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Vinícius Lousada - RS[1]
“Tampouco
deveis recusar a admissão dos jovens.A
gravidade da assembléia espírita beneficiará o seu caráter. – Allan Kardec[2]
Qual
deverá ser o espaço do jovem no
centro espírita? Esta é uma questão que sempre surge nas atividades
doutrinárias, em que embalados pela mensagem luminífera do Espiritismo, os
jovens reúnem-se alegremente a fim de confraternizar com aqueles que seu
pensamento do deles se aproxima.
Aliás,
o espírito reencarnado, estando na fase da adolescência, atravessa uma
efervescência de transformações, sejam elas biológicas, na maturação orgânica,
ou psíquicas, que vão desde o emergir do inconsciente as aquisições e
comportamentos do próprio espírito até a necessidade psicológica de individuação
em relação à sua família num processo de afirmação do eu, como também de identificação com o seu grupo, com a sua tribo,
visando fortalecer um sentimento de pertencer à alguma coisa ou de se ter
referência.
Essa
necessidade de encontrar seu espaço na sociedade, um território em que possa
opinar, criar e transformar – até porque o jovem carrega consigo ventos de mudança e precisamos
compreendê-lo –, é uma busca constante da juventude. E os jovens espíritas que se
apaixonam pela Doutrina dos Espíritos e querem servir a Jesus, também procuram
um espaço para atuar na casa espírita a que se afeiçoaram, ou por se
identificarem com a proposta doutrinária e com o modo operacional da instituição ou porque encontram afinidade e
confiam nas pessoas ali presentes, querendo também se dedicar ao ideal da sublime
legenda da ação social espírita: “Fora da
caridade não há salvação.”[3]
Os jovens querem mudar o mundo, derrubar o dragão do sistema desse “egoísmo globalizado” e das maneiras que
forem possíveis; porém quando cooptados pelo materialismo – tão bem representado pelo consumismo das coisas ou dos outros –, acabam algumas vezes
esquecidos da necessidade da conquista de
si mesmo, finalidade real do fato de aqui estarmos reencarnados.
Já, os jovens espíritas, que não
deixarão de ser jovens porque são espíritas, ao descobrirem em si e na sua vida
uma finalidade superior, também querem mudar o mundo, fazer alguma coisa para
vencer o imobilismo perante às discrepâncias sociais e vêem em Cristo um ideal a
ser vivido, muito mais do que discursado.
Estes
jovens querem atuar na casa espírita e no mundo por amor à Causa Espírita e seu espaço nessa deverá ser o que toda a pessoa
que queira conhecer e praticar o Espiritismo deve ter. Até porque, na casa
espírita não se pode conceber que exista um apartheid,
segregando-se os jovens e nem os idosos como às vezes, tristemente notamos. São
relegados ao segundo escalão os mais
idosos, ignorando-se muitas vezes o seu
verdadeiro heroísmo nas primeiras horas da implantação do Espiritismo em suas
localidades e os jovens, por sua vez, são cozinhados
numa fervura morna, muitas vezes de desconfiança ou indiferença, como acontece
inclusive na realidade do mundo do trabalho. Nós, dirigentes espíritas não
podemos medir as pessoas pela aparência, pela sua exterioridade ou pela
roupagem física que concebemos ser transitória, para recrutá-las aos serviços
de Jesus; necessitamos sim envolvê-las em atividades concernentes com o grau de responsabilidade
que sejam portadoras, pois sabemos que um dia vamos desencarnar e é preciso que
os outros, com a nossa colaboração e atenciosa orientação, nos substituam nas
tarefas para que o seu desenvolvimento não seja prejudicado em virtude de nossa
ausência.
Não
se trata aqui de uma visão ingênua de dar aos jovens (ou a qualquer pessoa) o
direito de reproduzirem no núcleo espírita tudo aquilo que o mundo materialista
ou as merco-religiões apresentam,
para mantê-los cá dentro com o pensamento lá fora, desnaturando-se assim a
tarefa de estudo e vivência da veneranda Doutrina dos Espíritos.
Quando
Allan Kardec propõe a inclusão do jovem
espírita nas reuniões, está dando-nos o ensejo de perceber algo muito
significativo no campo da educação espírita. A gravidade da assembléia espírita
a qual ele se refere está vinculada à profundidade das temáticas abordadas e a
sua relevância para a vida de todos nós, trazendo-nos numa leitura reflexiva
sobre seus postulados exarados na Codificação,
a conscientização da grande máxima: “Nascer,
viver, morrer, renascer ainda, e progredir sem cessar, tal é a lei”[4]
Conscientização essa que se
configura em saber que é vivido, ou saber que ilumina nossa prática social ao
mesmo tempo que é seu produto, conferindo-nos um novo paradigma, capaz de
ampliar nossa visão de mundo e orientar nossas atitudes diante de nós mesmos e
dos outros seres da Criação. E essa consciência, quando construída pelo jovem
dá um novo rumo à sua vida, com vistas ao despertar dos compromissos
iluminativos que assumiu antes de reencarnar, sob a sábia orientação dos Mentores Espirituais.
O
papel do jovem na casa espírita, indiscutivelmente é o de todo o espírita
sincero, daquele que quer melhorar-se de fato e é Allan Kardec que nos orienta
nesse sentido: “Quem deseja, de maneira
sincera e séria, trabalhar por sua própria melhoria, deve analisar a caridade
em seus mínimos detalhes e por ela conformar sua conduta, pois ela se aplica a
todas as circunstâncias da vida, tanto às mais simples, quanto às mais
complexas.”[5]
Desse
modo, não temos o direito de ignorar a presença dos jovens na casa espírita,
deixando de lhes fornecer uma atividade educativa de qualidade, onde possam não
somente estudar mas também emprestar sua saúde, força e inteligência às
atividades inerentes à divulgação do Espiritismo. E os mesmos precisam atentar
a necessidade de somar esforços com os mais
experientes, para que em nossa messe
possamos colaborar com Jesus na transformação da Terra para um planeta de regeneração.
Quanto ao espaço ou papel
de qualquer pessoa que queira atuar na Seara Espírita, independentemente de faixa etária, recordemos
o Mestre Jesus quando advertiu aos seus discípulos: “Se alguém quer ser o primeiro, será o servo de todos.”[6]
Acreditamos que o nosso compromisso consiste em
transformarmos a nós próprios no exercício de uma caridade libertadora,
numa ação amorosa em prol dos que são pauperizados
pela violência – nas suas diversas faces – resultante do egoísmo que ainda
reina em nosso mundo, como também através da libertação de nós mesmos do mal da indiferença, mediante a prática
perseverante do Bem junto aos sofredores.
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