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À Igreja, a meu ver, agrada que a
verdade anunciada por Jesus Cristo receba hoje, num mundo secularizado, novas
confirmações por meio de fatos e provas concretas, aptos a despertar o
interesse dos indiferentes e dos agnósticos que, sem ele, dificilmente
compreenderiam o valor das motivações mais interiores e profundas da Fé.
Entre os sinais e os indícios, já
indicados pelos Santos Padres, de uma vida no Além, em primeiro lugar se
apresentam alguns fenômenos paranormais espontâneos, isto é, não-mediúnicos,
como as bilocações de viventes e as aparições de mortos (inumeráveis as dos
santos). Esses fenômenos, se forem enriquecidos de credibilidade testemunhal e
conexos com acontecimentos objetivos (revelações de acontecimentos
desconhecidos ou futuros e, em seguida, realizados, curas instantâneas etc.),
oferecem um precioso e convincente convite ao homem moderno: aceitar a Fé, como
tive oportunidade de ilustrar num livro recente (G. Martinetti, La vita fuori
Del corpo, Elle Di Ci, Turim, 1986), do qual estou preparando a segunda edição,
com acréscimos de muitos fatos históricos e contemporâneos.
Uma segunda categoria de fenômenos em
favor do Além nós é dada pelas comunicações mediúnicas, que constituem um campo
delicado e perigoso como a Igreja muitas vezes o declarou, fundando-se na
Bíblia.
A Bíblia condena a necromancia (tipo
particular de comunicação com presumíveis falecidos, conforme o costume das
culturas tribais, mas não ausente nos nossos países), por causa de suas
estreitas relações com as religiões mágicas e animistas. Deus, como é
apresentado pela Revelação bíblica, quer nos conduzir para uma felicidade
supraterrena, por meio do amor e obediência confiante nele e a aceitação de
acontecimentos futuros - por nós desconhecidos, mas por ele permitidos para
cada um de nós. O homem não pode pretender, servindo-se do poder dos
"espíritos" (magia, adivinhação, necromancia), conhecer o próprio
futuro, prejudicar, com feitiços, os próprios adversários e construir a seu
gosto um destino de sucesso, riqueza e poder. Nas culturas tribais atuais, em
que se pratica a magia e a necromancia, o Criador vem sendo esquecido, enquanto
todo o culto é orientado, por meio de feiticeiros, para os falecidos. Eles
querem, por meio dos mortos, obter "feitiços" para os inimigos e
vantagens materiais para os que pedem.
As proibições do Magistério (a última
é de 1971) são motivadas pela condenação bíblica à necromancia (que pode
apresentar afinidades com certos tipos de espiritismo) e sobretudo pela
possibilidade, não remota e teórica, de que nas comunicações mediúnicas se
introduzam, sob nome falso, espíritos negativos, com a intenção de desviar os
viventes do caminho certo e até provocar em alguém o fenômeno chamado
"possessão".
Com o progresso da parapsicologia
científica, os estudiosos e também os que acreditam vêem na maioria das
mensagens mediúnicas ordinárias não necessariamente a presença de Satanás, mas
reflexos da psique do médium e dos participantes.
Em alguns casos reconhecem somente
sérios indícios de contato com seres inteligentes que não vivem neste mundo.
1 - São os casos em que o presumido
falecido revela o caráter, a maneira de pensar e de falar que possuía nesta
vida aquele que diz ser, os nomes e os costumes de pessoas conhecidas por ele e
pelos participantes da sessão, mas, sobretudo, notícias absolutamente
desconhecidas dos médiuns e dos participantes, conhecidas somente pelo falecido
quando estava nesta vida e verificadas, hoje, como exatas.
2 - Essas revelações possuem notável
valor indicial quando se pode constatar a ausência de especiais e
extraordinários dotes de clarividência no médium e nos participantes (isto é,
nunca mostraram esse dotes em sua atividade ordinária) e, ainda mais, se as
revelações acontecem com particularidades paranormais não atribuíveis a eles
(como, por exemplo, com uma caneta que escreve sem a guia do médium). As
notícias até agora desconhecidas e que se revelaram exatas são, então, um sinal
bastante convincente da presença de um espírito que se comunica do além, mas
não oferecem ainda fortes probabilidades de que seja verdadeiramente o falecido
que diz ser.
Poderiam provir de entes de baixo
nível moral que referem notícias exatas e verificáveis para enganar em outros
campos que não se podem provar facilmente e assim induzir os viventes para
posições que, com o passar do tempo, tornar-se-iam moral e religiosamente
desviantes.
3 - Deus pode querer a intervenção de
alguns falecidos em nossa vida para nos ajudar a acreditar na Vida eterna e
para nos admoestar a que não nos apeguemos às coisas deste mundo (cf. Sto.
Tomás, Suma, I, 89,8 ad 2; Supl. 69, 3; e noutros trechos). O Magistério
católico, alertando para o perigo do espiritismo, nunca declarou que o mesmo
tenha sempre origens diabólicas. A Igreja permite que se tentem experiências
neste campo por pessoas competentes (sólida formação religiosa e moral, senso
crítico, uma boa cultura em parapsicologia, equilíbrio psíquico), à procura da
verdade, com os devidos cuidados (por exemplo: que o médium tenha demonstrado
retidão moral e não busque o lucro ou esteja à procura de notoriedade).
Sob tais condições, o Magistério se
conforma à opinião que prevalece entre os estudiosos de que os fenômenos
mediúnicos são originados, às vezes, por causas infraterrenas (o inconsciente
dos participantes ou as fraudes do médium), mas não exclui que, em alguns
casos, se manifestem determinados mortos.
Podemos razoavelmente concluir que o
presumido morto que se comunica seja exatamente aquele que diz ser somente se
apresentar suficientes indícios capazes de convencer que sua comunicação tenha
sido autorizada por Deus e realizada em comunhão com ele. Nesse caso, nós, que
acreditamos, sabemos que:
a) o morto nunca negará pontos substanciais do Evangelho e
do ensino da Igreja;
b) poderia até fornecer deles confirmação e aprofundamento;
c) de sua intervenção hão de surgir efeitos positivos do ponto de vista moral e
religioso (aproximação da fé, recuperação da paz e da tranqüilidade, oração,
perdão, reconciliação, etc.).
Se se verificarem todas as precedentes
condições, a exigência, para acreditar na autenticidade das comunicações, de
provas científicas, provas tais que excluam absolutamente qualquer
possibilidade de erro, embora mínima, e que apresentem a certeza
matemática-física, representaria, a meu ver, um posicionamento de excessiva
severidade metodológica, capaz de fechar o caminho a qualquer outro resultado e
a qualquer outra pesquisa, quer de parapsicologia, quer de todas as outras
disciplinas que não estudam exclusivamente os fenômenos físico-químicos.
De fato, o cientista acredita nas
pessoas e nos acontecimentos e toma decisões comprometedoras ou até vitais só à
base de certezas morais suficientemente meditadas (as relações humanas, os
fatos históricos e os relativos testemunhos, os processos indiciários, os
valores humanos não oferecem certezas científicas). O cientista que tem fé pode
com razão acreditar, como com efeito acontece, nas aparições de Lourdes, de
Fátima etc., apesar de esses fenômenos não serem suscetíveis de provas
científicas, mas de certezas morais somente.
Até as aparições contadas pelos Atos
dos Apóstolos, os milagres de Jesus, as profecias realizadas e as aparições dos
Ressuscitado, que os Evangelhos e a Igreja sempre consideraram sinais
qualificados da Fé, não podem ser comprovados cientificamente, mas se baseiam
em certezas de ordem moral seriamente fundadas.
A intuição pessoal, além do mais,
graças à iluminação divina, chega à certeza absoluta da Fé.
Os inúmeros e significativos reflexos
positivos nas consciências, obtidos por meio de O Além existe, demonstram a
necessidade que tem o homem de sinais exteriores e de provas objetivas que
ajudem a Fé, hoje mais difícil, e o dever para nós que acreditamos, de estudar
este caso relevante e todo o imenso e complicado campo do paranormal, deixando
a atitude de desinteresse e de estranheza que, no último século, por influência
do positivismo dominante, caracterizou boa parte da cultura católica.
Pe. João Martinetti
Estudioso da paranormalidade
(Texto extraído do livro O Além Existe, Testemunho Extraordinário Rigorosamente
Documentado, de Lino Sardos Albertini, São Paulo, Edições Loyola, 1989, págs.
11 a 14).
Da contra-capa:
Este livro é a crônica de um diálogo
incomum, entre duas diferentes dimensões, entre o aquém e o além, entre um pai
que chama e um filho, morto em circunstâncias dramáticas, que responde. O
diálogo ocorre através de uma sensitiva que categoricamente exclui qualquer
recompensa e se recusa a desenvolver uma atividade pública.
Ela pratica um tipo de escrita
automática por meio da qual desemaranha o fio que mantém unidos o advogado e
seu filho, André.
Crítico e descrente no começo, Lino
Sardos Albertini teve de resignar-se aos fatos inexplicáveis que André
apresentava, a lógica severa das respostas, a sua coerência. Extraordinária é a
maneira da transmissão das mensagens.
Envolvente como um romance, impregnado
- mesmo na situação dolosa - de fé e esperança, este livro há de induzir os
seus leitores a uma meditação profunda.
O AUTOR: advogado, profissional liberal, exerce atividade em Trieste onde
reside na Rua Piccardi, 43.
Foi presidente da Academia de Estudos Jurídicos e Econômicos "Cenáculo
Triestino" e presidente da Junta Diocesana de Ação Católica de Trieste. É
vice-presidente nacional da União Pan-européia Italiana e presidente do
Arqueoclube de Trieste. É autor de vários ensaios.
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