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O Trabalho e a Dignidade do Ser

 

 

Wilson Francisco

wfmsg@ig.com.br

 

O trabalho está contido na Lei Natural. O principio inteligente, a partir da sua humanização, o exerce no sentido de:

ž desenvolver habilidades e abrir canais de percepção com o mundo físico;

ž estabelecer relação com o mundo, coisas e os seres, estruturando a sociabilidade;

ž adquirir meios e ampliar recursos orgânicos para sua sobrevivência;

ž exercitar a multivivência que o mantenha conectado com a sua espiritualidade e a espiritualidade Superior.

Na Parábola dos Trabalhadores da Vinha, Jesus nos ensina sobre o trabalho como exercício de desenvolvimento sensorial e espiritual, sem a expectativa de resultado / recompensa. Realizado para o autodesenvolvimento e pela vontade de ser e estar agindo no mundo terreno. Susan Campbell diz que “na realidade não trabalhamos para ganhar a vida. Trabalhamos para nos desenvolver”.

O pagamento que o Senhor da Vinha realizou, igualando os valores apesar da diferença do tempo trabalhado representa um juízo de valor sobre o trabalho em si, pela execução da tarefa, não pelo tempo ou esforço despendido. O trabalho quando é executado como uma ação espiritual é atemporal e não causa desgaste. Ele é, em si mesmo, um motivo de alegria.

Albert Schwertzer, quando se entregou a missão de construir um Hospital na África, utilizava o trabalho nativo e desdobrava-se em ações sociais e artísticas na Suíça e em outros países para angariar fundos que ele revertia em prol das obras do Hospital de Labárrene.

Seus amigos achavam perda de tempo fazer uma hospital na selva africana, onde fatalmente as pessoas morreriam de infecções e fome. Ele dizia, que ajudava por ajudar. O que importava para ele era o resgate da dignidade do ser, além de poder ensinar para os nativos os rudimentos de aprendizagem do trabalho.

Agora, na Nova Era, quando transitamos para outros patamares ideológicos, o conceito de trabalho está sendo alterado. Os setores de recursos humanos das empresas requisitam com preferência as criaturas cuja excelência e inteligência emocional estejam bem ajustadas e desenvolvidas, tendo inclusive o cuidado de dar espaço para a realização de massagens e apoio psicológico, para os empregados.

A Nutrimental, através do seu diretor superintendente, Rodrigo Loures, em 1998 participou do Seminário “Organizações Humanizadas Competitivas”, realizado no Hotel Maksoud Plaza em São Paulo. O tema do evento foi “A Espiritualidade nas Fronteiras do Trabalho”. Participaram 300 empresários do Brasil e de outros países.

A espiritualidade nos negócios pode ser entendida como a humanização do trabalho a partir da abolição das atividades puramente técnicas e da adoção da administração horizontalizada.

As empresas têm investido bastante em projetos envolvendo a participação do empregado, com o objetivo de aproveitar ao máximo o seu potencial criativo. O chamado “lado espiritual” das pessoas, dizem, é o que lhes anima para o trabalho e o que propicia o “insight” próprio das melhores idéias.

Para a remoção do caos sócio-político em que se encontra a sociedade atual será preciso que a inteligência administrativa ao legislar e executar as leis e ações, atravessem a fronteira do poder pelo poder, do dinheiro pelo dinheiro, para os novos e amplos horizontes do poder que educa, do dinheiro que dignifica. Significa trabalhar para o Bem do ser e pela Paz social.

O trabalho enquanto recurso para o conforto, para a sobrevivência e para a realização pessoal é um exercício de direito. Todo cidadão pode e deve exerce-lo.

A nossa sociedade está atravessando um período que exige definições. A percepção da gratuidade, segundo algumas pessoas, desapareceu, evaporou-se da humanidade.

Por outro lado, surge o Terceiro Setor que agrega pessoas cuja disponibilidade as envolvem em ações filantrópicas profissionais cujos resultados são revertidos para os menos favorecidos.

Até mesmo no meio religioso esta concepção de gratuidade está sendo questionada por alguns e deixada de lado por outros.

Uma pessoa minha conhecida orou em meu benefício, quando eu estava entrando com os papéis para aposentar, enquanto a outra ajudou orientando e encaminhando meus papéis. Aquela cuja ação foi meramente material, nada me cobrou ficando satisfeita com a minha conquista, enquanto a outra pessoa, evangélica, entendeu que se eu desse qualquer presente para a primeira, também deveria dar algo para ela.

O conceito de gratuidade segundo a Doutrina Espírita está implícito na intermediação. Se você age como um instrumento dos Espíritos então não pode cobrar. Ao dar um passe o espírita não cobra, porque o passe segundo o Espiritismo é uma ação do médium assistido por um Espírito. Se ele vai dar uma sopa para o pobre a gratuidade acontece porque o ato é caritativo, é um ato social e de amor ao próximo.

No entanto, se um médium espírita estuda e se habilita para realizar uma ação terapêutica como a massagem energética ou outras certamente os Espíritos vão assisti-lo. Mas ele estará agindo através da sua qualificação profissional. A ação dos Espíritos dará, com certeza, mais amplitude e qualidade ao atendimento, no entanto, ele poderá cobrar, porque está executando um trabalho material.

O mesmo se pode dizer do médico espírita, evangélico ou católico. Tanto um como outro poderá nas consultas estar assistido por um Espírito Superior, pelo Espírito Santo ou por um Santo, o que garantirá para o paciente uma consulta de qualidade com grande possibilidade de êxito. Mas tanto um como o outro cobrará a consulta, porque é de direito. Estudaram e estão credenciados para exercer a medicina.

Simoni, cantora evangélica, em entrevista na televisão levantou a questão do direito de trabalhar. Ela foi condenada e criticada porque posou nua para uma revista. E ela se defende dizendo que estava trabalhando e que o dinheiro seria revertido para seu sustento e uma parte ela iria transferir para algumas entidades assistenciais.

O ser humano tem o direito de utilizar seu corpo para ganhar dinheiro? E quando ele utiliza seus dotes físicos para jogar futebol, dançar, escrever ou representar.

O homossexual, devidamente identificado com este seu jeito de ser tem o direito de reivindicar um espaço na Igreja, no Templo ou no Centro Espírita para exercer um trabalho espiritual de acordo com sua vocação?

Bem, se uma pessoa pode ser desqualificada para a atividade religiosa porque moralmente não atende os preceitos cristãos ou sociais, então o homem ou a mulher que não praticam a fidelidade conjugal, também não tem esse direito. O empresário que sonega impostos, também não. O médico e a enfermeira que deixam de aplicar os sagrados preceitos da medicina, da mesma forma perderão este direito.

O trabalho é um direito de toda criatura. E ela pode e deve exerce-lo onde estiver. E cada cidadão poderá praticá-lo para suas conquistas pessoais ou espirituais. Há que se destacar, todavia, que para a Lei Divina o trabalho é um exercício de inteligência e amor.

O trabalho é tão importante, que Freud dizia: “A felicidade está embasada em dois pilares: o trabalho e o amor”. 

E Leon Denis, o grande poeta e filósofo de Tours, elucida: “O trabalho é a dignidade do ser humano. Quando o homem está ocupado com sua tarefa, as paixões se aquietam. Acalmam as nossas angustias e fecunda a nossa inteligência. O trabalho é a comunhão dos seres. Por ele nos aproximamos uns dos outros, aprendemos a nos auxiliar, a nos unir, daí à fraternidade só há um passo”.

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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