ser
etéreo, vindo a formar fluidos diferentes. Não obstante a mesma origem, tais
fluidos adquirem propriedades especiais. Assim como, num processo chamado
alotrópico, a combinação de dois átomos de oxigênio é o que chamamos de
oxigênio simples, enquanto a combinação de três desses átomos faz com que se
obtenha o ozônio, assimilamos a possibilidade da autocombinação poder produzir
um outro elemento de padrão diferente do original sem, contudo, destruir-lhe ou
negar-lhe a origem. O mesmo se dá, em formas e condições bem diversas e mais
ricas, com o fluido cósmico, que não apenas se combina de maneira alotrópica mas
por uma infinidade de meios, físicos, psíquicos e químicos, que nem sequer
vislumbramos a quantidade nem, muito menos, o modus operandi.
"Sabemos que o fluido universal, ou
fluido cósmico etéreo, representa o estado mais simples da matéria; sua
sutileza é tal que escapa a toda análise. E, entretanto, desse fluido procedem,
mediante condensações graduais, todos os corpos sólidos e pesados que
constituem a base da matéria terrestre"29. "O mundo dos
fluidos, mais que qualquer outro, está submetido às leis de atração. Pela
vontade, atraímos forças boas ou más, em harmonia com os nossos pensamentos e
sentimentos". Conhecendo essas informações, podemos assegurar que "A
vontade de aliviar, de curar, comunica ao fluido magnético propriedades
curativas. O remédio para nossos males está em nós"31. "O
magnetismo, considerado em seu aspecto geral, é a utilização, sob o nome de
fluido, da força psíquica por aqueles que abundantemente a possuem"32.
(Citações de Léon Denis.)
Disso ressalta a precisão com que o fluido
interfere em nossas vidas. Sua condição de afinidade, seu atendimento pela
vontade, sua harmonização com os pensamentos e sentimentos, fornecem elementos
básicos à nossa tarefa de cura, tanto quanto ao alcance como à necessidade de
nos posicionarmos moralmente equilibrados para melhor podermos usufruir de suas
virtudes.
29. DENIS, Léon. In "No Invisível", cap. 20, p. 280.
30. DENIS, Léon. In "No Invisível", cap. 15, p. 184.
31. DENIS, Léon. In "No Invisível", cap. 15, p. 181.
32. DENIS, Léon. In "No Invisível", cap. 15, p. 180.
1.4 -
Percepção - Assimilação
"Os elementos fluídicos do mundo
espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos
sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea.
Alguns há, pertencentes a um meio diverso a tal ponto do nosso, que deles só
podemos fazer idéia mediante comparações tão imperfeitas como aquelas mediante
as quais um cego de nascença procura fazer idéia da teoria das cores.
"Mas, entre tais fluidos, há os tão
intimamente ligados à vida corporal, que, de certa forma, pertencem ao meio
terreno. Em falta de comparação direta, seus efeitos podem observar-se, como se
observam os fluidos do ímã (..,)"33. (Kardec.)
Dessas palavras deduzimos que muito acerca
de fluidos só poderemos alcançar através da percepção sub-reptícia, quer tátil,
quer intuitiva, ou então por dedução lógica e filosófica; entretanto, fato é
que eles existem e que sua teorização não se estriba apenas em matéria
impalpável tal qual eles, em sua maioria, o são. Seus efeitos são sentidos,
percebidos, medidos alguns e evidenciados sempre, seja pela pujança do fato,
seja pela dedução do mesmo, pelo que nos compete o estudo sério e aprofundado.
O pensar34 metaboliza o fluido
cósmico, plasmando as imagens geradas pela mente, sendo, por isso mesmo, uma
força criadora. O fluido vital não é mero produto mental, pois, se assim o
fosse, as plantas e os animais não o possuiriam, posto que, não pensam.
Mas, isso não diz que esse fluido não seja
afetado pelo impulso mental; é, e não é pouco! Pela maleabilidade e
impressionabilidade dos fluidos, nosso vetor moralidade exerce forte ponderação
nos destinos que lhes são decorrentes. Isto podemos confirmar numa colocação do
Espírito Aulus quando explanava sobre o sistema de defesa espiritual de um
médium moralmente equilibrado: "Quanto aos fluidos de natureza deletéria,
não precisamos temê-los. Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os
fustiga ou desintegra. (...). Os raios luminosos da mente orientada para o bem
incidem sobre as construções do mal, à feição de descargas elétricas"35.
Esta colocação, inclusive, responde às duvidas muito comuns sobre o destino dos
fluidos que são dispersados por ocasião dos passes. Notemos que a moralidade
elevada exerce verdadeira desintegração sobre os fluidos nocivos, não
alcançando estes, portanto, aquele que se exercita nas práticas morais do
Evangelho de Jesus, inclusive através do passe.
Concluímos, portanto, que podemos perceber
os fluidos através de nosso próprio referencial; nosso ambiente mental definirá
a camada fluídica que nos rodeia e que de nós emana, em favor ou contra o
próximo. Como o fluido se comporta segundo a lei de afinidade, fácil
percebermos tanto o ambiente fluídico que nos envolve como nos é favorecida sua
assimilação, segundo idênticos critérios.
33.KARDEC, Allan. Os
fluidos. IR "A Gênese", cap. 14, item 4.
34.Pensar (atributo do
Espírito), como verbo, traduz ação. Pensamento, substantivo, produto do pensar.
Neste sentido é que estamos usando os termos.
35.XAVIER, Francisco
Cândido. Psicofonia sonanbúlica. IR "Nos Domínios da Mediunidade",
cap. 8, p. 49.
33.KARDEC, Allan. Os
fluidos. In "A Gênese", cap. 14, item 4.
34.Pensar (atributo do
Espírito), como verbo, traduz ação. Pensamento, substantivo, produto do pensar.
Neste sentido ~ que estamos usando os termos.
35.XAYIER, Francisco
Cândido. psicofonia sonambúlica. Ia "Nos Domínios da Mediunidade",
cap. 8, p. 49.
1.5 -
Propriedades Físicas
Retomando a "A Gênese", de Allan
Kardec, ficamos sabendo que os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais,
que são os fluidos etéreos, não manipulando-os como os homens manipulam os
gases, mas empregando, sobremaneira, o pensamento e a vontade. Por estes, e
aqui relembramos a plasticidade dos fluidos etéreos, imprimem àqueles fluidos tal
ou qual direção, aglomerando-os, combinando-os, dispersando-os, organizando com
eles conjuntos que constituem uma aparência, uma forma, uma coloração
determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases e de
outros corpos e substâncias, fazendo-os agirem e interagirem segundo certas
leis.
Os fluidos não possuem qualidades
"sui-generis"; as adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se
pelos eflúvios desse meio. Portanto, dizendo-se que tal fluido é bom ou mal,
nos referimos ao "produto final" e não a sua generalidade. O fluido
cósmico é puro e suas derivações são produto das "manipulações", em níveis
e padrões variados ao infinito. Os fluidos derivados são mais ou menos úteis,
para tais ou quais casos, sendo excelentes para certos usos e sofríveis para outros.
O uso e a assimilação que se tenha dos fluidos é que também podem repercutir.
Podemos ter um fluido "fino", bastante rarefeito, proveniente de uma
fonte "elevada", mas que, para determinado tratamento, seria
preferível um fluido mais material, mais denso, pelo que aquele se tornaria
menos eficiente que este. De outra forma, seríamos levados a crer que os
fluidos teriam personalidades próprias; não as tem, são fluidos, são matéria.
Suas qualidades são produtos das "manipulações" mentais, psíquicas,
espirituais, ainda que com profundas repercussões físicas.
Do ponto de vista moral, os fluidos trarão
impressos em si mesmos, pelas vibrações especiais que se lhes agregam, o cunho
dos sentimentos de ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, violência,
hipocrisia, bondade, benevolência, amor, caridade, humildade, doçura, afeto e
carinho, com que venham a ser laborados.
No caso do fluido magnético, conforme nos
assevera Michaelus, sabemos que ele, "Por si só, não apresenta nenhuma
propriedade terapêutica, mas age principalmente como elemento de equilíbrio. De
sorte que o desequilíbrio (...) dos fluidos magnéticos que envolvem todos os
órgãos do corpo humano acarreta a desordem nas funções desses órgãos e, daí, a
caracterização do que chamamos doença. Todas as vezes, portanto, que se rompe o
equilíbrio, quer por excessiva condensação ou concentração, quer por excessiva
dispersão de fluidos, cumpre restabelecê-lo e, daí, a cura"36.
Com esta colocação Michaelus desmistifica o
fluído, mesmo o magnético. Sua propriedade básica no fenômeno das curas é o do
restabelecimento do equilíbrio fluídico, através da mudança fluídica que está a
gerar o fator doença.
1.6 - Os
Fluidos no Magnetismo
Vamos, sucintamente, registrar as
observações feitas por Michaelus, a partir de diversos magnetizadores (Deleuze,
Aubin Gauthier, Du Potet e Ed. Bertholet, entre outros), e que importam ao
magnetismo. Para não nos estendermos demasiadamente, aditaremos alguns breves
comentários, colocando-os entre parênteses.
"1. - O fluido magnético, que se nos
escapa continuamente, forma em torno do nosso corpo uma atmosfera. Não sendo
impulsionado pela nossa vontade, não age sensivelmente sobre os indivíduos que
nos cercam (...) (Observemos como a vontade tem um valor preponderante nas
chamadas fluidificações ou influências fluídicas. Por outro lado, como toda
regra tem exceção - diz a regra -, casos há em que pela excessiva sensibilidade
alguém pode sentir e registrar as emanações fluídicas de uma outra pessoa, sem
que seja necessariamente acionado o dispositivo da vontade do emissor; são os
sensitivos em ação.)
"2. - O fluido penetra todos os corpos
animados e inanimados.
"3. - O fluido possui um odor, que
varia segundo o estado de saúde física do indivíduo, dos seus dotes morais e espirituais,
e do seu grau de evolução e pureza. (...) O odor e a coloração do fluido estão
na razão direta do estado de evolução da alma ou do Espírito (...) (Portanto,
nada de se pensar que apenas as condições físicas interessam à economia
fluídica do indivíduo.)
"4. - O fluido é visto pelos sonâmbulos
como um vapor luminoso, mais ou menos brilhante (...) (Regra geral mas não
única.)
"Os meios onde superabundam os maus
Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos (...)
"5. - O fluido magnético não é o fluido
elétrico (...)
"6. - O fluido se propaga a grandes
distâncias, o que depende, entretanto, da qualidade e da força do magnetizador,
e igualmente da maior ou menor sensibilidade magnética do paciente. (Por
"força do magnetizador" entenda-se "força fluídica" e não
física.)
"7. - O fluido está também sujeito às
leis de atração, repulsão e afinidade (...) (Isto explica muitos problemas
verificados nas aplicações de passes e nas fluidoterapias em geral.)
"8. - Precisamente porque o fluido
varia de indivíduo a indivíduo, é de notar-se que certos magnetizadores têm
mais facilidade em curar determinadas moléstias do que outras. (...) Convém não
esquecer que, além do fluido propriamente humano, outros fluidos, dotados de
diferentes propriedades, que ainda não conhecemos, poderão intervir na ação
magnética (...) (Parece que os magnetizadores queriam falar na ação dos
Espíritos. Constatamos que certos médiuns não têm grande força ou impulsão
magnética de per si, mas, passam a produzir com fartura quando submetidos
à assistência Espiritual evocada e consentida, confirmando como a ação da parte
dos Espíritos não só é de grande proveito, mas, diríamos, indispensável.)
"9. - O estado atmosférico pode de
certo modo aumentar ou diminuir a intensidade do fluido e, portanto, a eficácia
da magnetização (...) (Esta observação não faz muito sentido por dois motivos:
quando lidamos com fluidos espirituais, estes não se comportam exatamente como
os magnéticos, nem quando aplicados em sua forma mista; por outro lado,
magnetizadores contemporâneos comprovaram que tais estados atmosféricos não
influem no magnetismo animal, como o evidencia a ação da fluidoterapia a
distância.)
"10. - A quantidade de fluido não é
igual em todos os seres orgânicos, variando segundo as espécies, e não é
constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie (...)
"11. - São extremamente variados os
efeitos da ação fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias.
Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolongado; doutras vezes é rápida,
como uma corrente elétrica. (...) Os fluidos que emanam de uma fonte impura são
quais substâncias medicamentosas alteradas.
"12. - A ligação entre o fluido
magnético e os corpos que o recebem é tão íntima que nenhuma força física ou
química pode destruí-lo. Os reativos químicos e o fogo nenhum efeito têm sobre
ele (...) (Mas o efeito da moralidade ou da falta dela são incontestáveis.)
"Donde se conclui que há muito pouca
analogia entre os fluidos imponderáveis que os físicos conhecem e o fluido
magnético.
"13. - Por último, não é demais repetir
que o magnetismo ensaia os seus primeiros passos e que muito pouco sabemos
sobre o seu principal veículo do fluido, e que só o estudo e a experimentação
poderão um dia descortinar o vasto e ilimitado caminho a percorrer"37.
(Esta é a parte mais óbvia disso tudo, mas, infelizmente, poucos têm dado a
atenção que é devida a tão fascinante estudo.)
Ao final, queremos ressalvar que nem tudo o
que é bom e certo para o Magnetismo, como Ciência, o é igualmente para os
passes, como prática espírita, pelo que vale termos em mente o cuidado para não
tomarmos a especificidade daquele pelo geral das Leis deste, ou a generalidade
do Magnetismo pelas particularidades do passe Espírita.
36. MICHAELUS. 1.
"Magnetismo Espiritual", cap. 10, p. 80.
37. MICHAELUS. IR
"Magnetismo Espiritual", cap. 6, pp. 46 a 50.
Fonte: O
Passe. Seu estudo, suas técnicas, sua prática. – FEB – Portal do Espírito
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