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Roberto Mumme
O amplo espectro e a
sutilidade dos fenômenos anímicos e mediúnicos podem nos levar a confundir
alguns princípios.
Vamos entender o que é mediunidade no seu sentido mais amplo:
Mediunidade é um compromisso concedido ao espírito reencarnante, para que
através desta faculdade possa reconstruir seu pretérito. Outro beneficio ainda
é um chamamento para o despertar da melhora das qualidades que são inerentes ao
ser humano.
O fenômeno mediúnico acontece quando um encarnado se coloca na posição de colaborador
de um espírito desencarnado, cedendo-lhe, nem sempre voluntariamente o comando
temporário do seu corpo físico, via perispírito, afim de que o ser desencarnado
que não dispõe de corpo físico possa comunicar-se com os encarnados.
Os fenômenos anímicos são produzidos pelo espírito do próprio encarnado, ainda
que com a contribuição ou ainda suporte dos espíritos desencarnados.
Para melhor entendimento desses fenômenos, embora vivamos em uma só realidade,
a vida, e suas leis físicas e morais que a regem, vamos dividir essa realidade
em dois aspectos, para mais clara exposição desse fenômeno, em Realidade Física
e Realidade Espiritual.
Tomamos a Realidade Física, o equivalente aos nossos hábitos, visão, tato,
olfato e paladar. Hoje não podemos ignorar a existência da Realidade Espiritual
e que transcendem à Realidade Física, ficando fora dos limites habituais dos
nossos sentidos.
Fica claro para mim, que os encarnados vivem dentro das limitações de um
espírito ligado a um corpo físico. Então a Realidade Espiritual é uma compacta
soma de vibrações; imagens, sons, movimentos, emoções, sensações e vida
paralela à realidade física sem jamais se confundirem ou se misturarem.
Vamos chamar de sensitivos, os que têm uma percepção da realidade espiritual,
pois possuem mesmo que momentaneamente sensibilidades mais apuradas, entendendo
que não serão nem melhores e nem piores e sim momentaneamente diferentes.
O fenômeno anímico é a visão ou percepção da Realidade Espiritual para quem está
condicionado a Realidade Física.
O fenômeno mediúnico só existe quando o sensitivo funciona como intermediário
entre espíritos e seres humanos, nos demais casos é ele apenas uma pessoa
dotada de certas sensibilidades para perceber o que se passa na Realidade
Espiritual, que aos demais encarnados é imperceptível.
Vamos seguir com este entendimento passeando pelas definições que Kardec nos deixou:
Médiuns
Intuitivos: a transmissão do pensamento ocorre também por intermédio do
espírito do médium, ou melhor, de sua alma, uma vez que designaremos sob esse nome,
o espírito encarnado O espírito estranho, nesse caso não atua sobre a mão para
fazê-la escrever; não a toma, não a guia, ele age sobre a alma com a qual se
identifica. A alma sobre este impulso dirige a mão e a mão dirige o lápis.
Denotamos que aqui uma coisa importante a se saber; é que o espírito estranho
não substitui à alma, porque não poderia deslocá-la; domina sem que saiba, e
lhe imprime sua vontade....(Livro dos Médiuns cap XV item 180)
Médiuns Inspirados: Toda a pessoa que recebe, seja no estado normal, seja no
estado de êxtase, pelo pensamento, comunicações estranhas a suas idéias
pré-concebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados, como se
vê uma variedade da mediunidade intuitiva com a diferença de que a intervenção
de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao inspirado,
ainda é mais fácil distinguir o pensamento próprio do que lhe é
sugerido....(Livro dos Médiuns cap XV item 182)
Podemos perceber que a definição colocada por Kardec sempre nos dá um sentido
de continuidade e que a mediunidade pré-estabelecida está ligada à preparação
do Espírito a reencarnar com a condição de levar o conhecimento e melhorias aos
demais encarnados, atentemos para isso no exemplo abaixo:
Os homens de gênio em todos os gêneros, artistas, sábios, literatos, são sem
duvida espíritos avançados capazes por si mesmos compreenderem e ou conceber
grandes coisas. Ora, precisamente porque são julgados capazes, que os Espíritos
que querem o cumprimento de certos trabalhos, lhe surgiram as idéias
necessárias, é assim que eles, as mais das vezes, são médiuns sem saberem. ...
(Livro dos Médiuns cap XV item 183). Neste mesmo item podemos
ver outros questionamentos como se segue:
Qual é a causa da inspiração?
O Espírito que se comunica pelo pensamento.
A inspiração não tem por objeto se não a revelação das grandes coisas?
Não, a inspiração se verifica, muitas vezes, com relação às mais comuns
circunstâncias da vida. Por exemplo, queres ir a alguma parte: uma voz secreta
te diz que não o faças, porque correrá perigo; ou, então, te diz que faças uma
coisa em que não pensavas. É a inspiração.
Nesse mesmo item ainda, temos um questionamento se os pintores e músicos poderiam
nesses momentos de inspiração (lembrando serem capazes de compreenderem por si
só ou conceberem grandes coisas) podem ser considerados médiuns devido o
desprendimento do Espírito tornando-se mais livre da matéria tendo assim a
oportunidade de recobrar uma faculdade e receber as impressões ou comunicações
de outros Espíritos que o inspiram. Novamente vemos nos exemplos que Kardec
cita, a continuidade e a relação de serviço ao próximo e não com benefícios
próprios, quando diz médium.
Com essas apreciações e cuidados ao entendermos as sutilezas das definições, devemos
recordar que a Espiritualidade nos fala sobre a mediunidade como uma forma de
prestarmos a caridade, facultando a sublimação das provas e pela renuncia das
paixões e "Dar de graça, o que de graça recebemos".
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