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Nelson Moraes
Com os inegáveis
avanços da ciência, o homem, em seus arroubos de grandeza, gasta valiosos
recursos tentando ampliar seu domínio ao espaço cósmico, sem ao menos ter
aprendido a viver no diminuto espaço que ocupa na sociedade onde convive com o
seu semelhante.
Cada presídio construído no mundo comprova essa realidade, atestando o grau de
ignorância em que ainda se encontra o homem na Terra. Não falamos da ignorância
cultural ou inocente, mas da mais grave de todas as ignorâncias que predomina
não só entre os incultos, mas principalmente nos meios ditos esclarecidos.
A tecnologia encurtou distâncias e ampliou as comunicações, proporcionando ao homem
tomar conhecimento em poucos instantes de tudo o que acontece no mundo. Entretanto,
com todos esses recursos, por incrível que pareça, a grande maioria dos homens
ainda continua ignorante da sua real natureza e da verdadeira finalidade da
vida.
É essa a ignorância que contribui para o aumento da criminalidade e o
crescimento constante da população carcerária em todo o mundo. Se analisarmos o
problema da criminalidade de forma um pouco mais profunda, vamos perceber que,
na verdade, não existem criminosos, o que existe são dois tipos de vítimas
dessa ignorância: a vítima passiva e a vítima ativa.
Os violentos, os desonestos, os corruptos, e os criminosos de toda sorte são as
vítimas ativas que, sem compreenderem o verdadeiro significado da vida,
acham-se no direito de tomar para si o que não conseguiram conquistar pelos
meios adequados e justos. Vítimas da própria ignorância, serão julgados no
tribunal da própria consciência onde o remorso os condenará a duras penas que
poderão representar séculos de sofrimentos até que, como vítimas da violência
que usaram hoje, resgatem seus crimes no futuro. Por outro lado, menos
doloroso, nossos irmãos que sucumbiram como vítimas passivas, provavelmente,
são criminosos de outrora que retornaram ao mundo físico para resgatarem a
consciência atormentada pelos crimes cometidos em encarnações passadas. Como
vítimas hoje, retornaram ao mundo espiritual aliviados em suas consciências.
Aqueles que sofreram da violência apenas prejuízos morais, materiais ou
físicos, com certeza, submeteram-se a provações que, se compreendidas, servirão
de lastro para grandes conquistas na renovação dos seus sentimentos, resgatando
os equívocos cometidos no pretérito.
Analisando as duas situações, percebe-se que o ser humano, em qualquer
circunstância, é sempre uma vítima de si mesmo e da sua ignorância; além disso,
o mal que pratica acaba servindo aos propósitos divinos no cumprimento das suas
leis sábias e justas que punem os criminosos de ontem, através dos criminosos
de hoje. Todos são dignos da nossa compreensão!
Até que consigamos superar esse período de ignorância espiritual em que vive a
maioria dos seres encarnados, os cárceres, os hospitais e os manicômios estarão
sempre lotados.
Não quero, sob esse argumento, isentar da culpa aqueles que optaram pelos
caminhos do crime, mas apenas chamar a atenção a um sentimento que, estimulado
pela mídia, parece se generalizar na grande maioria das mentes desprevenidas.
Trata-se da idéia de que os criminosos são seres à parte do contexto social e
incapazes de qualquer recuperação.
Não podemos generalizar e nem tão pouco esquecer de que, há menos de cento e cinqüenta
anos, as leis humanas permitiam a muitos de nós, reencarnados naquela época,
dar os filhos recém-nascidos dos nossos escravos como alimento aos cães e aos
porcos e até matar os adultos nos troncos, sob o guante infame da chibata, além
de nos permitir praticar abusos inconfessáveis contra as mulheres cativas.
Apesar disso, não nos tornamos criminosos perante as leis da Terra, mas ferimos
profundamente as leis naturais e as leis divinas. É por esse motivo que jamais
devemos julgar ou condenar quem quer que seja. Talvez os erros que apontamos no
nosso próximo sejam aqueles que mais praticamos no passado. Hoje entendemos por
que Jesus desafiou a turba sequiosa pela condenação, afirmando: "Atire a
primeira pedra quem não tiver pecado".
As pessoas habituadas ao perdão sofrem menos do que aqueles que ainda se deixam
envolver pela idéia de que perdoar irrestritamente é abdicar dos próprios
direitos supostamente conferidos pelas leis humanas. Com isso, arrastam-se
durante uma vida duelando mentalmente ou juridicamente em uma luta inglória que
culminará somente com perdedores perante as leis naturais da vida.
Os movimentos que alguns realizam para agravar as penas sobre os infelizes que
optaram pelo crime, quase sempre, nasceram do sentimento de vingança e de ódio
daqueles que tiveram seus interesses ou entes queridos feridos pela violência,
que não é causa, mas sim um efeito gerado por uma sociedade que ajudamos a
construir.
Se, diante de tais fatos, percebemos claramente a importância do perdão até
para com os criminosos do mundo, imaginemos a importância do perdão entre
aqueles que estão ligados a nós pelos laços consangüíneos ou por um parentesco
indireto, submetendo-nos, por força das circunstâncias, a uma convivência útil
e necessária.
No decorrer dos fatos aqui relatados, o leitor vai descobrir que, em certos
momentos da nossa vida, sofremos muitos dissabores desnecessários por não
termos aprendido a exercitar o perdão.
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