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Rubens Santini
Selecionamos as seguintes perguntas feitas por Kardec
aos Espíritos Superiores, à respeito do suicídio:
P-944: O homem tem o direito de dispor da
sua própria vida?
R: Não; somente Deus tem esse direito. O suicídio
voluntário é uma transgressão da Lei.
P-946: Que pensar do suicida que tem por
fim escapar às misérias e às decepções deste mundo?
R: Pobres Espíritos que não tiveram a coragem de
suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que não
têm forças, nem coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações.
Felizes os que suportam sem se queixar, porque serão recompensados!...
P-948: O suicida que tem por fim escapar à
vergonha de uma ação má é tão repreensível como o que é levado ao desespero?
R: O suicídio não apaga a falta. Pelo contrário, com
ele aparecem duas em lugar de uma. Quando se teve coragem de praticar o mal, é
preciso tê-la para sofrer as conseqüências. Deus é quem julga. E, segundo a
causa, pode às vezes diminuir o seu rigor.
P-949: O suicídio é perdoável quando tem
por fim impedir que a vergonha envolva os filhos ou a família?
R: Aquele que assim age não procede bem, mas acredita
que sim e Deus levará em conta a sua intenção, porque será uma expiação que a
si mesmo se impôs. Ele atenua a sua falta pela in-tenção, mas nem por isso
deixa de cometer uma falta. De resto, se abolirdes os abusos da vossa sociedade
e os vossos preconceitos, não tereis mais suicídios. Aquele que tira a própria
vida para fugir à vergonha de uma
ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque
vai entrar na vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado
dos meios de repará-los durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável
que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva em conta o nosso esforço
de reparação; mas suicídio nada repara.
P-956: Os que, não podendo suportar a
perda de pessoas queridas, se matam na esperança de se juntarem a elas, atingem
seus objetivos?
R: O resultado para elas é bastante diverso do que
esperam, pois em vez de se unirem ao objeto de sua afeição, dele se afastam por
mais tempo, porque Deus não pode recompensar um ato de covardia e o insulto que
Lhe ‚ lançado com a dúvida quanto à Sua providência. Eles pagarão esse instante
de loucura com aflições ainda maiores do que aqueles que quiseram abreviar, e
não terão para os compensar a satisfação que esperavam.
O drama de Camilo Castelo
Branco
“Eloqüente é também o epílogo do drama que foi a vida
do grande escritor português Camilo Castelo Branco.
Obsidiado, pessimista, médium que jamais deu valor ou
prestou atenção às suas faculdades mediúnicas, nem mesmo aos notáveis fenômenos
ocorridos na sua desregrada existência, ele próprio preparou o seu triste fim.
Dispondo de grande cultura, um tanto habituado aos
trambolhões da vida, que ele nunca soube bem viver, velho hepático e não menos
dispéptico, foi atingido por um mal de olhos que o levou gradativamente às
fronteiras da cegueira completa.
Sempre esperançado de melhoras ou cura, foi passando
o tempo, até conseguir consultar-se com um abalizado especialista, que o foi
examinar na própria residência e de que esperava a última palavra decisiva
sobre o mal. Isso em junho de l890. Tratava-se de um caso perdido, de irremediável
cegueira. Ouvindo a terrível revelação, Camilo Castelo Branco, que já pensava
diversas vezes em suicídio, deu um tiro na cabeça meses depois.
Eis sua carta de despedida:
“Em 26 de novembro de l890.
10 horas da noite.
Os inenarráveis padecimentos que se vão complicando todos os
dias levam-me ao suicídio - único remédio que lhes posso dar. Rodeado de
infelicidades de espécie moral, sendo a primeira insânia de meu filho Jorge, e
a segunda os desatinos de meu filho Nuno, nada tenho a que me ampare nas
consolações de família. A mãe desses dois desgraçados não promete longa vida; e
se eu pudesse arrastar minha existência até ver Ana Plácida morta,
infalivelmente eu me suicidaria. Não deixarei cair sobre mim essa enorme
desventura - a maior, a incompreensível à minha grande compreensão da desgraça.
Esta deliberação de me suicidar vem de longe, como um pressentimento. Previ,
desde os trinta anos, este fim. Receio que, chegando o supremo momento, não
tenha firmeza de espirito para traçar estas linhas. Antecipo-me à hora final.
Quem puder ter a intuição das minhas dores, não me lastime. A minha vida foi
tão extraordinariamente infeliz que não podia acabar como a da maioria dos
desgraçados. Quando se ler este papel, eu estarei gozando a primeira hora do
repouso. Não deixo nada. Deixo um exemplo. Este abismo a que me atirei ‚ o
“terminus” da vereda viciosa por onde as fatalidades me encaminharam. Seja bom
e virtuoso quem o puder ser”.
Mergulhado por esse trevoso salto no insondável
abismo do suicídio, o incauto e orgulhoso literato, defrontou-se com as
terríveis e irrecorríveis realidades do Além-Túmulo, onde o Espírito se choca
com a muralha inderrocável das leis eternas que regem a verdadeira vida.
Longe de encontrar o repouso que vaidosamente a si
próprio anunciara e prometera, o pobre escritor encontrou sofrimento, remorso,
dores, cárcere de visões aterradoras, um cenário de expiações dolorosas.”
O Vale dos Suicidas
“...região composta por vales profundos, com
gargantas sinuosas e cavernas sinistras, no interior dos quais uivavam demônios
enfurecidos, Espíritos que foram homens dementados pela intensidade e
estranheza, verdadeiramente inconcebíveis, dos sofrimentos que os martirizavam.
O solo coberto de matérias enegrecidos e fétidos, lembrando a fuligem, sendo
imundo, pastoso, escorregadio e repugnante. O ar é pesadíssimo, asfixiante,
gelado, coberto por um forte nevoeiro. Os Espíritos que ali habitavam vivem
sufocados como se matérias pulverizadas, nocivas mais do que a cinza e o cal
lhes invadissem as vias respiratórias. Os raios solares jamais chegam a esse
lugar. É um local onde não existem paz, consolo e a esperança. Tudo é marcado
pela desgraça, miséria, assombro, desespero e horror. Quem ali habita são
grandes vultos do crime e falanges de suicidas. (...)
De outras vezes, tateando nas sombras, lá íamos, por
entre gargantas, vielas e becos, sem lograrmos indícios de saída... Cavernas,
sempre cavernas - todas numeradas -; ou longos espaços pantanosos quais lagos
lodosos circulados de muralhas abruptas, que nos afiguravam levantadas em pedra
e ferro, como se fôramos sepultados vivos nas profundas tenebrosidades de algum
vulcão! Era um labirinto onde nos perdíamos sem podermos jamais alcançar o fim!
Por vezes acontecia não sabermos retornar ao ponto de partida, isto é, às
cavernas que nos serviam de domicilio, o que forçava a permanência ao relento
até que deparássemos algum covil desabitado para outra vez nos abrigarmos.
Nossa mais vulgar impressão era de que nos encontrávamos encarcerados no
sub-solo, em presídio cavado no seio da Terra, quem sabia se nas entranhas de
uma cordilheira, da qual fizesse parte também algum vulcão extinto, como
pareciam atestar aqueles imensuráveis poços de lama com paredes escalavradas
lembrando minerais pesados?! (...)
Cada um de nós, no Vale Sinistro, vibrando
violentamente e retendo com as forças mentais o momento atroz em que nos
suicidamos, criávamos os cenários e respectivas cenas que vivêramos em nossos
derradeiros momentos de homens terrestres. Tais cenas, refletidas ao redor de
cada um, levavam a confusão à localidade, espalhavam tragédia e inferno por
toda a parte, seviciando de aflições superlativas os desgraçados prisioneiros.
Assim era que se deparavam, aqui e ali, forcas erguidas, balançando o corpo do
próprio suicida, que evocava a hora em que se precipitara na morte voluntária.
Veículos variados, assim como comboios fumegantes e rápidos, colhiam e
trituravam, sob suas rodas, míseros transloucados que buscavam matar o próprio
corpo por esse meio execrável, os quais, agora, com a mente “impregnada” do
momento sinistro, retratavam sem cessar o episódio, pondo à visão dos
companheiros afins suas hediondas recordações! Rios caudalosos e mesmo trechos
alongados de oceano, surgiam repentinamente no meio daquelas vielas sombrias: -
era meia dúzia de réprobos que passava enlouquecida, deixando à mostra cenas de
afogamento, por arrastarem na mente conflagrada a trágica lembrança de quando
se atiraram às suas águas!... Homens e mulheres transitavam desesperados: uns
ensangüentados, outros estorcendo-se no suplício das dores pelo envenenamento,
e, o que era pior, deixando à mostra o reflexo das entranhas carnais corroídas
pelo tóxico ingerido, enquanto outros mais, incendiados, a gritarem por socorro
em correrias insensatas, traziam pânico ainda maior entre os companheiros de
desgraça, os quais receavam queimar-se ao seu contacto, todos possuídos de
loucura coletiva! E coroando a profundeza e intensidade desses inimagináveis
martírios — as penas morais: os remorsos, as saudades dos seres amados, dos
quais não tinham mais notícias, os mesmos dissabores que haviam dado causa ao
desespero e que persistiam em afligir!... E as penas físico-materiais: a fome,
o frio, a sede, exigências fisiológicas em geral, torturantes, irritantes,
desesperadoras! a fadiga, a insônia depressora, a fraqueza, o delírio!”
Suicida não é obsessor
“Suicida não é obsessor, é um doente necessitado que
as Casas Espíritas devem tratá-lo com respeito; que eles recebam de Deus e
Jesus cuidados mais que especial; que o homem precisa prevenir-se contra o
suicídio, pois dias virão em que irão aumentar, por causa da fome, do
desespero, da droga, da miséria, do abandono, dos vícios e da traição.
O Brasil é um país onde o número de suicídios ainda é
baixo, mas se não contivermos o desemprego, a miséria e a fome, ele ser á
daqui algum tempo o campeão mundial de suicídio. Os Espíritas precisam
urgentemente orientar a população com folhetos nos logradouros públicos,
falando e orientando sobre o suicídio. O homem deve ficar ciente de que não
existe a morte e que ninguém é dono de seu corpo; a veste física é um
empréstimo da natureza e teremos de devolvê-la um dia, queira Deus intacta.
Ninguém pode rasgá-la, nem violentá-la, ela é obra divina emprestada para
permanecermos na Terra. O homem não se conhece. No dia em que ele se preocupar
com seu corpo, ganhará paz, pois se sentirá no seu ombro o peso da
responsabilidade e sorrirá feliz por se sentir eterno. A ignorância e a falta
de fé levam ao suicídio. O corpo físico é um veículo indispensável para se
transitar no plano terreno; destruí-lo é retardar a chegada aos braços de Deus.
O suicida sofre antes, durante e depois do ato impensado, pois leva a dor como
bagagem. Nossas preces e o nosso respeito são bálsamos para o seu sofrimento.
Gostaria que toda a humanidade se conscientizasse do valor da oração aos suicidas,
o quanto eles são beneficiados através das nossas preces. (...)
Ele sofre ante do suicídio por estar enfrentando
muitas vezes imensa dor, e qual não é sua surpresa quando, com o ato, sente
seus padecimentos se agravarem. Nas primeiras horas em que ele percebe que não
conseguiu morrer, e continua preso à dor moral e à física, sente-se confuso
porque está vivo, o sangue jorrando, a ferida doendo e ele ali, inteiro. Embora
tenha adormecido por segundos, o despertar é cruel. O enterro, a arma, o povo
falando, e ele ali, junto ao corpo físico; o ar lhe falta, o odor é fétido;
busca a ferida, ela é sangrenta e dolorida. Agora sofre, além da dor moral, e
ainda mais, a dor física. Depois do suicídio, busca outra vez a morte e, em
desespero, constata que aumentou a sua dor. Muitas vezes o suicida não larga o
corpo físico e, junto às vísceras putrefatas, não compreende por que cheira
mal, e conclui que o túmulo agora ‚ sua prisão; antes era a tristeza. Quando
consegue se ver livre da cova, leva-a gravada na mente. É a dor, o desespero de
um suicida. Como ignorá-lo? Como condenar um irmão em sofrimento? O mais
acertado a fazer é orar por ele, abraçá-lo nas nossa preces para que se renove
e encontre a paz.”
Tatiana - um amor dividido
“Julgava eu que agora nos dirigíamos para o Vale do
Brilho, em busca de Celso e do Gino, mas logo compreendi o porque do Rayto no
vale se encontrar: ele buscava uma garota de seus treze anos que se debatia em
convulsões: havia desencarnado ingerindo vários comprimidos. Ao nos aproximar-mos,
percebemos que Tatiana, mesmo com o seu corpo perispiritual bem distante do
cemitério, sentia tudo o que se passava com o seu corpo físico em decomposição;
estava solidamente unida a ele pelas leis naturais da afinidade, que a morte
forçada não destrói. O espírito eterno e sua veste perispiritual permaneciam
ligados ao corpo físico chagado pelos vermes; e o espírito de Tatiana sofria em
desespero este martírio.
- Mas ela‚ uma
criança! O que a levou a isso? indaguei.
- Os pais, respondeu
Karina.
- O quê? Os pais?
- Sim. Tatiana foi
criada com um amor incontrolável dos pais, Celina e Clodoaldo, recebendo
educação esmerada e ganhando tudo o que desejava. Mas veio a separação dos dois
e com ela iniciou-se o descontrole da garota, começando sua agressividade, para
chamar a atenção dos pais. Depois, sentiu-se dividida, não sabia a qual deles
agradar. Se se demorava junto da mãe, Clodoaldo reclamava, dando-se o mesmo que
com Celina. No meio desse desajuste, só encontrou um caminho: a morte.
Lá estava ela, a criança disputada como um objeto e
não amada. Diz Francisca Theresa: “o ciúme é um amor sem asa”. Aquele casal
matou os sonhos e a esperança de sua filha. Agora, jogada ali, nossa Tatiana
debatia-se num mar de sofrimento. Enoque a tomou no colo para levá-la. O seu
olhar, antes de pânico, logo se acalmou ao fitar o semblante do oriental.
Cerrou os olhos e suspirou. Sem uma palavra, nós o seguíamos. Ao chegar à porta
de uma das tendas, foi recebida pelo Irmão Ângelo e este companheiro deitou
Tatiana em uma cama toda banhada de azul. Ele iniciou o tratamento da garota.
Primeiro tentou limpar a sua mente - nela estava impregnado o momento dramático
que retratava, sem parar, o episódio. Notamos que no corpo espiritual se
encontravam fragmentos do cordão luminoso, arrebentado, à semelhança de fios
elétricos despedaçados, dispersando os fluidos que a equipe ia logo
organizando. Esses fluidos foram trabalhados pelos médicos, pois neles estava o
desequilíbrio do espírito de Tatiana.
Observei atentamente aqueles fios despedaçados e
compreendi a importância dos fios magnéticos para um espírito, são eles que
ligam o espírito à matéria física e lhe oferecem a vida. Na morte natural, ele
é desatado com amor por equipes divinas. Com o suicídio, ele é partido e não
desatado, violentamente arrancado, estraçalhado, quando ainda está com toda
força magnética. É nele que estão concentrados os fluidos vitais para uma longa
vida terráquea. Não é Deus que castiga um suicida, é ele mesmo o que mata suas
oportunidades de vida; ao explodir o cordão fluídico ele está destruindo a asa
que o alçaria ao mundo espiritual sem as dores da matéria. Ao desatar o nó do
cordão fluídico, a equipe divina dá condição ao espírito de decolar. E ele se
vê livre da matéria. No suicídio inconsciente, ou no consciente, o laço não se
desfaz, rompe-se, e a separação não se processa facilmente. Com a morte clínica
do corpo físico, neste mesmo corpo torna-se para o espírito uma cruz de ferro
que pesa e fere, mas que o suicida terá de suportar por um bom tempo.
A jovem sofria, pois na sua mente estavam bem vivos
ainda os últimos acontecimentos terrenos: a morte, o enterro, o túmulo e o
corpo em decomposição. Sentia a dor e o asfixiamento da tumba fechada. Tatiana,
dos braços do Rayto, passou para uma confortável cama onde se iniciou o
trata-mento, sendo submetida a vários exames. O estômago foi recebendo
cuidados, depois tomou um banho de ervas medicinais e, logo após, seu corpo foi
alvo de tratamento com os mais modernos aparelhos, que me pareceram
cauterizadores.
Tatiana fora socorrida, mas outros ali no Vale
ficaram. Oramos por todos, pedindo que cada um busque o tratamento divino.”
Fuga comprometedora
“Sem dúvida, a mais trágica de todas as
circunstâncias que envolvem a morte, de conseqüências devastadoras para o
desencarnante, é o suicídio. Longe de enquadrar-se como expiação ou provação,
no cumprimento de desígnios divinos, o auto-aniquilamento situa-se por
desastrada fuga, uma porta falsa em que o individuo, julgando-se libertar-se de
seus males, precipita-se em situação pior.
“O maior sofrimento da Terra não se compara ao nosso”
dizem, invariavelmente, suicidas que se manifestam em reuniões mediúnicas.
Tormentos indescritíveis desabam sobre eles a partir
da consumação do gesto lamentável. Precipitados violentamente na
Espiritualidade, em plena vitalidade física, revivem, ininterruptamente, por
largo tempo, as dores e emoções dos últimos instantes, confinados em regiões
tenebrosas onde, segundo a expressão evangélica, “há choro e ranger de dentes”.
Um dos grandes problemas do suicida ‚ o lesionamento
do corpo perispiritual. Aqueles que morrem de forma violenta, em circunstâncias
alheias à sua vontade, registram no perispírito marcas e impressões
relacionadas com o tipo de desencarne que sofreram. São, entretanto,
passageiras e tenderão a desaparecer tão logo ocorra sua plena reintegração na
vida espiritual.
O mesmo não ocorre com o suicida, que exibe na organização
perispiritual ferimentos correspondentes à agressão cometida contra o corpo
físico. Se deu um tiro no cérebro terá grave lesão na região correspondente; se
ingeriu soda cáustica experimentará extensa ulceração à altura do aparelho
digestivo; se atirou-se diante de um trem exibirá traumas generalizados.
Tais efeitos, que contribuem em grande parte para os
sofrimentos do suicida, exigem, geralmente, um contato com nova estrutura
carnal, na experiência reencarnatória, para serem superados. E fatalmente se
refletirão nela. O tiro no cérebro originará dificuldades de raciocínio; a soda
cáustica implicará em graves deficiências no aparelho digestivo; o impacto
violento sob as rodas do trem ensejará complexos quadros neurológicos...
Como ocorre em todos os casos de morte violenta, o
suicida experimentará inevitável agravamento de seu padecimentos na medida em
que a família mergulhe no desespero e na inconformação, exacerbados, não raro,
por complexos de culpa.
“Ah! Se tivéssemos agido diferente! Se lhe déssemos
mais atenção! Se procurássemos compreendê-lo!”
Inútil conjecturar em torno de fato consumado. Diante
de um ferido, em grave e inesperado desastre, seria contraproducente estarmos a
imaginar que poderia não ter acontecido se agíssemos diferente. Aconteceu! Não
pode ser mudado! Imperioso manter o equilíbrio e cuidar do paciente.
O mesmo ocorre com o suicida. Ele precisa,
urgentemente de auxilio. Indispensável que reajamos ao desespero e cultivemos a
oração. Esta é o bálsamo confortador, o alento novo para seus padecimentos no
Além, o grande recurso capaz de reerguê-lo.
E se nos parece desalentador atentar às prolongadas e
penosas experiências do companheiro que partiu voluntariamente, consideremos
que seus sofrimentos não serão inúteis.
Representarão para ele um severo aprendizado, amadurecendo-o e
habilitando-o a respeitar a Vida e a voltar-se para Deus.”
O sofrimento pós-morte
O verdadeiro sofrimento começa no momento do
suicídio. Todas as narrativas das vítimas são unânimes nas descrições das dores
ligadas ao gênero de morte escolhida:
Por veneno corrosivo: sensação fortíssima de queimadura
destruindo todo o esôfago, o estômago e os intestinos.
Por projétil de arma de fogo na
região da cabeça: a
dor do ferimento é permanente, impedindo o raciocínio, onde o sangue fica
jorrando o tempo todo.
Por afogamento: asfixia, falta de ar, a ânsia
desesperada de respirar.
Por enforcamento: a Entidade revive, no Plano
Espiritual, os mesmos sintomas ligados ao afogamento e, ao mesmo tempo, como em
todos os casos citados, fica revivendo o momento da morte repetidas vezes.
Nesse caso, fica tentando se livrar da corda que colocou no pescoço, para ver
se consegue respirar melhor, livrando-o da asfixia.
Tudo isto porque a mente edifica e produz. O
pensamento é criador, e portanto fabrica, corporifica, retém imagens por si
mesmo engendradas, realiza o que passou e, com poderosas garras, conserva-o no
presente até quando desejar. O suplício toma vulto maior no pensamento. O
Espírito perde a noção do tempo e tem a impressão de que vai sofrer
eternamente.
Conseqüências para uma futura reencarnação
“O Espírito de um suicida voltará a novo corpo
terreno em condições muito penosas de sofrimento, agravados pelas resultantes
do grande desequilíbrio que o desesperado gesto provocou em seu corpo astral,
isto é, no perispírito. E para o seu próprio benefício, terá que repetir o
programa terreno que deixou de executar. (...)
Na Espiritualidade raramente o suicida permanecerá
durante muito tempo. Em alguns casos, os considerados mais graves são
encaminhados para a reencarnação imediata, onde completará o tempo que lhe
faltava para o término da existência que cortou. Conquanto muito dolorosas,
mesmo anormais, tais reencarnações serão preferíveis às desesperações de
além-túmulo, evitando grande perda de tempo ao paciente. Veremos então homens
deformados, mudos, surdos, com problemas mentais,... É um caso de vibrações,
tão somente. O perispírito não teve forças vibratórias para modelar a nova
forma corpórea, a despeito do auxilio recebido dos técnicos do mundo invisível.
Assim, concluirão o tempo que lhes faltava para o compromisso da existência
prematuramente cortada, corrigirão os distúrbios vibratórios e, logicamente,
sentir-se-ão aliviados”.
Suicídio: A covardia moral
“A calma e a resignação, hauridas na maneira de
encarar a vida terrestre e na fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que
é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. (...)
Aquele que está certo de não ser infeliz senão por um
dia, e de serem melhores os dias seguintes, tem facilmente paciência; ele só se
desespera se não vê termo para seus sofrimentos. Que é, pois, a vida humana em
relação à eternidade, senão bem menos que um dia? Mas para aquele que não crê
na eternidade, que crê que tudo nele se acaba com a vida, se está oprimido pelo
desgosto e pelo infortúnio, não vê seu termo senão na morte; não esperando
nada, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar suas misérias pelo
suicídio.
A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as idéias
materialistas, numa palavra, são os maiores excitantes ao suicídio: elas dão a covardia moral”.
"O martírio dos suicidas" - Almerindo
Martins de Castro.
Obs: Camilo Castelo Branco testemunhou sua vida
além-túmulo à médium Yvonne Pereira em "Memórias de um Suicida"
"Memórias de um suicida" - de Camilo
Castelo Branco, ditado à Yvonne Pereira.
"Driblando a dor" - Luis Sérgio através de
Irene Pacheco Machado
"Driblando a dor" - Luis Sérgio através de
Irene Pacheco Machado
"Quem tem medo da morte" - Richard
Simonetti.
"Memórias de um suicida" - ditado pelo
Espirito de Camilo Castelo Branco à médium Yvonne Pereira
"Evangelho Segundo o Espiritismo" - Allan
Kardec
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