|
“Pois não há nada de escondido que não venha a ser revelado,
e não existe nada de oculto que não venha a ser conhecido”. (JESUS, Mt 10,26).
A cada dia que desenvolvemos nossos estudos sobre o
tema reencarnação estamos vendo que, infelizmente, muitas coisas foram
expurgadas das Sagradas Escrituras, a verdade pouco lhes importa, com o
objetivo de justificar a manutenção de dogmas religiosos. Dogmas esses que ainda
servem aos interesses das lideranças religiosas, que buscam de todas as formas
fazer com que seus fiéis permaneçam na ignorância e assim sigam acreditando nessa
teologia “Adão e Eva”.
Assim, é que já em Êxodo 20, 5, mudaram a preposição,
que fatalmente nos levaria à conclusão da existência da reencarnação, quando
trocam o “na” por “até”, vejamos:
“... porque eu, Iahweh teu Deus,
sou um Deus ciumento, que puno a iniqüidade dos pais sobre os filhos até a
terceira e quarta geração dos que me odeiam”.
Só que, com essa mudança, o texto
entra em conflito com outra passagem bíblica:
“Os pais não serão mortos em
lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais. Cada um será executado por
seu próprio crime”. (Dt 24, 16) [ ].
Entretanto, se colocarmos a
preposição “na” em lugar da usada no texto, ficaremos perfeitamente coerentes com
essa passagem anterior e a justiça divina não puniria um inocente, mas o
próprio espírito culpado que nasceria como neto ou bisneto dele mesmo, ou seja,
o próprio criminoso reencarnado como um de seus descendentes.
Sempre lemos, de outros autores, que
a idéia da reencarnação existia no cristianismo primitivo e existe no judaísmo,
como por exemplo, Dr. Severino Celestino da Silva, em Analisando as
Traduções Bíblicas, H. Spencer Lewis, F.R.C, Ph.D., no livro A Vida
Mística de Jesus e o teólogo alemão Holger Kersten, autor de Jesus Viveu
na Índia, do qual transcrevemos:
“Até agora, quase todos os historiadores da Igreja
acreditaram que a doutrina da reencarnação foi declarada herética durante o
Concílio de Constantinopla em 553. No entanto, a condenação da doutrina se deve
a uma ferrenha oposição pessoal do imperador Justiniano, que nunca esteve ligado
aos protocolos do Concílio. Segundo Procópio, a ambiciosa esposa de Justiniano,
que, na realidade, era quem manejava o poder, era filha de um guardador de
ursos do anfiteatro de Bizâncio. Ela iniciou sua rápida ascensão ao poder como
cortesã. Para se libertar de um passado que a envergonhava, ordenou, mais
tarde, a morte de quinhentas antigas ‘colegas’ e, para não sofrer as
conseqüências dessa ordem cruel em uma outra vida como preconizava a lei do
Carma, empenhou-se em abolir toda a magnífica doutrina da reencarnação. Estava
confiante no sucesso dessa anulação, decretada por ‘ordem divina’”.
“Em 543 d.C. o imperador Justiniano, sem levar em
conta o ponto de vista papal, declarou guerra frontal aos ensinamentos de
Orígenes, condenando-os através de um sínodo especial. Em suas Obras De
Principiis e Contra Celsum, Orígenes (185-235 d.C), o grande Padre da
Igreja, tinha reconhecido, abertamente, a existência da alma antes do
nascimento e sua dependência de ações passadas. Ele pensava que certas
passagens do Novo Testamento poderiam ser explicadas somente à luz da
reencarnação”.
“Do Concílio convocado pelo imperador Justiniano só
participaram bispos do Oriente (ortodoxos). Nenhum de Roma. E o próprio Papa,
que estava em Constantinopla naquela ocasião, deixou isso bem claro”.
“O Concílio de Constantinopla, o quinto dos
Concílios, não passou de um encontro, mais ou menos em caráter privado,
organizado por Justiniano, que, mancomunado com alguns vassalos, excomungou e
maldisse a doutrina da pré-existência da alma, apesar dos protestos do Papa
Virgílio, com a publicação de seus Anathemata”.
“A conclusão oficial a que o Concílio chegou após uma
discussão de quatro semanas teve que ser submetida ao Papa para ratificação. Na
verdade, os documentos que lhe foram apresentados (os assim-chamados ‘Três
Capítulos’) versavam apenas sobre a disputa a respeito dos três eruditos que
Justiniano, há quatro anos, havia por um edito declarado heréticos. Nada
continham sobre Orígenes. Os Papas seguintes, Pelágio I (556-561), Pelágio II
(579-590) e Gregório (590-604), quando se referiram ao quinto Concílio, nunca
tocaram no nome de Orígenes”.
“A
Igreja aceitou o edito de Justiniano – ‘Todo aquele que ensinar esta fantástica
pré-existência da alma e sua monstruosa renovação será condenado’ – como parte
das conclusões do Concílio. Portanto, a proibição da doutrina da reencarnação
não passa de um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica”. (pág.
240-241).
E especificamente quanto ao judaismo
podemos comprovar pelo historiador judeu Flavius Josephus, citado por Dr.
Hernani de Guimarães Andrade, no livro Você e a Reencarnação, à página 28.
Dr.
Hernani em referência a WHISTON (The Works of Flavius Josephus, trad.
Willian Whiston, M.A., London: War, Loc &
Co. Limited.), diz-nos:
Flavius Josephus (37 a 95 a.D.), intelectual e
historiador judeu, em sua famosa obra De Bello Judaico, faz a seguinte
advertência aos soldados judeus que preferiam desertar, suicidando-se:
"Não vos recordais de que todos
os espíritos puros que se encontram em conformidade com a vontade divina vivem
no mais humildes dos lugares celestiais, e que no decorrer do tempo eles serão
novamente enviados de volta para habitar corpos inocentes? Mas que as almas
daqueles que cometeram suicídio serão atiradas às regiões trevosas do mundo
inferior?"
(Josephus, 1910).
Entretanto, até nessa clássica obra
desse autor da antiguidade modificaram o texto para, obviamente, fugir da idéia
da reencarnação, conforme podemos comprovar pela tradução de Vicente Pedroso,
publicada no livro História dos Hebreus, (CPAD, 7ª ed., 2003), que diz o
seguinte (pág. 600):
Não sabeis que Ele difunde suas bênçãos
sobre a posteridade daqueles, que depois de ter chamado para junto de si,
entregam em suas mãos, a vida, que, segundo as leis da natureza, Ele lhes deu e
que suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no
correr dos séculos, animar corpos que sejam puros como elas (*) e que ao invés,
as almas dos ímpios, que por uma loucura criminosa dão a morte a si mesmos são
precipitados nas trevas do inferno.
(*) Parece, segundo estas palavras, que Josefo acreditava na
metempsicose.
Observar que apesar dos textos serem bem semelhantes,
mudaram todo o sentido do original para fugir da idéia da reencarnação. Dúvida
que envolveu até o próprio editor: “Parece, segundo estas palavras, que Josefo acreditava
na metempsicose”, querendo dissimular o pensamento sobre a reencarnação.
Mas se esqueceu de modificar o que disse Josephus,
quando fala no que acreditavam os fariseus:
“Eles julgam que as almas são
imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas
segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são eternamente retidas
prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta”. (op. cit., pág.
416).
Entretanto, o mesmo não aconteceu
com a tradução do livro Atos dos Apóstolos 23, 8, onde se diz que os fariseus
sustentam “a ressurreição”, quando, na verdade, deveria ser “a reencarnação”,
conforme nos informa o historiador judeu.
Podemos ainda acrescentar as
informações contidas no livro As Rodas da Alma, onde o Rabino Philip S.
Berg desenvolvendo o tema dentro da ótica cabalista, diz a certa altura (pág.
29):
“Entre todos os que aceitam a doutrina da reencarnação,
talvez os cabalistas sejam os únicos que acreditam que uma alma pode retornar
num nível inferior daquele que deixou em uma vida anterior. Efetivamente, se o
peso do tikun (correção) for suficientemente pesado, uma alma humana
poderá se encontrar reencarnada no corpo de um animal, de uma planta ou até
mesmo de uma pedra”.
“A Cabala é o significado mais
profundo e oculto da Torá, ou Bíblia”, diz Berg, o que confirma que é um
conhecimento do judaísmo místico, segundo suas próprias palavras.
Trazemos também a opinião de Sérgio
F. Aleixo, escritor e estudioso da Bíblia, que em seu livro Reencarnação –
Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus, diz o seguinte (pág. 21):
“Neste trabalho, queremos demonstrar
que a cultura judaico-cristã tem precedentes reencarnacionistas incontestáveis,
a despeito de as políticas igrejeiras, sustentadas pelos mais absurdos
teologismos, se obstinarem ainda em negá-los”.
É comum a certas pessoas advogarem
que devemos, para interpretar a Bíblia, levar em conta o contexto histórico,
mas quando o fato é reencarnação não seguem a sua própria recomendação. Os
fatos históricos estão aí relatados, e não há como mudá-los. Resta então aos
fanáticos a humildade de mudarem de posicionamento em relação ao assunto.
Embora sinceramente achamos isso muito difícil, pois são completamente cegos,
cuja única verdade que aceitam é a que lhes ensinaram, pouco importa se
corresponde à realidade ou não. Todos os que pensam diferente deles são
“heréticos” que precisam ser combatidos.
Aos que ainda nos dias de hoje
perseguem os Espíritas por causa desse princípio doutrinário do Espiritismo,
recomendamos que leiam mais, mas saiam da literatura de autores “recomendados”
e busquem a verdade em outras obras, principalmente de outros autores,
estudiosos e pesquisadores da reencarnação, que não os de sua corrente
religiosa. Somente os que temem a verdade é que proíbem a leitura de obras fora
do “nihil obstat” de sua liderança religiosa.
Paulo
da Silva Neto Sobrinho
Jan/2004.
(revisado)
Referências Bibliográficas:
ALEIXO, S.F. Reencarnação – Lei da Bíblia, Lei do
Evangelho, Lei de Deus, Niterói, Lachâtre, 2003.
ANDRADE, H.G. Você e a Reencarnação, Bauru, CEAC,
2002.
BERG, P. S. As Rodas da Alma, São Paulo, Centro de
Estudos da Cabala, 1998.
CHAVES, J. R. A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência,
São Paulo, 2002.
DIVERSOS. Bíblia de Jerusalém, São Paulo, Paulus,
2002.
KERSTEN, H. Jesus Viveu na Índia. São Paulo, Best
Seller, 1988.
LEWIS, H.S. A Vida Mística de Jesus, Curitiba, AMORC,
2001.
SILVA, S. C. Analisando as Traduções Bíblicas. João
Pessoa; Idéia, 2001.
|