|
Bernardino da Silva Moreira
Na introdução ao estudo da Doutrina
Espírita, Allan Kardec, o mestre por excelência, inicia a codificação das obras
espíritas atento aos mínimos detalhes e com a segurança dos grandes
lexicólogos, examina a etimologia das palavras e suas acepções e conclui:
“Para se designarem coisas novas são
precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a
confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos
espiritual, espiritualista, têm acepção bem definida. Dar-lhes outra, para
aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de
anfibologia”.
Daí o Codificador Espírita, acrescenta
advertindo:
“Em vez das palavras espiritual,
espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos (a
Doutrina Espírita), os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a
origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser
perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que
lhe é própria”.
Apesar da advertência do mestre lionês,
ainda são comuns os deslizes cometidos por inúmeros espíritas, que desatentos
ao vocabulário e impregnados com o tradicionalismo religioso, deixam fluir em
suas palavras os vícios de linguajar espiritualizante caduco de outrora.
Temos um exemplo disso na palavra
espiritual, pois, é comum ouvirmos nos meios espíritas, as palavras corpo
espiritual quando o correto seria perispírito.
O insigne codificador espírita mostra as
diferenças entre as palavras espiritual e espírita, quando em “O Livro dos
Espíritos” adverte: “Quem quer que acredite haver em si alguma coisa a mais do
que matéria, é espiritualista.” Mas prudentemente acrescenta: “Não se segue
daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o
mundo visível”.
No vocabulário espírita, cap. XXXII de “O
Livro dos Médiuns”, esclarece:
“Perispírito – (Do grego – peri – em torno).
– Envoltório semi-material do Espírito. Nos encarnados, serve de intermediário
entre o Espírito e a matéria; nos Espíritos errantes, constitui o corpo
fluídico do Espírito.”
Quem desejar mais informações sobre o
perispírito, deve consultar “O Livro dos Espíritos” na Segunda parte, cap. 1,
questão 93, 94 e 95, onde figura o título “Perispírito”. Não há como errar!
Se adotarmos o corpo espiritual dos
espiritualistas em breve estaremos aceitando também, o corpo astral, o corpo
mental, o duplo etéreo e uma infinidade de palavras estranhas ao contexto
espírita.
Diante do bom-senso kardequiano, resta-nos
apenas como bons espíritas, seguir a ortodoxia espírita empregando o
vocabulário espírita porque “assim o exige a clareza da linguagem”.
Se o espiritual tem relação com o
espiritualismo e o espírita com o Espiritismo só nos resta como bons espíritas
empregarmos o vocabulário espírita, para evitarmos “a confusão inerente à
variedade de sentidos das mesmas palavras.
Fonte:
Correio Fraterno do ABC – Abril/2002
|