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Denise de Assis
Ribeiro
(Guarulhos-SP)
O que me levou a esses pensar, foi a leitura de Paulo
Freire em Pedagogia da Autonomia. Alí, esse grande Educador, talvez o maior que
tenha deixado suas marcas por esse Brasil, nos fala sobre os saberes
necessários à prática educativa. Fala do sujeito histórico que somos e agentes
transformadores; diz ainda que "como presença consciente no mundo, não
posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo ...". Essa
ética, que Freire chama de "ética universal do ser humano" é a
consciência de saber rejeitar as manifestações discriminatórias de raça, de
classe, da exclusão, é não falsear a verdade; é não condenar; é não manipular o
fraco; é não prometer sabendo que não vai cumprir e por aí afora. A melhor
forma de lutar por essa ética, segundo o Educador, é vivenciá-la, é
testemunhá-la perante si próprio e, consequentemente, perante o outro.
Eis aí, no meu modo de ver, um forte papel do Centro
Espírita enquanto escola, enquanto local de encontro de programas educacionais.
Os líderes de Grupos Espíritas, para atuarem como tal, precisam caminhar com o
progresso, abrir-se para a realidade do mundo, é preciso não permitir que as
reuniões caiam numa rotina, onde os participantes atuam dentro de padrões
envelhecidos. É preciso repensar sobre as atividades alí desenvolvidas, sobre o
receber as pessoas, que no "boom" da tecnologia, principalmente na
área da comunicação, não mais esperam verdades prontas, discursos vazios,
tratamento piegas. Tais ações colocam o indivíduo dependente de passes e águas
fluidificadas, "rezadores choramingas", nas palavras do Prof.
Herculano Pires.
Hoje, também na Casa Espírita, há a necessidade de falarmos
sobre o ser atuante no mundo, sua responsabilidade sobre ele, entendendo que
essa responsabilidade começa sobre si próprio; conhecer os seus valores para
conhecer e valorizar a vida; trabalhar a pedagogia do ser nos dizeres de
Ermance Dufaux.
Há formas motivadoras, atraentes, e não menos afetivas para
uma atuação dinâmica e produtiva nos Grupos Espíritas. O que se faz necessário
é deixar de lado a presunção de que sabemos tudo e não precisamos do outro para
aprender; é estar disponível para buscar conhecer mais; é preciso sair,
participar, ouvir outros pensamentos, conhecer o diferente de nós, para que a
sua atuação seja aberta, transparente, isto é, não falsear com a verdade, não
camuflar.
"...Na verdade, seria incompreensível se a consciência
de minha presença no mundo, não significasse já a impossibilidade de minha
ausência na construção da própria presença".
Fonte:
Paulo Freire. Pedagogia da Autonomia.
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