|
Richard
Simonetti
Embora seja o
Centro Espírita sagrado instituto de iniciação espiritual, vezes inúmeras
procuramos mais pela necessidade de ajuda que pelo desejo de aprender.
É quando nos
sentimos dominados pela depressão e indefinível sensação de mal-estar nos
oprime; é quando dores não diagnosticáveis nos torturam e o desânimo nos sitia;
enfim, é quando, segundo a terminologia espírita, somos visitados pela
perturbação.
Ao contacto do
ambiente balsâmico, sob efeito da palavra amiga de dedicados orientadores, e
experimentando o benefício do passe magnético, aplicado por especialistas do
Além, sentimo-nos reanimados e regressamos ao lar qual se houvéramos recebido
poderosa medicação estimulante — infelizmente mal assimilada, porque em breve
recrudescem aqueles males, a nos distanciarem da tranqüilidade.
É o nosso Carma!
— dir-se-ia. Mas semelhante raciocínio nem sempre é admissível. Assim como o
distúrbio da digestão é antes conseqüência do excesso alimentar do que sintoma
de úlceras, nossas freqüentes perturbações refletem muito mais os desajustes do
presente que os desastres do passado. Assim como a glutonaria é fator de
desequilíbrio orgânico, a intemperança mental é porta aberta para a invasão das
sombras.
Por isso, a
auto-análise, que possibilite identificar as falhas de nossa personalidade e
seus reflexos na conduta diária, é preliminar indispensável no esforço da
renovação, a fim de que o mal desapareça em definitivo e perdure a harmonia.
Todavia, nem
sempre nos preocupamos com esta questão e, quando o fazemos, é de forma
superficial, distanciada da realidade.
“— Hoje não me sinto bem psiquicamente. Que
terei feito de errado ontem?
“Pela manhã não
esqueci a oração, e estudei “O Livro dos
Espíritos” com atenção. Discuti com um vendedor que pretendia impor mercadoria
inferior por alto preço. Deixei bem claro que não sou tolo!
“Dediquei-me ao
serviço no escritório, durante a tarde, sem tempo para cogitações inferiores. O
único incidente de que me recordo é que passei severa descompostura em alguns
subordinados distraídos em conversa. Era preciso manter a ordem!
“À noite
compareci ao serviço mediúnico. A palestra do orientador espiritual foi
magnífica. Quantas lições! Após a sessão, conversei com alguns companheiros.
Lembro-me de que lhes falei a respeito de um confrade. Alertei-os de que se
trata de pessoa mesquinha, que não merece confiança nem respeito.
“Que terei feito de mal?”
Neste breve
monólogo podemos observar como é fácil identificar esclarecimento, disciplina e
advertência em três atitudes que a Doutrina dos Espíritos classificaria, mais
acertadamente, como agressividade, prepotência e maledicência, fatores de
sintonia com as esferas inferiores, o grande celeiro de perturbações.
À medida que nos
aprofundamos no estudo da Terceira Revelação, melhor percebemos a grandiosidade
da lição legada por Jesus ao recomendar oração e vigilância. É indispensável
vigiar atentamente nossos pensamentos e ações nos contactos com o próximo,
conscientes de que, sempre que não expressarem pureza, estaremos a caminho do
desequilíbrio.
Quando isso
acontecer, a prece sincera, de quem reconhece a própria fraqueza e deseja o
melhor, será o recurso divino capaz de reajustar as emoções, para que o Bem
seja mais forte.
Reformador – maio, 1964
|