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Elio Mollo
“Por que nenhum de nós vive para si”.
Paulo- Romanos, 14:7
Na Natureza tudo se serve, tudo se encadeia, desde o
ser mais simples até o mais evoluído. (O
Livro dos Espíritos, q. 540)
O sol atende ao seu sistema fornecendo luz e calor
para promover uma reação que mantém os elementos vitais em circulação
sustentando a vida em todos os planetas.
Os planetas em suas órbitas, se posicionam de tal
forma, que um mantém o equilíbrio do outro, além do seu próprio, obtendo uma
harmonia em todo o sistema.
Para que tenhamos a eletricidade necessitamos de um
rio com volume de água suficiente para movimentar a usina geradora de energia
elétrica. Para manter a água necessária precisa-se da chuva. Para que a
eletricidade chegue ao seu destino são necessários fios condutores e assim por
diante. Tudo isso funcionando em perfeita sintonia nos fornece a energia suficiente
para mantermos nossos lares com iluminação e todos os aparelhos eletrodomésticos
que nos servem em nosso dia a dia.
Hoje, com a tal globalização, os países envolvidos
necessitam manter suas economias atualizadas e equilibradas, porque se algum
deles provocar alguma anomalia, todos os outros sentirão o efeito negativo.
Caso contrário, tudo estará bem e funcionará normalmente, com as populações
desses países tendo empregos, alimentos e conforto.
Pois é, assim temos exemplos de como cada um de nós
deve agir para manter o nosso próprio equilíbrio e de todos aqueles que nos
rodeiam e vivem em função de nós.
Em “O Livro
dos Espíritos”, — obra
codificada por Allan Kardec — os Espíritos, em resposta às questões 766, 767 e
768, afirmaram:
“A vida
social está na Natureza. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu
inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de
relação.”
“O isolamento
absoluto é contrário à Lei Natural, pois os homens buscam a sociedade por
instinto e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente.”
“O homem deve progredir, mas sozinho não o
pode fazer porque não possui todas as faculdades: precisa do contato dos outros
homens. No isolamento, ele se embrutece e se debilita.”
O codificador
em nota a essas respostas, acrescenta:
“Nenhum homem dispõe de faculdades completas e
é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem seu
próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros,
são feitos para viver em sociedade e não isolados.”
Podemos
observar, assim, que a sociedade necessita de criaturas que cooperem umas com
as outras para que o progresso geral se estabeleça.
Dizem os
Espíritos em resposta à questão 785 de “O
Livro dos Espíritos”, que os maiores obstáculos ao progresso são o egoísmo e o orgulho, referindo-se dessa forma ao progresso moral, porquanto, o
intelectual se efetua sempre.
O egoísmo e o orgulho extremados quebram a harmonia entre os homens, pois são
eles que entravam o progresso moral, provocando as discórdias, as malevolências,
os ciúmes, os sofrimentos atrozes etc., chegando a afastar o homem da vida
social, levando-o à ruína.
Para
compreendermos o efeito negativo do egoísmo
e do orgulho, buscamos o livro “Fábulas e Lendas” de Leonardo da Vinci, uma adaptação do conto “A árvore orgulhosa”. Diz ele:
“No meio de
um jardim, junto a muitas outras árvores, havia um lindo cedro.
Crescia a
cada ano que passava, e seus galhos eram muito mais altos do que os galhos das
outras árvores.
Tirem daí
essa castanheira! — disse o cedro, inchado de orgulho ante a sua própria
beleza. E a castanheira foi removida.
Levem embora
aquela figueira! — disse o cedro. — Ela me incomoda. — E a figueira foi
arrancada.
Tirem as
macieiras! — prosseguiu o cedro, erguendo alto a sua bela cabeça. E as
macieiras se foram.
Assim, o
cedro fez com que uma a uma todas as outras árvores fossem arrancadas, até
ficar sozinho, dono do grande jardim.
Um dia,
porém, houve uma forte ventania. O lindo cedro lutou com todas as forças,
agarrando-se à terra com suas longas raízes. Mas o vento, sem outras árvores
para detê-lo, dobrou e feriu o cedro e, finalmente, com grande estrondo,
derrubou-o ao chão.”
O contrário de
tudo isso são a caridade e a humildade. Esses são os elementos
positivos do progresso e que levam o homem à solidariedade. Todo homem que
possui essas qualidades sabe amar, servir e se relacionar com os outros homens,
como Jesus ensinou; esse homem sabe, ainda, sorrir para o seu semelhante e
passa seus conhecimentos, sem constrangimento, a todos aqueles que dele
necessitam. Sabe que é uma peça importante do grande mecanismo Universal e se
coloca sempre à disposição sem se exaltar, procurando estar em contato
permanente com as outras criaturas oferecendo de si e recebendo dos outros sem
nenhum interesse que não o de servir. Ao contrário do cedro que caiu, por ser egoísta e orgulhoso e, conseqüentemente anti-social, o homem caridoso e
humilde consegue o suporte do bem que distribui, por meio da solidariedade,
sendo mais difícil a sua queda.
Conta uma lenda de tradição judaica que: “Numa região longínqua, viviam alguns
homens que passavam muita fome porque tinham os cotovelos voltados para dentro
e as mãos voltadas para fora. Portanto não podiam dobrar os braços em direção à
boca porque não tinham flexão e assim não se alimentavam. Os pobres homens
estavam à mingua, desnutridos e fatalmente condenados a morrer de inanição.
O mais idoso,
cheio de sabedoria, passou a estudar um meio de solucionar o problema. Eis a
solução: já que, tendo os cotovelos voltados para dentro e as mãos espalmadas
para fora poderiam colocar o alimento na boca dos outros e assim não passariam
mais fome. O regime de solidariedade resolveu a questão.”
Assim, somos
nós. Todos possuímos defeitos e qualidades, temos o caráter diferenciado um do
outro, pois, como disse Kardec, ninguém dispõe de faculdades completas e é pela
união social que vamos nos completando mutuamente, assegurando nosso próprio
bem-estar e progredindo juntos, já que é complicado seguirmos sozinhos. Necessitamos
ser solidários, para termos uma boa relação.
Cooperemos,
então, uns com os outros e sigamos com Jesus para a nossa evolução, pois, como
disse o apóstolo Paulo, nenhum de nós vive para si.
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