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Marcelo Henrique Pereira*
cellosc@floripa.com.br
www.novatrento.com/marcelo
Toca o despertador... Indesejável, até odiado.
Marcante, pois que agride o ouvido e te faz sobressaltar. É hora do inevitável:
mais um dia de trabalho! Como começas teu dia, amigo? Já blasfemando contra
tudo e todos, já antevendo o desprazer de encontrar problemas, ou rever
desafetos, ou lutar para conseguir o mínimo que te sustenta?
Ou, de outra sorte, como numa rotina, maldizer as
circunstâncias, os fatos ou mesmo o cenário de um novo dia, igual, para ti,
como os demais?
É pena...
Não são iguais as horas, embora se-te-lhe pareçam. O
convívio maquinal que empreendes para a sucessão dos minutos, é que te causa
esta impressão. Afinal, fazes tudo do mesmo jeito, qual o operário que se
aperfeiçoou a “apenas” apertar, do mesmo jeito, o mesmo parafuso, no correr dos
dias. Como diz um velho amigo, “quem se especializou em apertar parafuso, vai
ser sempre o melhor apertador de parafusos que exista”.
Por que, então, não ousas?
Por certo te achas muito velho para uma nova
empreitada, ou, então, acomodado, não queres “começar tudo de novo”. Não
precisas ir muito longe para a ousadia... Às vezes, ela está bem perto de ti, e
te acena, sucessivas vezes, e tu, por receio ou apatia, não lhe seguras as
mãos...
Estes dias, presenciava um diálogo entre um casal que
objetivava separar-se. A alegação de uma parte (sem importar o sexo que era)
residia na falta de criatividade do(a) parceiro(a). E isto só ocorrera depois
do noivado e do casamento, que se sucederam em poucos meses, porque, já
garantida a conquista, nada mais era necessário fazer, por certo. Aqueles dias
venturosos, de expectativa e curiosidade, do namoro, estavam sepultados, porque
um ou outro já havia conseguido o seu intento. Formar uma parceria... Como se o
objetivo fosse apenas esse.
O correr dos dias, na repetição das lutas e das
situações, moldou em um (ou em ambos) o conformismo e a acomodação. Não mais
presentes fora de data, não mais bilhetes escondidos sob o travesseiro ou no
bolso da calça, não mais flores (algumas silvestres, roubadas) ou um mísero
bombom ou balinha de troco da padaria, sem falar nos adjetivos criativos ou nas
palavras acompanhadas de carícias novas ou afagos voluntariosos.
O encantamento perdeu-se...
Saindo do espectro conjugal e adentrando em outras
esferas do teu viver, amigo, como anda o teu entusiasmo? A procura por
sensações boas, quase sempre experimentadas ante uma conquista, um bom
resultado no ofício, uma grande venda, uma entrevista bem sucedida... Onde
foram parar?
Aperfeiçoaste-te em apertar parafusos, como se
existissem somente eles, e abominas que a indústria invente um outro tipo, ou
utilize um outro material, porque terás que te especializar novamente, terás
que aprender?
Deixa um pouco de lado tua apatia e o teu orgulho.
Sim, o orgulho, esta chaga que nos remete a aparentarmos ser mais do que
realmente somos, porque não estamos dispostos a começar de novo, ou a admitir
que alguém sabe mais do que a gente.
Já reparou como encaras aquele “pivete” ou “fedelho”
que chegou ontem à tua seção, e já está na dianteira, atraindo a atenção dos
clientes e a admiração do chefe. Ou aquela mocinha que por ser mais jovem (e,
quase sempre, mais bonita ou mais bem-vestida) do que você, alcança, também por
competência, melhores resultados que você?
Aproveita o ensejo da competição sadia para te
arrumar melhor, para te achar bonito(a), para refazer a forma pela qual
realizas as mínimas tarefas. É hora de crescer, de ser “mais gente”. Quem sabe
o Alto não te propiciou, agora, um “adversário” para te fazer, na vitória ou na
experiência do embate salutar, mais feliz e realizado?
Desperta, pois... É a tua hora!
* Diretor de Política e Metodologias de Comunicação/ABRADE
(www.abrade.com.br)
Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana para a Grande Florianópolis-SC
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