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A Função dos Pais e dos Filhos

 

José Henrique Baldin

 

Antes de mais nada, devemos resumir o espiritismo: A principal fator do espiritismo é a reforma íntima para que possamos evoluir moralmente e intelectualmente. Esta evolução é feita através de varias reencarnações, onde nossos espíritos vem a este mundo para aprender e evoluir. Nossos espíritos são imortais, sobrevivem a morte do corpo físico, e nós somos compelidos a seguir as leis naturais de Deus (causa primaria de todas as coisas, inteligência suprema, bom e justo) que regem o universo. Resumindo em duas máximas: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a ti mesmo.

1) Dever dos Pais: é dever dos pais a educação, o apoio, o encaminhamento a prática do bem e da caridade, o respeito, por se tratar de um ser que pensa e tem sentimentos e o esclarecimento quanto a educação sexual, informando aos filhos a importância do sexo e quando ele deve ser praticado, orientando quanto as doenças sexualmente transmissíveis, como também o risco da gravidez indesejada ensinando os métodos anticoncepcionais. Os pais não devem esconder nada a seus filhos, pois se eles não disserem, poderão aprender nas ruas, e aprenderam a forma errada do sexo. Informar da responsabilidade do sexo seguro e com a pessoa certa, pois de forma desregrada e sem responsabilidade poderão ocorrer fatos desagradáveis.

No livro dos espíritos, temos as seguintes questões, referente aos pais:

582) Pode-se considerar como missão a paternidade?
É, sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando aquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Muitas há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as arvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que se formar o caráter de seu filho. Se este vier a sucumbir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem.

583) São responsáveis os pais pelo transviamento de um filho que envereda pelo caminho do mal, apesar dos cuidados que lhe dispensaram?
Não; porém, quanto piores forem as propensões do filho, tanto mais pesada é a tarefa e tanto maior o mérito dos pais, se conseguirem desviá-lo do mau caminho.

Podemos ver a seguir como os pais podem influenciar seus filhos para o caminho do bem, através de exemplos de conduta durante toda a vida da criança ou adolescente.

No Livro dos espíritos, temos:

208) Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste?
Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já dissemos, os espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho.

209) Por que é que de pais bons e virtuosos nascem filhos de natureza perversa? Por outra: por que é que as boas qualidades dos pais nem sempre atraem, por simpatia, um bom espírito para lhes animar o filho?
Não é raro que um mau espírito peça lhe sejam dados bons pais, na esperança de que seus conselhos o encaminhem por melhor senda e muitas vezes Deus lhe concede o que deseja.

2) Dever dos filhos: é dever dos filhos o respeito e o carinho pelos pais, pois são eles que o encaminham para o bem, nenhum pai ou mãe quer que seu filho sofra ou tenha problemas em sua vida. Os filhos quando percebem que os pais são bons e caridosos, procuram seguir seus exemplos.

a) Vós sabeis os mandamentos: não cometereis adultério; não matareis; não furtareis; não prestareis falsos testemunhos; não fareis mal a ninguém; honrai o vosso pai e a vossa mãe. (São Marcos, cap X, v.19; São Lucas, cap.XVIII, v.20; São Mateus, cap XIX, v.19)

b) Honrai o vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo sobre a terra, que o Senhor vosso Deus vos dará. (Decálogo; Êxodo, cap. XX, v.12)

No evangelho segundo o Espiritismo encontramos:

O mandamento: Honrai o vosso pai e a vossa mãe é uma conseqüência da lei geral de caridade e de amor ao próximo, porque não se pode amar o próximo sem amar pai e mãe; mas a palavra honrai encerra um dever a mais a seu respeito: o da piedade filial. Deus quis mostrar com isso que, ao amor, é preciso acrescentar o respeito, as atenções, a submissão e a condescendência, o que implica a obrigação de cumprir para com eles, de um modo mais rigoroso ainda, tudo o que a caridade manda para com o próximo. Esse dever se estende naturalmente às pessoas que estão no lugar de pai e de mãe, e que tanto mais mérito quanto seu devotamento é menos obrigatório. Deus pune sempre, de maneira rigorosa, toda violação a esse mandamento.

Honrar a seu pai e a sua mãe, não consiste apenas em respeitá-los; é também assisti-los na necessidade; é proporcionar-lhes repouso na velhice; é cercá-los de cuidados como eles fizeram conosco, na infância. Sobretudo para com os pais sem recursos é que se demonstra a verdadeira piedade filial. Obedecem a esse mandamento os que julgam fazer grande coisa porque dão a seus pais o estritamente necessário para não morrerem de fome, enquanto eles de nada se privam, atirando-os para os cômodos mais ínfimos da casa, apenas por não os deixarem na rua, reservando para si o que há de melhor, de mais confortável? Ainda bem quando não o fazem de má-vontade e não os obrigam a comprar caro o que lhes resta a viver, descarregando sobre eles o peso do governo da casa! Será então aos pais velhos e fracos que cabe servir a filhos jovens e fortes? Ter-lhes-á a mãe vendido o leite, quando os amamentava? Contou porventura suas vigílias, quando eles estavam doentes, os passos que deram para lhes obter o de que necessitavam? Não, os filhos não devem a seus pais pobres só o estritamente necessário, devem-lhes também, na medida do que puderem, os pequenos nadas supérfluos, as solicitudes, os cuidados amáveis, que são apenas o juro do que receberam, o pagamento de uma dívida sagrada. Unicamente essa é a piedade filial grata a Deus. Ai, pois, daquele que olvida o que deve aos que o ampararam em sua fraqueza, que com a vida material lhe deram a vida moral, que muitas vezes se impuseram duras privações para lhe garantir o bem-estar. Ai do ingrato: será punido com a ingratidão e o abandono; será ferido nas suas mais caras afeições, algumas vezes já na existência atual, mas com certeza noutra, em que sofrerá o que houver feito aos outros.

Alguns pais, é certo, descuram de seus deveres e não são para os filhos o que deviam ser; mas, a Deus é que compete puni-los e não a seus filhos. Não compete a estes censurá-los, porque talvez hajam merecido que aqueles fossem quais se mostram. Se a lei da caridade manda se pague o mal com o bem, se seja indulgente para as imperfeições de outrem, se não diga mal do próximo, se lhe esqueçam e perdoem os agravos, se ame até os inimigos, quão maiores não hão de ser essas obrigações, em se tratando de filhos para com os pais! Devem, pois, os filhos tomar corno regra de conduta para com seus pais todos os preceitos de Jesus concernentes ao próximo e ter presente que todo procedimento censurável, com relação aos estranhos, ainda mais censurável se torna relativamente aos pais; e que o que talvez não passe de simples falta, no primeiro caso, pode ser considerado um crime, no segundo, porque, aqui, à falta de caridade se junta a ingratidão.

Deus disse: "Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará." Por que promete ele como recompensa a vida na Terra e não a vida celeste? A explicação se encontra nestas palavras: que Deus vos dará, as quais, suprimidas na moderna fórmula do Decálogo, lhe alteram o sentido. Para compreendermos aqueles dizeres, temos de nos reportar à situação e às idéias dos hebreus naquela época. Eles ainda nada sabiam da vida futura, não lhes indo a visão além da vida corpórea. Tinham, pois, de ser impressionados mais pelo que viam, do que pelo que não viam. Fala-lhes Deus então numa linguagem que lhes estava mais ao alcance e, como se se dirigisse a crianças, põe-lhes em perspectiva o que os pode satisfazer. Achavam-se eles ainda no deserto; a terra que Deus lhes dará e a Terra da Promissão, objetivo das suas aspirações. Nada mais desejavam do que isso; Deus lhes diz que viverão nela longo tempo, isto é, que a possuirão por longo tempo, se observarem seus mandamentos.

Mas, ao verificar-se o advento de Jesus, já eles tinham mais desenvolvidas suas idéias. Chegada a ocasião de receberem alimentação menos grosseira, o mesmo Jesus os inicia na vida espiritual, dizendo: "Meu reino não é deste mundo; lá, e não na Terra, é que recebereis a recompensa das vossas boas obras." A estas palavras, a Terra Prometida deixa de ser material, transformando-se numa pátria celeste. Por isso, quando os chama à observância daquele mandamento: "Honrai a vosso pai e a vossa mãe", já não é a Terra que lhes promete e sim o céu. (Caps. II e III.)

3) O Respeito mútuo que deve existir entre pais e filhos: O respeito mútuo deve existir, pois ambos possuem individualidades, formas de pensamentos e de agir, sentimentos e o livre arbítrio, principal atributo que Deus nos deu para sermos livres e agir conforme nosso grau moral e intelectual. O livre-arbítrio significa que podemos fazer o que quiser, na hora que quiser, da forma que quiser, mas com um detalhe, sendo responsável por todos os atos praticados ou não. Pois sabemos que o Espiritismo nos ensina que estamos sujeitos a Lei da Causa e Efeito, isto é, para cada ato praticado, estaremos sujeitos a uma reação boa ou não, depende do ato praticado. Hoje você colhe o que plantou ontem e amanhã colherá o que plantar hoje, portanto, use o livre arbítrio de forma mais racional e caridosa possível.

No livro dos espíritos encontramos:

843. Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?
Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina.

844. Do livre-arbítrio goza o homem desde o seu nascimento?
Há liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo. Nas primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o desenvolvimento das faculdades. Estando seus pensamentos em concordância com o que a sua idade reclama, a criança aplica o seu livre-arbítrio àquilo que lhe é necessário.

845. Não constituem obstáculos ao exercício do livre-arbítrio as predisposições instintivas que o homem já traz consigo ao nascer?
As predisposições instintivas são as do Espírito antes de encarnar. Conforme seja este mais ou menos adiantado, elas podem arrastá-las à prática de atos repreensíveis, no que será secundado pelos Espíritos que simpatizam com essas disposições. Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder. (361)

846. Sobre os atos da vida nenhuma influência exerce o organismo? E, se essa influência existe, não será exercida com prejuízo do livre-arbítrio?
É inegável que sobre o Espírito exerce influência a matéria, que pode embaraçar-lhe as manifestações. Daí vem que, nos mundos onde os corpos são menos materiais do que na Terra, as faculdades se desdobram mais livremente. Porém, o instrumento não dá a faculdade. Além disso, cumpre se distingam as faculdades morais das intelectuais. Tendo um homem o instinto do assassínio, seu próprio Espírito é, indubitavelmente, quem possui esse instinto e quem lho dá; não são seus órgãos que lho dão. Semelhante ao bruto, e ainda pior do que este, se torna aquele que nulifica o seu pensamento, para só se ocupar com a matéria, pois que não cuida mais de se premunir contra o mal. Nisto é que incorre em falta, porquanto assim procede por vontade sua. (Vede n°s. 367 e seguintes - Influência do organismo.)

847. Da aberração das faculdades tira ao homem o livre-arbítrio?
Já não é senhor do seu pensamento aquele cuja inteligência se ache turbada por uma causa qualquer e, desde então, já não tem liberdade. Essa aberração constitui muitas vezes uma punição para o Espírito que, porventura, tenha sido, noutra existência, fútil e orgulhoso, ou tenha feito mau uso de suas faculdades. Pode esse Espírito, em tal caso, renascer no corpo de um idiota, como o déspota no de um escravo e o mau rico no de um mendigo. O Espírito, porém, sofre por efeito desse constrangimento, de que tem perfeita consciência. Está aí a ação da matéria. (371 e seguintes)

848. Servirá de escusa aos atos reprováveis o ser devida à embriaguez a aberração das faculdades intelectuais?
Não, porque foi voluntariamente que o ébrio se privou da sua razão, para satisfazer a paixões brutais. Em vez de uma falta, comete duas.

849. Qual a faculdade predominante no homem em estado de selvageria: o instinto, ou o livre-arbítrio?
O instinto, o que não o impede de agir com inteira liberdade, no tocante a certas coisas. Mas, aplica, como a criança, essa liberdade às suas necessidades e ela se amplia com a inteligência. Conseguintemente, tu, que és mais esclarecido do que um selvagem, também és mais responsável pelo que fazes do que um selvagem o é pelos seus atos.

850. A posição social não constitui às vezes, para o homem, obstáculo à inteira liberdade de seus atos?
É fora de dúvida que o mundo tem suas exigências, Deus é justo e tudo leva em conta. Deixa-vos, entretanto, a responsabilidade de nenhum esforço empregardes para vencer os obstáculos.

Quanto à ação e reação, são baseadas nas leis naturais que Deus criou, temos:

614. Que se deve entender por lei natural?
A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.

615. É eterna a lei de Deus?
Eterna e imutável como o próprio Deus.

4) O por que na mudança de comportamento dos filhos da infância a adolescência: Durante a infância o espírito encarnado ainda não goza de todas as faculdades de pensamento, pois é nesta fase que recebe os ensinamentos dos pais, uma nova oportunidade para aprendizado. E na adolescência o espírito encarnado aflora todas as suas possibilidades de pensamentos, tomando consciência de seu ser, quer fazer tudo que os adultos fazem, etc.

No Livro dos espíritos encontramos:

385. Que é o que motiva a mudança que se opera no caráter do indivíduo em certa idade, especialmente ao sair da adolescência? É que o Espírito se modifica?
É que o Espírito retoma a natureza que lhe é própria e se mostra qual era. Não conheceis o que a inocência das crianças oculta. Não sabeis o que elas são, nem o que foram, nem o que serão. Contudo, afeição lhes tendes, as acaricias, como se fossem parcelas de vós mesmos, a tal ponto que se considera o amor que uma mãe consagra a seus filhos como o maior amor que um ser possa votar a outro. Donde nasce o meigo afeto, a terna benevolência que mesmo os estranhos sentem por uma criança? Sabeis? Não. Pois bem! Vou explicá-lo.

As crianças são os seres que Deus manda a novas existências. Para que não lhe possam imputar excessiva severidade, dá-lhes Ele todos os aspectos da inocência. Ainda quando se trata de uma criança de maus pendores, cobrem-se-lhe as más ações com a capa da inconsciência. Essa inocência não constitui superioridade real com relação ao que eram antes, não. É a imagem do que deveriam ser e, se não o são, o conseqüente castigo exclusivamente sobre elas recai. Não foi, todavia, por elas somente que Deus lhes deu esse aspecto de inocência; foi também e, sobretudo por seus pais, de cujo amor necessita a fraqueza que as caracteriza. Ora, esse amor se enfraqueceria grandemente à vista de um caráter áspero e intratável, ao passo que, julgando seus filhos bons e dóceis, os pais lhes dedicam toda a afeição e os cercam dos mais minuciosos cuidados. Desde que, porém, os filhos não mais precisam da proteção e assistência que lhes foram dispensadas durante quinze ou vinte anos, surge-lhes o caráter real e individual em toda a nudez. Conservam-se bons, se eram fundamentalmente bons; mas, sempre irisados de matizes que a primeira infância manteve ocultos.

Como vedes, os processos de Deus são sempre os melhores e, quando se tem o coração puro, facilmente se lhes apreende a explicação.

Com efeito, ponderai que nos vossos lares possivelmente nascem crianças cujos Espíritos vêm de mundos onde contraíram hábitos diferentes dos vossos e dizei-me como poderiam estar no vosso meio esses seres, trazendo paixões diversas das que nutris, inclinações, gostos, inteiramente opostos aos vossos; como poderiam enfileirar-se entre vós, senão como Deus o determinou, isto é, passando pelo tamis da infância? Nesta se vêm confundir todas as idéias, todos os caracteres, todas as variedades de seres gerados pela infinidade dos mundos em que medram as criaturas. E vós mesmos, ao morrerdes, vos achareis num estado que é uma espécie de infância, entre novos irmãos. Ao volverdes à existência extraterrena, ignorareis os hábitos, os costumes, as relações que se observam nesse mundo, para vós, novo. Manejareis com dificuldade uma linguagem que não estais acostumados a falar, linguagem mais vivaz do que o é agora o vosso pensamento. (319)

A infância ainda tem outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas. Assim, portanto, a infância é não só útil, necessária, indispensável, mas também conseqüência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.

5) O Cuidado dos pais e dos filhos: Apesar dos ensinamentos, todos devemos nos precaver contra ataques de espíritos obsessores encarnados e desencarnados que não querem o nosso progresso, e induzem-nos ao erro e a atos maus contra outras pessoas. Por isso devemos sempre Orar e Vigiai, como disse Jesus, manter nossos pensamentos no bem e orarmos sempre que necessário.

No Livro dos espíritos encontramos:

459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?
Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.

460. De par com os pensamentos que nos são próprios, outros haverá que nos sejam sugeridos?
Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais que, freqüentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o mesmo assunto, não raro, contrários uns dos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes em vós duas idéias a se combaterem.

461. Como havemos de distinguir os pensamentos que nos são próprios dos que nos são sugeridos?
Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibais fazê-la. Não a fazendo, obra o homem com mais liberdade. Se se decide pelo bem, é voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho, maior será a sua responsabilidade.

660. A prece torna melhor o homem?
Sim, porquanto aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. É este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.

a) - Como é que certas pessoas, que oram muito, são, não obstante, de mau caráter, ciosas, invejosas, impertinentes, carentes de benevolência e de indulgência e até, algumas vezes, viciosas? O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas supõem que todo o mérito está na lonjura da prece e fecham os olhos para os seus próprios defeitos. Fazem da prece uma ocupação, um emprego do tempo, nunca, porém, um estudo de si mesmas. A ineficácia, em tais casos, não é do remédio, sim da maneira por que o aplicam.

6) E se os filhos caírem nos erros: Segundo nosso mestre Jesus, devemos perdoar Setenta vezes, sete vezes, pois são nossos filhos e devemos estar a seu lado em todas as horas. Deus que igualmente é pai de todos nós, sempre perdoa nossas falhas, e por que não nós não perdoamos nossos filhos. Mas assim como Deus faz, os pais devem passar aos seus filhos o amor e o carinho, mas seus filhos devem ser responsáveis pelos atos praticados, sabendo que terão conseqüências nesta ou numa vida futura. Procurar incentivar seus filhos a não cair no mesmo erro e que eles possam ter atitudes mais cristãs, pois só com o bem podemos reparar o mal que fazemos.

No Livro dos Espíritos encontramos:

892. Quando os filhos causam desgostos aos pais, não têm estes desculpa para o fato de lhes não dispensarem a ternura de que os fariam objeto, em caso contrário?
Não, porque isso representa um encargo que lhes é confiado e a missão deles consiste em se esforçarem por encaminhar os filhos para o bem (582-583). Demais, esses desgostos são, amiúde, a conseqüência do mau feitio que os pais deixaram que seus filhos tomassem desde o berço. Colhem o que semearam.

7) O Aborto: Em nenhum momento, nem mesmo as mães grávidas, nem as filhas grávidas, não devem cometer o aborto. Pois desde o momento da concepção, já há um ser vivo no útero da mãe, o espírito já esta ligado a este novo ser. O aborto só é permitido caso a mãe corra risco de vida. Toda pessoa que cometer o aborto, deve estar consciente do crime que cometeu e que terá que responder por seus atos numa vida futura. Mas nada está perdido, com DEUS é amor ele sempre dá uma chance a seus filhos, quem cometeu o aborto, deve procurar fazer o bem, se possível, adotar uma criança abandonada para reparar o erro.

No Livro dos espíritos encontramos:

357. Que conseqüência tem para o Espírito o aborto?
É uma existência nulificada e que ele terá de recomeçar.

358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?
Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.

359. Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se à primeira para salvar a segunda?
Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.

Neste texto de Emmanuel, psicografado por Francisco Candido Xavier (Chico Xavier), temos um resumo do sexo:

VIDA E SEXO

Que os problemas do sexo agitam atualmente vastos setores da vida humana, é incontestável. De que forma, porém, as teses do sexo são tratadas do Plano Espiritual para o Plano Terrestre?

Semelhante indagação, repetidamente endereçada a nós outros - pequenos servidores desencarnados -, motivou a formação do despretensioso volume que oferecemos aqui aos leitores amigos. Com ele, não disputamos qualquer posição nova, ante os devotados lidadores da psicologia moderna que hoje esquadrinham os meandros da alma humana, para benefício da saúde mental da comunidade. Com as nossas ligeiras páginas, tão-somente desenvolvemos conceitos formulados na Codificação Kardequiana, para demonstrar que as proposições, ao redor do sexo, apaixonadamente focalizadas, na atualidade da Terra, foram objeto de criteriosas anotações do Mundo Espiritual, no século passado, na previsão dos choques de opinião, em matéria afetiva, que a humanidade de agora enfrenta.

Nada mais realizamos que reformular o pensamento e a definição dos Mensageiros Benevolentes e Sábios que orientaram Allan Kardec, nos primórdios da Doutrina Espírita, em sua função de Consolador Prometido ao mundo pelo Cristo de Deus.

E para não mais nos delongarmos em considerações desnecessárias, concluiremos que, em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes:

Não proibição, mas educação;
Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo;
Não indisciplina, mas controle;
Não impulso livre, mas responsabilidade;

Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois, aprender ou reaprender com a experiência.

Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um.

EMMANUEL

Enfim, devemos todos nós, pais e filhos, seguir os ensinamentos de Deus e de Jesus, seguir seus exemplos, amar o próximo como a ti mesmo, fazendo tudo em nossas vidas com amor e responsabilidade.

Fonte:

www.jhbaldin.com/espirita.htm

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS:

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC - FEB
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - FEB
VIDA E SEXO - EMMANUEL (FRANCISCO CANDIDO XAVIER) - FEB

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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