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Raimundo de Moura Rêgo Filho
Gente,
nosso tema de hoje é importante demais, já que do desconhecimento dele, muitos
de nós acabamos por aumentar a dor que realmente sentimos.
Comecemos
pelo esquecimento do passado.
Antes
de constituir-se em obstáculo ao aproveitamento de nossas vivências anteriores
– digo vivências porque ao espírito só é dada uma vida, o que ele vem por
experimentar em nosso orbe, são múltiplas vivências, já que espíritos não
morrem, não é mesmo?
Acredito
que alguns já começaram a entender que o esquecimento do passado é, antes de
tormento, uma dádiva de Mais Alto, que nos ajuda a reerguer o edifício de nossa
ascensão espiritual.
Ele
nos deixa em vantagem contra as imperfeições que ainda mantenhamos insculpidas
em nossa psique profunda e nos livra de vários comprometimentos que fatalmente
teríamos visto que ainda somos espíritos nos primeiros passos da caminhada
evolutiva.
É
este estado ainda primário de evolução espiritual, que possibilitaria, se nos
lembrássemos do passado, ocasiões onde ou teríamos exaltados o orgulho ou a
vaidade, ou nos sentiríamos humilhados, como vamos passar a ver.
Imaginemos
que tivéssemos a lembrança de nossas faltas pretéritas, isso ao invés de nos
ajudar, a grosso modo acarretaria uma dificuldade ainda maior, visto que o
saber daquelas faltas sem a compreensão e a resignação para suportarmos o sofrimento
de hoje acarretado justamente por elas, induziria o espírito encarnado, a acometimentos
mais das vezes nefastos à ele próprio.
A
quantos a lembrança das faltas perpetradas por outrem poderia exaltar o
sentimento antigo do ódio nutrido, da vingança e até de crimes que seriam
cometidos? Vejam este exemplo: Suponhamos que o meu maninho Edu e eu, tivéssemos sido inimigos no
passado, que vivêssemos de troca de farpas e acometimentos de más ações um para
com o outro. Pois bem, Se nos lembrássemos os dois, ou pior, se me lembrasse
eu, por primeiro, de tudo o que o Edu, houvera me feito sofrer na outra vida,
por certo que eu , no estado ainda de imperfeição espiritual que passo, agiria
de forma a me vingar daquelas dores passadas, ou ele de mim não é o q eu
poderia acontecer? Ora, isso antes de me conceder a honra da vingança me
acarretaria dívida outra que me aumentaria o débito no Banco do Espírito. Não
esqueçamos que já estamos nesta encarnação, de começo, com saldo negativo em
virtude de nossas faltas pretéritas. Quanto entrave esse aumento do meu saldo
devedor, me acarretaria, quanto eu deixaria de progredir espiritualmente,
quantas dores e sofrimentos acarretaria para mim?
Ora,
sabemos que Deus é soberanamente Bom e Justo, logo não iria dispor de um plano
de regeneração espiritual, pelo óbolo da Reencarnação, se não fosse com vistas
ao progresso espiritual de todos nós, não é mesmo? Por isso é tão importante e
salutar o esquecimento do passado meus amigos.
Vejamos
o que nos diz o Evangelho: “em todas as circunstâncias, estas lembranças
acarretariam, notável perturbação nas relações sociais.” Caramba! Vejam vocês,
se ainda pelo presente do esquecimento do passado, existem os Bin Ladens e os
Bush, os maníacos do parque e as feras da Penha, nosso planetinha de provas e
expiações por certo seria muito mais conturbado se tais lembranças nos fossem
deixadas ter não?
Notem:
Nascemos, mais das vezes, em meio ao
mesmo ambiente pretérito em razão dos vínculos que contraímos, quer afetivos,
quer provacionais. Portanto, estamos por restabelecer, hoje, relações comuns,
com os mesmos espíritos de antes, muitas vezes afim de reparar males a eles
perpetrados. Imaginem a dor, e a humilhação a que eu estaria relegado vivenciar
ao ver no Edu, o alguém que me houvera ultrajado no passado e que hoje me vem
como chefe, no escritório... Qual a possibilidade de resgate que eu teria,
visto que meu mote mais das vezes seria o de me vingar dele?
Mas
a Justiça e Bondade do Supremo Arquiteto do Universo houve de proporcionar,
visando nossa melhora, o que mais necessitávamos: A voz da consciência e as
tendências instintivas. Privando-nos do que nos seria prejudicial, a lembrança.
Gente,
sempre afirmo que a morte não é salvo conduto para a santidade, levamos e
trazemos quando de nossas idas e vindas à terra, todo o conjunto de aquisições
intelecto-moral que hajamos auferido nas diversas vivências a que já tenhamos
experimentado, esta afirmação é pautada
na Doutrina e nos é passada pela espiritualidade superior quando nos ensina: o
retorno à pátria do Espírito, não conduz ninguém a estado melhorado, a não ser
pelo trabalho próprio, árduo e difícil, de regeneração, e este trabalho é
produto da vontade do espírito que bem pode tê-la, ou simplesmente, negar-se a
ele. Afinal temos o Livre Arbítrio não é mesmo?
Alias,
estes, o Livre Arbítrio e a capacidade
de raciocínio, presentes de Deus somente ao homem, são dois fatores ou ferramentas
que aditados ao progresso que tenhamos haurido em vivências anteriores, nos
permite chegar, nesta romagem pela qual passamos, como se estivéssemos a começar do ponto de
partida.
Como
se vê, de nada nos adiantaria saber o que fomos ou fizemos no passado. Se somos
hoje, punidos, é que obramos em erro no passado, nossas ações atinentes à
moral, nossas falhas de conduta, todas as nossas ações no hoje que vivenciamos,
dão-nos a pálida idéia do que e de quem fomos, por isso urge a hora de trabalharmos
em nossa reconstrução, amigos. Corrigindo nessa vivência, todos ou a maior
parte de nossos atos errados de antes, possibilitamos a nós mesmos, a
experimentação de nova reencanação em moldes mais ditosos, menos sofridos,
portanto, até por malandragem é interessante que atuemos no sentido de saldar
nosso débitos.
Nossas
boas obras são a voz de nossa consciência advertindo-nos do que é o Bem e do
que é o Mal, dando-nos a força e a vontade para que resistamos às tentações.
O
Esquecimento do passado ocorre tão somente em nosso estado de vigília, assim é
que num átimo em que o espírito se veja lograr fora do habitáculo carnal, nosso
corpo, ele recobra as lembranças de todos os fatos, de todas as obras que haja
feito em suas existências. Logo, não há senão uma interrupção passadiça, que
experimentamos quando na carne. O próprio sono
de todas as noites não obsta que venhamos a nos lembrar, no dia seguinte,
de tudo o que tenhamos feito no dia que passou não é verdade?
São
essas lembranças, experimentadas nos períodos que o espírito tem fora dos
liames carnais, que o faz sofrer, e ele sofre, mas sofre justamente por saber
porque sofre.
Mas
não seria nem Justo nem Bom o Criador, se não nos desse ferramentas para que
suportássemos melhor as dores que nós mesmo provocamos e este é nosso assunto
seguinte, Motivos de Resignação:
Por
certo o sofrer vem por trazer aflição aos padecentes, mas a resignação com que
encaremos o que sofremos, é-nos o bálsamo que precisamos, fazendo-nos, mais das
vezes bendizer o sofrimento. Sendo deste, o prelúdio da cura. Não fora assim,
não teria o Rabi afirmado: “Bem aventurados os aflitos, pois que serão consolados”.
Mas
há entre nós, ainda hoje, aqueles que não aceitem este fato e a eles cabe a
explicação:
O
considerar-se feliz por sofrer induz-nos ao pensamento acertado de que estejamos
a saldar nossas dívidas pretéritas. Se suportadas com paciência, esses sofrimentos
nos poupam séculos de dores na vida
futura. Esta a razão pela qual a espiritualidade sempre nos avisa para que
observemos a resignação.Tal proceder, aliviando a dor do sofrimento, nos
garante mais tranqüilidade na vida futura.
Diz
o Evangelho Segundo o Espiritismo, “O homem que sofre assemelha-se a um devedor
de avultada soma a quem o credor diz: “sem me pagares hoje mesmo a centésima
parte do que me deves, quitar-te-ei do restante da dívida e ficarás livre. Se
não o fizerdes, atormentar-te-ei até que
pagues a última parcela”. Ora, quem n ão
se sentiria mais tranqüilo ao saber que ao cabo do pagamanto desta centésima
parte de dívida tão avultada, ver-se-ia livre do restante do débito? Embora
tenha sofrido, não ficaria agradecido a seu credor?
Este
o sentido da frase, “Bem aventurados os aflitos, pois que serão consolados”.
Mas
notem, de nada vale o quitar-se essa dívida se nos endividamos novamente...
Assim jamais poderá alcançar sua libertação. Nova falta, nova dívida, novo
sofrer, porque a nenhuma falta poderemos nos furtar ao pagamento. Se não for
hoje, será amanhã, se não for nesta encarnação será na vindoura. Esta a Lei de
Causa E Efeito meus amigos e ela vige, inexoravelmente.
Entretanto,
pode o espírito encarnado suavizar ou aumentar o amargor de suas provas,
conforme encare sua passagem pela terra tanto mais sofrendo por avaliar
erradamente a extensão e peso de seu sofrimento. Só aquele que encara sua
tribulação pelo prisma da vida Espiritual, entende rapidamente a encarnada. Vê
a esta como um pequeno ponto no infinito, compreende o quão curto é e reconhece
que este momento penoso terá logo o seu final.
A
certeza de um futuro mais feliz dá-lhe sustentação e o anima, e ele, longe de
lamuriar agradece, porque as dores o fazem avançar. De modo diverso, aquele que
se queixa e só vê a vida na carne, como
interminável lhe parece o sofrimento, tornando mais pesado o seu fardo. Desse
estado de espírito dimana a maior parte dos suicídios.
Pobre
desse espírito acaba por mais se endividar... Quão errado o pensar que a morte
lhe frustraria o sofrer, que ele não mais agüenta, que o simples desligar-se
desse planeta lhe trouxesse a felicidade e a calma.
A
incredulidade e a dúvida minam nossas resistências e colocam-nos sob o aguilhão do sofrimento
mais pronunciado. As idéias materialistas são também outro obstáculo à resignação
e à obtenção da tranqüilidade.
Este
dois fatores levam também ao acometimento da covardia moral, que incita a mente
ao suicídio. Aqueles que concorrem de qualquer modo para a produção destes
pensamentos, tornam-se por isso, responsáveis, espiritualmente falando, as
idéias que indicam à visão de existência
única incitam aos fracos e vacilantes ao suicídio, como forma de dar fim ao
sofrimento por que passam.
O
Espiritismo vem por explicar tudo isso e revelar a vida após esta vida, deixa
impossibilitado de dúvida àquele que o estuda e compreende suas máximas,
mudando assim todo o aspecto primário do entendimento da vida.
Aquele
que entende que a vida se estende para além do túmulo, faz por si mesmo todo o
possível para que em momentos depois , em nova romagem, esta se lhe torne tão
mais prazerosa quanto tenha feito por merecer.
O
Espiritismo ainda nos trás, pela psicofonia e
pela psicografia, as mensagens de nossos irmãos que estão fora da carne
e nos dão o testemunho de que a vida se estende por todo o sempre, deixando-nos
mais confiantes e emprestando-nos mais motivos para que estejamos a empreender
sempre, trabalho profícuo em direção de nosso aperfeiçoamento moral. Mostra-nos também, o quanto sofrem, na
erraticidade, aqueles que desprezando a vida na carne dela se afastaram pelo
suicídio, mesmo que involuntários, Vede André Luis...
Termino,
lembrando André, porque vejo nele o exemplo do esforço feito enquanto fora da
carne, todo e qualquer espírito tenha de se proporcionar, tendo em vista o
progresso dele próprio.
André
Luis. Suicida antes, Repórter do Além, hoje.
Muita
Paz.
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