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Marcelo
Henrique Pereira
Diretor de Política e
Metodologias de Comunicação/ABRADE
Os movimentos
filosófico-culturais e religiosos de nosso planeta foram idealizados, fundados
ou instituídos por determinados homens. De forma oficial ou não, eles
conceberam agrupamentos ou sociedades que giravam em torno de si e, pela
palavra e pelo exemplo, cativavam os seres.
Com o Cristianismo
não foi diferente. Embora Jesus não pretendesse estabelecer nenhuma seita ou
doutrina, esta foi a opção que seus discípulos escolheram, interpretando
materialmente a sua orientação "sobre esta pedra (Pedro) edificarei
minha Igreja". Evidentemente falava Jesus de uma igreja interior, um
templo, não de contemplação - perdoe-nos a redundância - mas de raciocínio, revisão
de atos e reformulação de condutas, capaz de pôr em comunicação o homem, ser
inteligente, com a fonte criadora de tudo.
Contudo o homem, no
afã de perpetrar ensinamentos e práticas, transformou Jesus em ídolo, em mito,
em imagem a ser cultuada, respeitada, mas nem sempre seguida.
Voltando nossa
análise para nós mesmos, em nossos contextos conviviais, podemos perceber quão
importante são os guias, modelos ou ídolos que escolhemos, nesta ou naquela
fase da vida. Lá na primeira infância, surpreendemo-nos com a figura paterna
e/ou materna, com a qual nos identificamos mais, seja pela inteligência, a
força, a coragem, o sentimento. Depois, um irmão mais velho, quem sabe.
Ampliando nosso espectro de relações, na escola, nos maravilhamos ante este ou
aquele professor, tão sábio e tão atencioso ou diligente. Vêm as amizades -
frutíferas e necessárias - e reconhecemos como figuras centrais de nosso
existir aqueles que estão sempre por perto - nos bons, mas, sobretudo, nos maus
momentos. Poderíamos, ainda, mencionar os ídolos distantes, o artista, o
cantor, o atleta, o sábio, o cientista...
Carecemos de uma
meta - mesmo que às vezes intangível ou inalcançável - em que nos espelhemos e
para onde convergimos desejos e construções.
Assim é Jesus, para
o homem terreno. Sua exata significação para o espírita é a de um modelo, mas
não o único, porque seria injusto que 2/3 da população da Terra que, por
questões conjunturais - crença, filosofia, cultura e localização geográfica -
que nunca ouviram falar do rabi, ficassem órfãos de uma pedagogia que realmente
liberta. Para as coletividades que não conheceram o Mestre, apesar da
globalização de hoje, existiram e existem outros seres luminares, igualmente
responsáveis por lançar boas sementes ao solo, comprometidos com a renovação
espiritual dos seres.
Para nós,
espíritas, Jesus é, dentro de nossas perspectivas atuais, a meta a ser
alcançada por hora, não significando, em nenhuma hipótese que nos seus ensinos
e ações esteja circunscrito todo o conceito de evolução ou perfectibilidade que
nos seja possível materializar e que outras orientações e exemplos não mereçam
de nós igual atenção.
Ao fixarmos nossa atenção na figura crística, que
vejamos o homem, de carne e osso, que reuniu as potencialidades espirituais e
as concretizou em realidades psíquicas, enquanto conquistas do ser, e,
olvidando a condição de ser ele, sobrenatural, exortou-nos: "vós sois
deuses, brilhe a vossa luz". Este o Jesus que nos importa conhecer.
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