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José Henrique Baldin
O Carnaval não é um privilégio e
invenção de brasileiros. Bem antes do surgimento do Cristo, homens, mulheres e
crianças já usavam máscaras e corpos pintados para afastar demônios e maus
presságios. O nome, vem de uma festa romana e egípcia , no início de janeiro em
homenagem ao Deus Saturno, quando carros alegóricos (a cavalo) desfilavam com
homens e mulheres. Eram os carrum navalis, daí a origem da palavra
"carnaval". Como no Brasil, em Roma as festas Saturnais (homenagem ao
Deus Saturno) tinham tanta importância que tribunais e escolas fechavam,
julgamentos eram suspendidos e execuções criminais eram postergadas, não haviam
distinções sociais, os escravos tinham liberdade provisória. As pessoas saiam
às ruas para dançar. Era uma "alegria" só. Também era um carnaval
quando os exércitos vencedores voltavam às suas cidades, desfilando pelas ruas.
Em fevereiro, os romanos comemoravam o
"Lupercals" em homenagem ao Deus Pan. Esta festa envolvia a
celebração da fertilidade. Quanto aos egípcios, a festa tradicional deles eram
pagas em homenagem à Deusa Isis e ao Bull Apis. Todas as civilizações antigas
tiveram estas festas baseadas na orgia, e esta tradição era passada a todas as
pessoas.
Quando o Cristianismo apareceu estas
festividades estavam profundamente enraizadas nos costumes. Mais tarde foram
tolerados pela Igreja Católica, que determinou que o carnaval sempre ocorreria
sete semanas antes da páscoa. O Carnaval é colocado no calendário dependendo da
sexta feira santa (paixão), que corresponde à sexta-feira após a primeira lua
cheia depois de 21 de março.
Hoje, o carnaval continua fiel à sua
origem. Pior, pois foram acrescentadas as drogas, o uso exagerado de bebidas
alcoólicas e a sexualidade exagerada. Como dizem, tudo é permitido nos quatro
dias de folia. Com esta "alegria" toda na cabeça, imagine o que
fazemos, pois perdemos a principal ferramenta do nosso Espírito, a Razão. Os
Espíritos superiores nos ensinam que os Espíritos influenciam nosso pensamento
mais do que supomos. Imagine se perdêssemos a razão para discernir o certo do
errado!
No carnaval, enfim, tudo é válido pela
"Alegria". Traduzindo: tudo é válido pelos prazeres da matéria. É bom
pensarmos um pouco nisto: o que esta festa traz ao nosso Espírito? Alegria?
Divertimento? Cultura? Será que esta festa faz de nós homens ou mulheres
melhores? Edifica o nosso Espírito? Vivemos para a nossa vida presente que é
passageira ou para a nossa vida futura que é eterna?
No Brasil, o carnaval é, além de tudo,
um grande feriado. Para o brasileiro não há coisa melhor. Tudo justifica
feriado. Copa do mundo, olimpíadas, eleições, feriados religiosos etc. E isso
porque são apenas os católicos, pois se forem criados de outras religiões,
teríamos mais feriados do que dias de trabalho.
Pela Doutrina Espírita aprendemos que o
trabalho dignifica o homem. Na codificação encontramos que através do trabalho
desenvolvemos a inteligência e a convivência social faz com que desenvolvamos o
senso moral. Por isso o trabalho não mata ninguém. Muito pelo contrário, tira
os jovens das ruas, tira os desempregados da fome e até da criminalidade.
Existem alguns centros espíritas que
fecham suas portas nos feriados. Dizem que precisam descansar. Ou seja, uma
pessoa que precise de orientação, ou que esteja sofrendo de obsessão, se tiver
a infelicidade de ser em dia feriado vai ter que esperar para ser atendida.
Resta saber se existe feriado no mundo espiritual. Quando Jesus curava aos
sábados, quando o costume da época não permitia, disse: "Por que não posso
curar aos sábados se meu Pai trabalha sempre?".
Já que não temos como evitar os
feriados no nosso país, por que não aproveitamos para fazer algo que tenha
utilidade para nossa edificação? Como por exemplo, ler, visitar os doentes, trabalhar
em favor dos necessitados e outras tantas formas de sermos úteis à comunidade.
Sabemos que o verdadeiro alimento do Espírito não está nos prazeres mundanos e
provisórios e sim nos prazeres espirituais que são eternos. Jesus afirmava que
aquele que alimenta seu Espírito com os prazeres do mundo espiritual jamais
terá fome ou sede. Exercitemos essa prática salutar para que tenhamos algo a
apresentar quando chegar a hora.
Fonte: www.jhbaldin.com/espirita.htm
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