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Vida Espírita

 

  

Elio Mollo

  

Temas principais:

Lembrança da Existência Corpórea
Comemoração dos Mortos – Funerais

 

Complementos:

Perturbação Espírita
Igualdade perante o túmulo

 

Pesquisa feita no O Livro dos Espíritos qq. 304 a 329 e as indicadas no texto obra codificada por Allan Kardec

 

LEMBRANÇA DA EXISTÊNCIA CORPORAL

O Livro dos Espíritos - qq. 304 a 319 - obra codificada por Allan Kardec

1 - O Espírito tendo vivido muitas vezes como homem, normalmente recorda-se do que foi em sua existência corporal, por vezes se ri apiedado de si mesmo, da mesma forma que um homem que, atingindo a idade da razão, ri dos excessos de sua adolescência ou das puerilidades de sua infância. (LE 304)

2 - A lembrança do passado não se apresenta ao Espírito de uma maneira completa e inesperada depois da morte, ela vem aparecendo gradualmente, como se fosse alguma coisa surgindo de um nevoeiro, até que ele consegue fixar sua atenção. Poderia lembrar-se dos mais minuciosos incidentes e pormenores, ligados aos fatos e até aos pensamentos, porém, não o faz se não houver utilidade. (LE 305)

3 - O Espírito quando desencarnado vê e compreende muito melhor, do que quando encarnado, qual o objetivo da vida na Terra, e entende que em cada existência deixa algumas impurezas, sentindo a necessidade de corrigir-se para purificar-se. (LE 306.a .b.)

4 - A vida passada se retrata na memória do Espírito, ou por um esforço de sua imaginação ou como numa tela de cinema em que ele é o espectador. Todos os atos que são de seu interesse ele se lembra como se fossem atuais, os outros ficam mais ou menos vagos ou totalmente esquecidos. Quanto mais desmaterializado for o Espírito menor importância dará aos valores materiais.(LE 307)

5 - Todo o seu passado se desenrola diante dele, como se fossem as etapas do caminho em que um viajante tenha percorrido. Lembra-se dos mesmos na proporção da influência que tenha sobre o seu estado presente. Em razão das lembranças das primeiras existências, as que podemos considerar como se fossem a infância do Espírito, estas perdem-se no vazio e desaparecem na noite do esquecimento. (LE 308)

6 - O Espírito considera o corpo que acaba deixar como se fosse uma vestimenta e, da qual o molestava, sentindo-se feliz por estar livre dele. Porém, reconhece a oportunidade que lhe deu para depurar-se e adiantar-se. (LE 309)

7 - O homem que foi feliz neste mundo, nunca lamenta-se de seus prazeres, quando deixa a Terra, somente os Espíritos inferiores podem reclamar de suas alegrias que se eqüivalem a sua imperfeição e que expiam pelos seus sofrimentos. Já para os Espíritos elevados, a felicidade eterna é mil vezes preferível aos prazeres efêmeros da Terra, seria como o homem adulto que despreza-se aquilo que fez as delicias de sua infância. Tal o homem adulto que despreza aquilo que fez as delícias da sua infância. (LE 313)

8 - O Espírito que de repente vê interrompidos pela morte os grandes trabalhos que começou, não lamenta, do outro lado, por tê-los deixados inacabados, pois, sabe que outros Espíritos encarnados estão destinados a terminá-los. E agora procura influenciá-los na sua continuidade. Se seu objetivo sobre a Terra foi o bem da Humanidade; esse será também o seu objetivo no mundo dos Espíritos. (LE 314)

9 - Os trabalhos executados na Terra, como por exemplo de um artista ou de um literato, sempre interessam ao Espírito, mas o apego a eles dependerá do seu grau de elevação, pois ele no mundo dos Espíritos as poderá julgar sobre um outro ponto de vista, condenando-as se houver necessidade, mesmo que na Terra fossem as coisas que mais admirava. (LE 315)

10 - Para os Espíritos elevados, a pátria é o Universo, e, quando na Terra, a pátria para eles, está onde se ache o maior número das pessoas que lhes são simpáticas.(LE 317)

Nota de Allan Kardec - A situação dos Espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao infinito em razão do grau do seu desenvolvimento moral e intelectual. Os Espíritos de uma ordem elevada não fazem sobre a Terra, geralmente, senão paradas de curta duração; tudo o que aí se faz é tão mesquinho em comparação com as grandezas do infinito, as coisas às quais os homens ligam a maior importância são tão pueris aos seus olhos, que eles aí, encontram poucos atrativos, a menos que sejam chamados com o objetivo de concorrer para o progresso da Humanidade. Os Espíritos de uma ordem mediana aí estacionam mais freqüentemente, se bem que considerem as coisas de um ponto de vista mais elevado do que quando em vida. Os Espíritos vulgares aí, são, de certo modo, sedentário e constituem a massa da população ambiente do mundo invisível; conservam, com pouca diferença, as mesmas idéias, os mesmos gostos e as mesmas inclinações que tinham quando no corpo físico; intrometem-se nas nossas reuniões, nas nossas ocupações, nas nossas recreações, nas quais tomam parte mais ou menos ativa, conforme seus caracteres. Não podendo satisfazerem suas paixões, gozam com os que a elas se abandonam e os excitam. Entre eles existem alguns mais sérios que vêem e observam para se instruírem e se aperfeiçoarem.

11 - Como efeito da perturbação que se segue ao despertar do Espírito, ele se surpreende e espanta nos primeiros momentos de contato com a realidade espiritual; porém, pouco a pouco, vai tendo a noção da sua nova condição, à medida que lhe volta a lembrança do passado e se apaga a impressão da vida terrena. (LE 318)

12 - As idéias dos Espíritos no estado de desencarnado sofrem modificações muito grandes, à medida que o Espírito se desmaterializa. Ele pode algumas vezes, ficar muito tempo com as mesmas idéias, mas, aos poucos, à medida que a influência da matéria diminuir, as coisas se tornarão mais claras; então procurará os meios para se melhorar. (LE 318)

13 – O espanto que afeta o Espírito ao reentrar no mundo dos Espíritos é um efeito do primeiro momento e que lhe causa uma certa perturbação. Mais tarde ele se reconhece perfeitamente, e na medida que vai se lembrando do seu passado vão também se apagando a impressão da vida terrestre.(LE 319)

PERTURBAÇÃO ESPÍRITA

questões 163/4/5 de “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” incluindo nota de A Kardec.

A alma deixando o corpo, podemos dizer que não tem uma consciência imediata de seu estado atual. Mas que ela passa por algum tempo num estado de perturbação. Inclusive, os Espíritos não experimentam, no mesmo grau e durante o mesmo tempo, a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo. Isso depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado se reconhece quase imediatamente, visto que já se libertou da matéria durante a vida física, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência não é pura, conserva por tempo mais longo a impressão dessa matéria. (LE 163 e 164)

O conhecimento do Espiritismo exercerá influência muito grande sobre a duração da perturbação, uma vez que o Espírito compreenderá antecipadamente a sua situação. Contudo, a prática do bem e a pureza da consciência são os que exercerão maior influência benéfica no retorno ao mundo dos Espíritos. (LE 165)

Nota de Allan Kardec - No momento da morte tudo, a princípio, é confuso. A alma necessita de algum tempo para se reconhecer. Ela se acha como aturdida e no estado de um homem que despertando de um sono profundo procura orientar-se sobre sua situação. A lucidez das idéias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria da qual se libertou, e se dissipe a espécie de neblina que obscurece seus pensamentos.

A duração da perturbação que se segue à morte do corpo varia muito; pode ser de algumas horas, de muitos meses e mesmo de muitos anos. É menos longa para aqueles que desde sua vida terrena se identificaram com o seu estado futuro, porque, então, compreendem imediatamente a sua posição.

Essa perturbação apresenta circunstância particulares, segundo o caráter dos indivíduos e, sobretudo, de acordo com o gênero de morte. Nas mortes violentas, por suicídio, suplicio, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito é surpreendido, espanta-se, e, não acredita que morreu e sustenta essa idéia com obstinação. Entretanto, vê seu corpo, sabe que esse corpo é seu e não compreende porque está separado dele; acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não compreende porque elas não o ouvem. Essa ilusão perdura até a inteira libertação do perispírito e, só então, o Espírito se reconhece e compreende que não pertence mais ao números dos vivos encarnados. Este fenômeno se explica facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se operou. Para ele a morte é ainda sinônimo de destruição, aniquilamento; ora, como ele pensa, vê e escuta, não se considera morto. Sua ilusão é aumentada pelo fato de se ver com um corpo de forma semelhante ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar; ele o crê sólido e compacto como o primeiro e, quando chamam sua atenção para esse ponto, admira-se de não poder apalpá-lo. Esse fenômeno é análogo aos dos sonâmbulos iniciantes que não acreditam dormir. Para eles o sono é sinônimo de suspensão das faculdades; ora, como pensam e vêem, julgam que não dormem. Certos Espíritos apresentam essa particularidade, embora a morte não lhes tenha chegado inesperadamente; todavia, é sempre mais generalizada naqueles que, apesar de doentes, não pensam em morrer. Vê-se, então, o singular espetáculo de um Espírito assistindo aos próprios funerais, como se fora um estranho e deles falando como de uma coisa que não lhe dissesse respeito, até o momento em que compreende a verdade.

A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem; é calma e em tudo semelhante à que acompanha um despertar tranqüilo. Para os que não têm a consciência pura, ela é cheia de ansiedade e de angústias, que aumentam à medida que ela se reconhece.

Nos casos de morte coletiva, tem se observado que todos os que perecem ao mesmo tempo, nem sempre se revêem imediatamente. Na perturbação que se segue à morte, cada um vai para o seu lado ou se preocupa apenas com aqueles que lhe interessam.

COMEMORAÇÃO DOS MORTOS - FUNERAIS

O Livro dos Espíritos - qq. 320 a 329 - obra codificada por Allan Kardec

14 - Os Espíritos ficam sensibilizados quando os homens se lembram deles; se são felizes, essa lembrança aumenta-lhes a felicidade; se são infelizes as lembranças são para eles um conforto.(LE 320)

15 - No dia 2 de novembro, o chamado dia dos mortos, os Espíritos acodem aos chamados mentais enviados da Terra, como o fazem, aliás, em qualquer dia. Só que nesse dia, os Espíritos se reúnem em maior quantidade, porque um maior número de pessoas os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vem somente pelos seus amigos e não pela multidão de indiferentes. A forma com que se apresentam será aquela que tinham em sua última encarnação.(LE 321 a. b.)

16 - Os Espíritos se prendem à Terra mais pelo coração e, assim quando esquecidos, isto é, quando ninguém visita seus túmulos, não sentem nenhum desejo de comparecer a esses lugares, pois possuem para si o Universo inteiro.(LE 322)

17 - Para o Espírito a visita ao túmulo é um modo de manifestar que se pensa no ausente: é a imagem. Mas somente a prece é o que santifica o ato de lembrar; pouco importando o lugar, pois ela é ditada pelo coração.(LE 323)

18 - Quando se erigem estátuas ou monumentos, em memória dos que partiram, muitas vezes o ato da inauguração conta com a presença dos homenageados, todavia, o que mais os sensibiliza é a lembrança que deles guardam os homens do que propriamente a homenagem que lhes prestam.(LE 324)

19 - A reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família, conquanto destituída de importância para os Espíritos, representa um costume piedoso e uma prova de simpatia dado pelos que assim procedem aos que lhe foram entes queridos, permitindo ainda aos homens uma concentração maior de suas recordações.(LE 325e 325a)

20 - Quando o Espírito alcançou um certo grau de perfeição, não possui mais as vaidades terrenas, compreende a futilidade das honrarias humanas aos seus despojos mortais; todavia, há os que, nos primeiro instante após a sua morte material, ainda sentem enorme prazer com as honras que lhe tributam ou ficam aborrecidos com o pouco caso — dependendo da ocasião — que lhe façam dos seus envoltórios corporais, porque ainda conservam alguns preconceitos terrenos.(LE 326)

21 - Freqüentemente, o Espírito assiste ao seu enterro, mas, algumas vezes, se ainda estiver perturbado, não irá perceber o que se passa. O número de pessoas, um grande acompanhamento ao seu enterro, irá, mais ou menos deixá-lo feliz, dependerá de seu grau de elevação e do sentimento que anima os acompanhantes.(LE 327)

22 - Quase sempre o Espírito daquele que acaba de morrer assiste à reunião de seus herdeiros, pois isto é permitido para ensinamento. Nessa ocasião ele pode avaliar os protestos que lhe faziam. Todos os sentimentos lhe ficam patentes e a decepção que lhe causa muitas vezes as partilhas de bens por ele deixado o esclarece acerca daqueles sentimentos.(LE 328)

23 - O instintivo respeito que, em todos os tempos e entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é a conseqüência natural da intuição que tem na vida futura.(LE 329)

IGUALDADE PERANTE O TÚMULO

questões 823 e 824 de “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” incluindo nota de A Kardec.

O desejo de perpetuar a própria memória nos monumentos fúnebres vem derradeiro ato de orgulho. A suntuosidade dos monumentos fúnebres determinada por parentes que desejam honrar a memória do falecido, e não por este ainda faz parte do orgulho dos parentes, que querem honrar-se a si mesmos. Nem sempre é pelo morto que se fazem todas essas demonstrações, mas por amor-próprio, por consideração ao mundo e para exibição de riqueza. A lembrança de um ser querido não é menos durável no coração do pobre, porque ele só pode colocar uma flor sobre a sua tumba. O mármore não salva do esquecimento aquele que foi inútil na Terra. . (LE 823 e 823a.)

Nunca devemos reprovar de maneira absoluta as pompas fúnebres, pois a homenagem a memória de um homem de bem, são justas e de bom exemplo. (LE 824.)

 

Nota de Allan Kardec - A tumba é o lugar de encontro de todos os homens e nela se findam impiedosamente todas as distinções humanas. É em vão que o rico tenta perpetuar a sua memória por meio de faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como aos seus próprios corpos. Assim o quer a Natureza. A lembrança das suas boas e más ações será menos perecível que o seu túmulo. A pompa dos funerais não o lavará de suas torpezas e não o fará subir sequer um degrau na hierarquia espiritual. (Ver item 320 e seguintes).

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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