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Hospitais Espíritas - A Importância da Otimização Terapêutica nos Transtornos Espirituais

 

 

Dr. Vitor Ronaldo Costa

vitorrc@turbo.com

 

"A ciência espírita progrediu como todas as outras, e mais rapidamente do que as outras;" (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, Capítulo XIII, item 152).

 

O crescente número de distonias mentais graves soa como um verdadeiro desafio àqueles que têm sob sua responsabilidade os destinos de hospitais espíritas. Oferecer ao paciente algo mais além da assistência psiquiátrica de elevado padrão é compromisso de honra das instituições que ostentam o rótulo de espírita. Isto significa dizer que não basta apenas o conforto material, as modernas técnicas de terapia ocupacional, a oferta de medicamentos de última geração e um excelente apoio psicoterápico. Aqueles que optam por uma instituição hospitalar de caráter espírita não estão preocupados apenas com a modernidade do tratamento clássico, pois isto é obrigação fundamental de qualquer hospital psiquiátrico na atualidade. O que se espera, em verdade, é a análise mediúnica detalhada de cada caso e o cuidado permanente do ponto de vista espiritual em concomitância com o apoio médico. O que se deseja é o empenho na aplicação da metodologia de pesquisa psíquica mais adequada a cada caso em particular. Se habitualmente o paciente recebe da medicina clássica a atenção individualizada, em se tratando de instituição hospitalar espírita, mais do que nunca, o doente faz juz ao recurso espiritual de forma personalizada, pois reconhecemos que os casos ali presentes são graves, dotados de peculiaridades desconhecidas da medicina e merecedores de atenções redobradas por parte das equipes mediúnicas.  

O paradigma kardequiano, rico em conceitos inovadores, sustenta a visão pluridimensional do ser encarnado, destaca a mediunidade ostensiva como expressiva aptidão humana e alerta quanto aos graves cometimentos de ordem obsessiva, incentivando, inclusive, o emprego de metodologias que visam o combate ao mais virulento dos agentes etiológicos conhecidos - o próprio ser humano ­-, imerso no ódio sem limites e acobertado pela invisibilidade do plano astral. Aliás, somos sabedores de quanto o espírito odiento, por vingança, pode afetar suas vítimas encarnadas.

A subjugação espiritual responsabiliza-se por grande número de enfermos psiquiátricos. Mesmo que o transtorno se revista de características expiatórias, a prática demonstra a presença do agravante obsessivo a requerer cuidados específicos não dispensados pela medicina tradicional, pois os espíritos agressores aproveitam as brechas cármicas e intensificam o sofrimento de caráter retificador vivenciado pelo enfermo da alma.

A mediunidade, neste contexto, é o instrumento indispensável ao diagnóstico de certeza das enfermidades obsessivas. Desde que bem conduzida, permite identificar não só a presença dos desencarnados responsáveis pelo desencadeamento ou agravação do distúrbio, bem como o "modus operandi" da ação enfermiça.

Inquestionavelmente, do ponto de vista "médico-espírita", o aspecto científico do Espiritismo é um convite ao estudo permanente e ao desenvolvimento prático de novas técnicas mediúnicas voltadas para o diagnóstico e tratamento das inúmeras espiritopatias. Nesse ponto, o próprio Allan Kardec depositava uma grande esperança na prática desobsessiva. Era como se ele pressentisse a convergência inevitável entre a Medicina e o Espiritismo, senão vejamos:

"Foi pela mediunidade que inimigos ocultos traíram a sua presença; ela fez com eles o que o microscópio fez com os infinitamente pequenos; revelou um novo mundo." (1)

"A Medicina, não considerando senão o elemento material ponderável, se priva, na apreciação dos fatos, de uma causa incessante, de ação." (2)

"Entre aqueles que são tratados por loucos há muitos que não são senão subjugados;...Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essas distinção e curarão mais doentes do que com as duchas."(3)

E assim por diante, pois bem.

Na edição de Junho/2001, do periódico espírita "A Nova Era", encontramos oportuna entrevista com o Dr. Cleomar Borges de Oliveira a respeito do emprego da Apometria no âmbito assistencial espírita, inclusive, no Hospital Allan Kardec de Franca. Para os que não sabem, a Apometria é uma metodologia magnética de desdobramento induzido do perispírito, hoje aplicada em inúmeras reuniões mediúnicas de caráter desobsessivo por este Brasil afora. Desenvolvida pelo saudoso confrade, Dr. José Lacerda de Azevedo, de Porto Alegre, esta metodologia magnética desponta, no momento, como recurso assistencial da mais alta valia dispensado aos casos graves de transtornos espirituais e, portanto, necessitados de internações hospitalares.

Louvamos as informações judiciosas do Dr. Cleomar prestadas ao entrevistador, sobretudo, quando este interrogou-lhe a respeito dos resultados práticos obtidos com os internados do HAK. Eis as suas palavras:

" Nossas observações de pacientes submetidos também ao tratamento apométrico são muito encorajadoras e os resultados têm-se mostrado acima da expectativa. São, por vezes, surpreendentes."(Grifo nosso)  

Particularmente, acredito que no meio "médico-espírita" seja grande o interesse pela técnica apométrica, haja vista a quantidade de correspondência que recebemos diariamente de vários colegas e confrades do Brasil e de Portugal, interessados em se familiarizarem com o assunto por intermédio de cursos e treinamentos específicos.

À medida que os profissionais de saúde, engajados no contexto doutrinário, despertem o interesse para o emprego das modernas metodologias de investigação psíquica, maiores serão as esperanças dos enfermos graves internados em nossos hospitais.

Infelizmente, inúmeras instituições que abrigam centenas e centenas de pacientes psicóticos em regime de internação ostentam indevidamente a condição de espírita, pois em verdade, não dispensam aos enfermos a terapêutica mediúnica de natureza profunda, consistente em seus objetivos e válida como exemplo de medicina holística de vanguarda.

Por isso, sugerimos aos hospitais que praticam sessões mediúnicas à guisa de desobsessão coletiva (e assim mesmo são pouquíssimos) que experimentem focar cada paciente de forma individualizada e ficarão surpreendidos com os resultados obtidos.  

Por isso, aplaudimos as instituições que albergam um número de internos, compatível com a possibilidade do emprego criterioso da terapêutica espírita centrada na pessoa.  

Talvez estes comentários não agradem a muitos, todavia, diante dos resultados significativos colhidos na prática com o concurso da Apometria, em nível hospitalar, eu seria leviano se sustentasse o contrário.  

Ainda bem que a Apometria ganha corpo no âmbito doutrinário, mormente entre os confrades desprovidos de preconceitos injustificáveis. Quando um dia, a honestidade de propósitos for colocada acima dos interesses materiais, certamente nossos enfermos psiquiátricos receberão dos nosocômios espíritas maiores doses de atenção e de tratamento condizentes com as suas necessidades reais. Vivenciaremos, então, uma época promissora em que os espíritos de notáveis médicos que dignificaram a causa da medicina espírita no Brasil e que desencarnaram pobres, mas honrados - a exemplo de Bezerra de Menezes, Inácio Ferreira, José Lacerda de Azevedo e outros -, exultarão na espiritualidade, vendo os seus esforços perpetuados por uma nova legião de profissionais da saúde com a formação espírita e perfeitamente identificados com os ideais supremos de bem servir ao próximo.

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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