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Rogério Coelho
"(...)
porque pelos frutos se conhece a árvore... Jesus (Mt., 12:33.)
Quando sinceramente
escoimados dos laivos da vaidade e do orgulho e mergulhamos no profundo oceano
do auto-conhecimento, constatamos, com não pouca tristeza, apreensão e mesmo
aflição, a superlativa defasagem existente entre o que somos e o que deveríamos
ser...
Vislumbramos a luz
mas trazemos os pés encharcados no lodaçal de nossas ancestrais limitações e
exigências imateriais do "homem velho".
Porém, para consolo
nosso, tal situação foi. também, experimentada pelos apóstolos do Cristianismo
nascente: Paulo de Tarso chegou a exclamar angustiado: "O bem que eu quero
fazer não faço; mas o mal que não
quero fazer, este eu faço."
Tais perplexidades,,
açoitaram, também de foram impiedosa, os próprios integrantes cio Colégio
Apostólico. Tadeu e André, Pedro e Tiago, e inúmeros outros discípulos, ao
ouvirem Jesus falar acerca da glória reservada aos bons, amarguram-se chegando
mesmo, alguns deles, ao pranto discreto, porque conheciam a si mesmos e observavam
o quanto estavam distanciados do Ideal-Cristão, e se nulo fosse a interferência
direta e efetiva do Meigo Rabi Galileu, descoroçoariam de vez...
Sentiam - todos eles
- serem portadores de um coração indisciplinado e ingrato. Embora assimilassem as explanações do Evangelho, lá
fora, no trato com o mundo, na prática, não
passavam de espíritos renitentes no mal.
Como trabalhar em
favor da Humanidade nessas condições?
Eram dóceis perto de
Jesus, mas ao distanciarem-se, bastava uma palavra insignificante de
incompreensão para desarmá-los. Reconheciam-se incapazes de tolerar o insulto
ou a pedrada. Como prosseguir ensinando a Boa-Nova, a prática do bem, imperfeitos
e maus como se viam? Pedro chegava a espantar-se diante da coragem louca
com a qual vinha abraçando os compromissos cristãos, não obstante sua grande
fragilidade e a enormidade de seus débitos. Sentia-se insuficiente e incompleto
para servir honestamente aos princípios sublimes do Novo Reino. Tiago chegou a dizer:
"Na intimidade de minha consciência, reparo quão longe me encontro da
Boa-Nova, verdadeiramente aplicada. Serei. na realidade, um discípulo sincero?
Não estarei enganando o próximo o?"
Para sermos coerentes
com a verdade, essas questões ainda permanecem na área das cogitações dos
discípulos de hoje, isto é, principalmente dos Espíritas.
Reportando-nos,
porém, à Parábola das Bodas. vamos verificar que o dono da festa mandou
convidar a todos os que fossem encontrados na encruzilhada: bons e maus. Aí entendemos porque, sendo
ainda imperfeitos, fomos convidados a participar do banquete do conhecimento
Espírita.
Afirmando
o Espiritismo que "Fora da Caridade não há Salvação”. Compete-nos, agora,
apresentar os frutos sazonados de nosso trabalho na Seara do Mestre, a fim de
que sejamos, além de chamados. escolhidos também.
Vai
uma grande distância entre ser chamado e
escolhido.
Naturalmente,
consoante informação dos Espíritos Amigos o Espiritismo pode “aumentar o número dos escolhidos".
Chateados.
já fomos. Perguntamos agora: Pelo nosso trabalho na Seara de Jesus, podemos
afirmar com tranqüilidade e certeza que seremos escolhidos?
Eis
a questão que, de forma preocupante, se alevanta!...
Afinal,
estamos ainda "aflitos e afatigados
com muitas coisas " irrelevantes para nossa economia espiritual, pelas
quimeras, ou já fizemos nossa opção - a exemplo de Maria. irmã de Lázaro - pela
"parte boa ", isto é, “aquela que não nos será tirada” e, por conseguinte,
constituir-se-á em nossa carta de alforria?
Respondendo
às dolorosas e aflitas perplexidades de Seus discípulos (que na verdade ainda
são - hodiernamente - as mesmas perplexidades nossas, eivados que estamos de
superlativas limitações), Jesus disse (1):
"Em
verdade, o paraíso com o qual sonhamos, vem muito longe. A meu ver, os anjos,
na indumentária celeste. ainda não encontram domicílio no chão áspero e escuro
em que firmamos atualmente os pés. Somos os aprendizes do Bem, a caminho do
Pai, e não devemos menoscabar a bendita oportunidade de crescer para Ele, no mesmo
impulso da videira que se eleva para o Céu, depois de nascer no escuro seio da
terra, alastrando, compassiva, para sua destinação.
Mas,
se vocês se declaram fracos, devedores, endurecidos e maus e não são os primeiros a trabalhar para se fazerem fortes, redimidos, dedicados e
bons, cru favor da obra geral de salvação, não rate parece que os anjos
devam descer da glória dos Cimos para substituir-nos nos campos das lições da
Terra.
O
remédio, antes de tudo, se dirige ao doente, o ensino ao ignorante. De outro
modo, penso, a Boa-Nova de Salvação se perderia por inadequada e
inútil..."
Aquele
que é o nosso "Guia e Modelo" afirmou
(2):
“EU venci o
mundo.”
Imitemos
pois, o Mestre, seguindo pulcros e impertérritos a árdua escalada da montanha
evolutiva, no cimo da qual esta a "coroa
da Vida para os que até ao fim permanecerem
permanecerem fiéis " (3) e de ânimo forte.
Fonte: O Médium – jul-ago/97
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