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Parece-me, antes de tudo, que para avaliar as mensagens de meu filho
recebidas durante estes dois anos, devo formar uma opinião geral sobre os
fenômenos parapsicológicos, especialmente, das características dos que me dizem
respeito diretamente.
Até o desaparecimento de André e o encontro com o padre carmelita do qual
falei, eu ignorava completamente esse tipo de fenômenos dos quais tinha uma
opinião negativa e preconceituosa, profundamente arraigada.
Só após os acontecimentos acima descritos, nasceu em mim o interesse de
aprofundar o assunto.
Baseado nos conhecimentos adquiridos até agora, posso fazer as reflexões que se
seguem e que são - insisto - absolutamente pessoais. Muitos desses efeitos são
produzidos por forças físicas desconhecidas. Acredito estarem nessa categoria a
mesa que gira, os fenômenos de levitação em geral, o metal que se dobra com a
força do pensamento, o quadro que roda sobre si, até os objetos que passam
através das paredes, a materialização de objetos vários, e assim por diante.
Também a aparição de fantasmas, inteiros ou parciais, pode ser colocada nessa
categoria.
Até agora, não conhecemos a lei física que provoca tais fenômenos nem sabemos
como colocá-la em ação.
A crença popular diz que essas forças físicas, desconhecidas dos seres humanos,
são ativadas por seres não-viventes mais poderosos do que nós.
Embora não se possa excluir essa hipótese, acredita-se ser o próprio vivente
que produz, mesmo que inconscientemente, essas forças, sempre que - é claro -
esteja predisposto a tal. Em alguns casos, como no dobrar metais, deve-se
considerar a hipótese já demonstrada. Em outros casos, ela se apresenta de
maneira menos evidente; em outros mais, ela parece extremamente difícil de
explicar.
Há, porém, outra categoria de fenômenos excluídos dessa colocação. Trata-se
daqueles cuja manifestação paranormal aparece secundada por uma ação
inteligente.
De fato, quando um fenômeno pressupõe um raciocínio, a expressão de um trecho,
uma contestação, uma resposta ligada logicamente a uma pergunta, a formulação
de idéias mais ou menos profundas, isto, com certeza, não pode ser simples
efeito de uma força física, mas fruto da inteligência humana.
Classifica-se nesta categoria o caso do operário que, sem nunca ter sido
pintor, se põe diante de uma tela e, sem saber o que vai pintar, acaba compondo
um objeto para ele desconhecido e fora do alcance de sua cultura.
Nessa categoria entra também o caso de D. Anita que, diante de perguntas
diversas, freqüentemente difíceis, recebe respostas que são sempre o resultado
de um raciocínio e sempre com referência à pergunta respectiva, de maneira
absolutamente coerente e lógica, e, muitíssimas vezes, até de forma
surpreendentemente inteligente.
Excluindo os caos de simulação aberta por parte do sujeito, por lucro ou por
desejo de publicidade, também nessa segunda categoria de fenômenos a fonte pode
ser humana. O fenômeno pode ser efeito do próprio subconsciente do médium, ou,
então, este pode captar telepaticamente as informações dos presentes.
Há casos em que tal hipótese é muito difícil de ser aceita, quando não
impossível.
Muitos estudiosos admitem que as respostas recebidas pelo médium são
manifestações de entes distintos do mediu, especialmente de falecidos.
O fenômeno é considerado possível até no catolicismo. Na dogmática católica há,
de fato, antes de tudo, o princípio da imortalidade da alma e o da Comunhão dos
Santos, ou seja, a existência de uma interligação com a Igreja militante - nós,
viventes na Terra - e os nossos falecidos da Igreja triunfante ou da Igreja
purgante.
Com esta certeza dogmática rezamos em favor de nossos defuntos (Igreja
purgante) ou pedimos a eles, se canonizados (Igreja triunfante), ajuda para a
nossa vida material e espiritual.
Acreditamos, como católicos, na eficácia da oração desde que feita com fé
constante e fervorosa e dirigida para o bem espiritual ou do próximo. Não é
impossível, portanto, que Deus, destinatário supremo de qualquer oração, possa
acolhê-la, mesmo que de forma excepcional.
Há também a possibilidade - assim nos ensina a dogmática católica - de que as
forças negativas, constituídas pelos anjos rebeldes a Deus, possam comunicar-se
com os viventes. Há, analogamente, na Bíblia e na história da Igreja, vários
exemplos de intervenções na vida humana, também de espíritos eleitos, os Anjos
que, em algumas circunstâncias especiais, apareceram aos viventes e não é
necessário citá-los.
Segundo o catolicismo, portanto, parece-me perfeitamente ortodoxa a
possibilidade de contatos entre vivos e mortos, especialmente quando isso faz
parte de um plano divino.
(Texto extraído do livro O Além Existe, Testemunho Extraordinário Rigorosamente
Documentado, de Lino Sardos Albertini, São Paulo, Edições Loyola, 1989, págs.
65 a 67).
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