|
Ricardo
Di Bernardi
Com o
desenvolvimento progressivo das técnicas médicas, novas situações vêm se
apresentando e isso também acontece no que diz respeito às fecundações e
gestações.
Necessário sejam expressos com clareza os pontos de vista da ciência espiritualista,
que considera os conhecimentos palingenésicos (reencarnacionistas) e outros
que compõem o acervo cultural acerca do extrafísico.
Há mulheres que não conseguem reter os óvulos fecundados, os quais, inevitavelmente
caminham para abortos espontâneos.
Se há razões de origem cármica, o que sem dúvida também é um fato, o mesmo
sucede com outros problemas orgânicos e nem por isso seria condenável a busca
de um tratamento ou solução.
O desejo ardente e sincero da maternidade, e ou paternidade, determina que os
candidatos a serem pais procurem soluções junto à ciência médica. O recurso utilizado,
em muitos casos, é o da gestação desenvolvida em úteros de empréstimos ou
aluguel.
Sabemos que durante a gestação há um intercâmbio fluídico-energético intenso
entre o binômio materno fetal. Não só
elementos de natureza biológica, mas sobretudo componentes espirituais são
permutados. Ao se optar pelo útero de empréstimo, estabelece-se um importante
relacionamento entre o espírito reencarnante, e a mulher que o alberga em seu
ninho uterino.
Durante longos meses firmar-se-á um liame importante entre ambos. A natureza
mais ou menos elevada dos pensamentos, desejos e sentimentos serão de intensa
repercussão sobre o psiquismo daquele que retorna à vida.
Talvez seja o aspecto acima mencionado o mais importante a ser considerado, não
há, no entanto, como deixarmos de mencionar a conseqüência psicológica ou
emocional que fica sujeita a mãe de aluguel ao devolver a criança com que conviveu
intimamente nove meses. Uma sensação de vazio ou abandono pela perda
inevitável. Imprescindível seja este ângulo da questão muito bem estudado e dimensionado
para todos os participantes e envolvidos na decisão.
A comercialização irresponsável dos úteros de aluguel também não poderá em
hipótese alguma ser admitida, tendo em vista a postura íntima da mulher, que recebeu
o embrião, ter forte influência sobre aquele que renasce. Há que existir amor
no processo.
Há mulheres que plenas de sentimentos nobres, cheias de amor e carinho, com
elevado sentimento altruístico, se predispõem a receber em seu corpo as células
germinativas unidas, de um outro casal. Fazem-no por afinidade, até familiar,
em certos casos. Não há porque se condenar atitudes de desprendimento e doação
que dignificam o sexo feminino.
Também compreensível que a subsistência material daquela que se predispõe a
auxiliar, seja amparada devidamente não sendo explorada por ninguém.
As ressalvas por nós colocadas são aquelas no sentido de se estudar e meditar
profundamente sobre cada situação específica do casal e da receptora, evitando
sofrimentos.
No que tange a "quem é , quem não é a mãe" não nos referiremos aqui a
aspectos legais, tampouco aos da ética médica, por considerarmos estas
concepções mutáveis conforme a legislação, em diversos países. Abordaremos o
aspecto espiritual.
Ao retornarmos ao plano espiritual, não teremos problemas ou dificuldades por
encontrarmos mais de um pai e mãe de vidas anteriores. O amor não pode ser
rotulado nem medido por títulos quaisquer. Haveremos de saber entender os qualificativos
além das fronteiras de convenções estabelecidas.
Outro aspecto a ser estudado, é aquele relacionado à ligação da entidade reencarnante
com o perispírito materno antes da fecundação. Sabemos do processo de trocas
energéticas que se estabelecerá e do importante papel do chakra genésico
materno na atração das energias do psicossoma (corpo espiritual) do espírito
que renasce. A grande questão é: como sucederá este fenômeno ao se transportar
o óvulo fecundado para o útero de outra mulher?
Sem dúvida que, se do ponto de vista material há duas mães envolvidas no processo,
o mesmo ocorrerá observando-se pelo prisma espiritual. Permanecerão as duas
ligações e a valorização das mesmas dependerá da maior ou menor amplitude e
freqüência do pensamento de ambas.
À medida que a gestação de desenvolve torna-se mais intensa a ligação com a
"mãe de aluguel" e a influência desta passará a se exercer com mais
facilidade, não querendo dizer com isso, que as preces, pensamentos de amor e
esperança num futuro construtivo, da mãe que cedeu o óvulo, não possam atuar
intensamente sobre aquele que reencarna.
Façamos uma analogia:
Se pela natureza podemos observar a reencarnação de gêmeos, onde dois espíritos
se imantavam ao óvulo que se biparte pelo magnetismo das duas entidades
espirituais, analogamente, pela ação humana, podemos possibilitar que duas
"mães" sejam unidas a um só espírito-filho em vias de retorno.
Não resta a menor dúvida, que a essência de todo o processo deve estar calcada
nos sólidos alicerces da ética cósmica. Manipular indiscriminadamente a vida só
poderá trazer conseqüências danosas ao equilíbrio íntimo das criaturas.
Lembrar também que muitas crianças abandonadas solicitam a doação amorosa
daqueles que não podem ter filhos. Até que ponto o amor próprio ou a vaidade é
que estimulam outros métodos? Não generalizando, é importante que se medite
sobre isto.
Não advogamos aqui, a suspensão das gestações extra-útero materno mas a conscientização
ética e espiritual de todos os envolvidos no processo.
A ciência espiritualista necessita celeremente ganhar espaço junto às
lideranças culturais não para proselitismo ou projeção social, mas para
difundir a luz dos conhecimentos da vida espírita, evitando sofrimentos
diversos.
Este
Grupo é iniciativa do Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis - ICEF(http://sites.uol.com.br/icef).
Estude o Espiritismo e o Livro dos Espíritos. Freqüente o Grupo Elpídio
Barbosa, no ICEF, a partir das 20 horas, toda quarta-feira. Esperamos por você!
|