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Eliseu F. Mota Júnior
O
corpo humano é composto de órgãos, membros, ossos, músculos, articulações e de
toda uma fantástica aparelhagem psicossomática, mas a célula é a sua partícula
básica, composta de uma vintena de ácidos aminados, formando uma cadeia
compacta e dependente de aproximadamente duas mil enzimas específicas. As
partes principais da célula são o citoplasma, o núcleo e o DNA, envoltos por
uma membrana que mantém a sua coesão. A saúde humana repousa na estrutura
molecular, pois toda enfermidade, começando pelo núcleo, progride na medida em
que as células vão se reproduzindo.
Algo
semelhante ocorre no organismo social. Os indivíduos formam grupos nas escolas,
locais de trabalho, clubes, igrejas e outras instituições, mas a família é a
célula básica da sociedade, cujo núcleo são os filhos, mantida a sua união
pelos laços do casamento. Desse modo, quando ocorre a falência de uma família,
suas crianças sofrem o impacto do fracasso e levam adiante o caos social em que
estamos mergulhados, pois somente à custa de muito esforço conseguirão evitar a
sua própria desventura.
Porém,
por incrível que pareça, há filósofos e escritores que pregam o fim do
casamento ou que o tratam ironicamente. De fato, como lembrou Washington de
Barros Monteiro (Direito de família,
Ed. Saraiva, pág. 11), Arthur Schopenhauer, o tristemente famoso “pensador do
pessimismo”, dizia que, “em nosso hemisfério monógamo, casar é perder metade
dos direitos e duplicar os deveres”. Por sua vez, Somerset Maugham faz dizer,
através de um seu personagem, que “o casamento é uma ridícula instituição dos
filisteus”. Outro escritor inglês, Aldous Huxley via no matrimônio “um pacto
inoportuno e obsceno”, enquanto que Lockridge, da mesma nacionalidade, define o
casamento como “uma espécie de funeral, no qual sepultamos uma parte de nós mesmos”.
Como
entendemos que a sociedade somente conseguirá o equilíbrio quando a família
estiver estruturada sobre bases concretas, alicerçadas pelo casamento, convém
estudarmos o assunto à luz da Doutrina Espírita.
Primeiramente,
segundo O Livro dos Espíritos (questões
695, 696, 203, 204, 379, 817, 822 e 822 “a”) vemos que o casamento, antes de
ser contrário à lei natural, é um progresso na marcha da Humanidade, porquanto
o seu fim, como pregam os arautos da união livre ou da produção independente,
seria uma verdadeira regressão à vida animal. Com efeito, o estado de natureza
é o da união livre e fortuita dos sexos, ao passo que o casamento constitui um
dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a
solidariedade fraterna e está presente entre todos os povos, se bem que em
condições diferentes. A abolição do casamento seria, pois, regredir à infância
da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais, lhe dão o
exemplo de uniões constantes.
Por
outro lado, sabemos que os pais transmitem aos filhos apenas a vida física do
corpo, pois a alma é indivisível, de modo que um pai ignorante pode gerar
filhos inteligentes e vice-versa. Além disso, como já tivemos muitas vidas e
teremos outras tantas, a nossa parentela vai além da que a existência atual nos
criou, pois a sucessão das existências corporais estabelece entre os Espíritos
ligações que remontam às nossas existências anteriores. Assim se explica,
muitas vezes, a simpatia que existe entre nós e certos Espíritos que nos
parecem estranhos.
Sendo assim, o Espírito que anima o corpo de uma criança
pode ser tão ou mais desenvolvido do que o de um adulto, de modo que apenas a imperfeição
dos órgãos infantis o impede de manifestar-se na plenitude da sua potencialidade
intelectual, agindo de acordo com o instrumento de que dispõe naquele momento.
Alem disso, é preciso ressaltar sempre e sempre que o homem
e a mulher têm os mesmos direitos e obrigações, uma vez que são absolutamente
iguais perante Deus, que deu a ambos a inteligência do bem e do mal e a mesma
faculdade de progredir, de forma que a discriminação sexual está totalmente
ultrapassada, porque, sendo iguais perante a lei divina, devem ser iguais
também perante as leis humanas.
Desse
modo, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade
dos direitos do homem e da mulher, embora com funções diferentes, pois é
preciso que cada um esteja no lugar que lhe compete, ocupando-se o homem do
exterior e a mulher do interior, cada qual de acordo com a sua própria aptidão.
Destarte,
qualquer privilégio concedido a um ou a outra é contrário à justiça, valendo
consignar que a emancipação da
mulher, hoje inegável e irreversível, deverá acompanhar sempre o progresso da
civilização, sendo que a escravização feminina, coisa ultrapassada, remonta aos
tempos bárbaros. Além de tudo isso, os sexos só existem na organização física,
porque os Espíritos podem encarnar como homem ou como mulher, e sob esse
aspecto nenhuma diferença há entre eles, de modo que devem sempre gozar dos mesmos
direitos.
Diante do exposto, gostaríamos de concluir
ressaltando que a renovação social, prevista para o terceiro milênio, terá de
começar pelo fortalecimento da família como solução básica para a sociedade.
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