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Richard
Simonetti
Após a fecundação
do óvulo pelo espermatozóide o Espírito reencarnante é ligado ao embrião,
constituindo um ser humano que habitará ventre materno por nove meses,
protegido em sua fragilidade até que possa enfrentar o mundo exterior. O aborto
situa-se, assim, como uma desencarnação.
Se natural,
quando o organismo materno não consegue sustentar o desenvolvimento da criança,
configura uma provação relacionada com infrações às leis divinas, tanto para os
genitores, que experimentam a frustração do anseio de paternidade (acresçam-se
na mulher os sofrimentos e incômodos decorrentes da interrupção da gravidez),
quanto para o reencarnante, que vê malogrado seu anseio de retorno à carne.
Já o aborto
criminoso configura um crime hediondo, nem sempre passível de punição pela
justiça humana (em alguns países a legislação faculta à mulher o direito de
arrancar o filho de suas entranhas, matando-o), mas inexoravelmente sujeito às
sanções da Justiça Divina, a atingir não apenas a gestante, mas também os que
direta ou indiretamente envolvem-se com ele (familiares que o sugerem e profissionais
que o executam).
A mulher que
assassina o filho indefeso na intimidade de si mesma, sob a alegação de que é
dona de seu corpo, usa um sofisma materialista. Nosso corpo é um empréstimo de
Deus para a jornada humana. Muito mais que direitos temos deveres vinculados ao
seu uso. O primeiro é o de preservá-lo, utilizando-o disciplinadamente, com
consciência de suas necessidades. O segundo é o de respeitar a vida gerada
dentro dele, em obediência aos desígnios divinos, porquanto ao Criador compete
decidir sobre os destinos da criatura.
A literatura
espírita é pródiga em exemplos sobre as conseqüências funestas do aborto
delituoso, que provoca na mulher graves desajustes perispirituais, a refletirem-se
no corpo físico, na existência atual ou futura, na forma de câncer, esterilidade,
infecções renitentes, frigidez...
Problemas dessa
natureza, freqüentes na atualidade, demonstram com propriedade como está
disseminada essa prática criminosa. Muitas mulheres chegam ao cúmulo de usar
habitualmente substâncias químicas abortivas sempre que ocorre atraso
menstrual, sem cogitar se estão grávidas. Semeiam aflições que fatalmente
colherão...
No aborto natural
o Espírito retorna à Espiritualidade sem maiores problemas. Bem tênues são os
laços que o prendem ao corpo, não apenas por se tratar de início do processo
reencarnatório, mas também em face do mal determinante do desencarne, que o
situa como paciente terminal.
Consumada a desencarnação,
o Espírito poderá reassumir sua personalidade anterior, voltando ao que era,
com acréscimo da breve experiência. Se não detiver suficiente maturidade mental
para isso, permanecerá na Espiritualidade como um recém-nascido, à espera do
concurso do tempo, que o habite a retomar a consciência de si mesmo, ou
preparando-se para novo mergulho na carne.
No aborto
criminoso a situação é mais complexa. O Espírito sofre o trauma provocado pela
morte violenta, embora amenizado pelo fato de não estar comprometido com os
enganos do mundo. Tratando-se de algo não programado, fruto da irresponsabilidade
dos pais, sua frustração será maior.
A readaptação
será semelhante à do Espírito vitimado pelo aborto natural. Considere-se,
entretanto, que, se moralmente imaturo, sua expulsão poderá provocar nele
acirrado rancor contra os pais, transformando-o em perseguidor implacável
daqueles que recusaram conceder-lhe a oportunidade do recomeço.
Muitos males que
afligem a mulher, após o crime do aborto, prolongando-se indefinidamente, não
obstante os recursos da Medicina, nascem dessa influência.
Do livro: Quem tem medo da
morte?
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