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Francisco Rebouças
Entre outras definições que encontramos no dicionário
da língua portuguesa como sinônimo da palavra melindre, citaremos apenas
estas, que nos dão bem o sentido de como ela é entendida normalmente no meio
espírita, quando se quer qualificar alguém que por pequeninas contrariedades, é
bastante susceptível de se aborrecer, encolerizar, chatear, ofender-se etc...,
e que a citada obra entre outras nos coloca as seguintes definições: facilidade ou propensão para amuar ou ofender-se; susceptibilidade;
amabilidade; delicadeza no trato; escrúpulo; pudor; recato; coisa frágil.
Sabemos, que muitas são as criaturas que conhecemos,
que por qualquer negativa nossa em relação ao que a pessoa pensa, ou que queira
que seja feito, ou ainda se formos contrários aos seus ideais ou projetos
momentâneos, imediatamente se sentem ofendidos, contrariados, melindrados, alardeando
que estão sendo rejeitados, em muitos casos afastando-se das tarefas ou até
mesmo da casa espírita, espalhando a todos a sua versão infundada de que foram
incompreendidos, mal interpretados, perseguidos etc...
Temos conhecimento, através do que nos ensinam os
imortais da vida maior, na abençoada doutrina que professamos, que o melindre
como tantos outros, é um mal radicado no espírito milenar da criatura humana, desenvolvido e sustentado pelo orgulho exacerbado
que o ser abriga em seu psiquismo e, se contrariado, sente-se imediatamente
ferido em seu amor próprio, no seu personalismo ainda inferior, não levando em
consideração que nem todos pensam ou agem como ele, o que o leva por isso mesmo inevitavelmente a uma reação de
irracionalidade que ainda não consegue controlar.
É necessário, que a pessoa tome consciência, de que
cada indivíduo é um mundo com anseios, ideais, e objetivos nem sempre
condizentes com os que normalmente nos identificamos, sem que por isso seja
nosso inimigo, e que muitas das vezes depois de analisarmos suas sugestões, com
calma e atenção descobrimos que estávamos errados em muitos dos nossos pontos
de vista, e se formos humildes ou até mesmo inteligentes, abraçaremos com
fervor essas sugestões, facilitando em muito nossa tarefa e tornando-a muito
mais prazerosa, satisfatória e útil.
O espírito André Luiz, através da Arte
de Psicografar do extraordinário médiun Chico Xavier, na obra
“Sinal Verde”, no Capítulo 23, vem nos esclarecer que todos nós devemos observar
nossas atitudes para não nos tornarmos tão frágeis diante da discordância de um
companheiro em relação ao nosso modo de ver as coisas, procurando desenvolver
em nós os necessários antídotos, que nos servirão de vacina contra essa maneira
tão desequilibrada de encararmos a opinião contrária daqueles que conosco compartilham
as lidas do dia a dia, em qualquer atividade da qual fizermos parte.
Diz-nos André Luiz:
MELINDRES
Não
permita que suscetibilidades lhe conturbem o coração.
Dê
aos outros a liberdade de pensar, tanto quanto você é livre para pensar como deseja.
Cada
pessoa vê os problemas da vida em ângulo diferente.
Muita vez, uma opinião diversa da sua pode ser de
grande auxílio em sua experiência ou negócio, se você se dispuser a estudá-la.
Melindres arrasam as melhores plantações de amizade.
Quem reclama, agrava as dificuldades.
Não cultive ressentimentos.
Melindrar-se é um modo de perder as melhores situações.
Não se aborreça, coopere.
Quem vive de se ferir, acaba na condição de
espinheiro.
Os melindres embora façam parte dos sentimentos da
criatura humana no nosso nível de desenvolvimento moral, precisam ser
trabalhados para não se tornarem causa de auto destruição da própria pessoa ou
até de uma comunidade inteira, é na verdade um vírus resistente a qualquer
medicamento que não tenha por efeito combater em nós mesmos o egoísmo que
trazemos enraizado no imo de nosso ser, desde tempos pretéritos e, que não se logra
êxito em seu combate sem vontade, disciplina e perseverança. Seu único e
eficiente antídoto é o AMOR , que a tudo acolhe, tudo entende,
tudo perdoa, e promove a criatura em direção ao seu criador.
É,
portanto, meus amigos de suma importância começarmos uma imediata mudança em nosso
modo de ver a vida, não nos deixando mais ser levados pelo leme do orgulho, no
barco do egoísmo, em direção ao abismo das trevas e sim, buscarmos descer
imediatamente no primeiro porto à nossa vista e embarcarmos em outro transporte
que nos leve de retorno ao seio do amor universal, pelas tranqüilas águas do
amor, ao porto seguro do progresso moral espiritual, que espera desde muito,
pela chegada de cada um de nós.
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