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Renato Costa
1. A Evolução:
1.1. Tudo na Criação está em contínua evolução.
Evolui o Universo em sua expansão incessante, evoluem os astros, evoluem os
seres animados e os inanimados.
Diz Santo Agostinho
em O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap III, item 19:
“... Ao mesmo tempo
em que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os
mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes
fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e
constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas
de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes
uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda
do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos
animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada na
Natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa idéia e digna da majestade
do Criador! Quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que
concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia,
que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam!...”
1.2. Criado simples e ignorante, mas destinado à
Angelitude, o princípio inteligente evolui em sua longa jornada, estagiando nos
diversos reinos, habitando em diversas moradas, tornando-se mais e mais
complexo, individualizando-se, conquistando a consciência, o livre arbítrio,
adquirindo sabedoria e bondade até o potencial máximo de que foi dotado,
tornando-se,, finalmente, Espírito Puro.
1.3. Como se dá essa longa jornada? Onde ela
ocorre? Só existe um caminho para se chegar ao destino? Neste modesto estudo
tentaremos apresentar uma resposta a essas perguntas.
2. A Reencarnação
dos Espíritos:
2.1. Sabemos que os Espíritos evoluem através de
sucessivas vidas na carne e que, por força da Lei da Causalidade, todas as
ações cometidas por eles contrárias às Leis da Natureza farão com que
vivenciem, em momentos posteriores, situações onde terão a oportunidade de
reparar seus erros. São as chamadas expiações. Essas oportunidades são
incontáveis, de modo a respeitar tanto a Lei da Causalidade quanto o Livre
Arbítrio. Desse modo, se uma situação de vida destinada a oferecer ao Espírito
uma oportunidade nova de reparar um erro não é aproveitada, surgirá outra,
outra e outra mais, em sucessão interminável até que a diretriz da Lei seja
cumprida e o efeito compense a causa.
2.2. Outro tipo de experiência que os Espíritos
vivenciam durante sua evolução são as chamadas provas, isto é, situações não
antes vividas onde eles terão que aplicar a sabedoria e a bondade adquiridas
até então para mostrar estarem em condição de aproveitar as lições nelas
contidas.
2.3. Sejam provas ou expiações, as experiências
que vivemos são, antes de tudo, lições que temos que aprender. Sempre que um
método utilizado não funcionou, novo método de ensino é aplicado até que as
lições sejam aprendidas. Não existe pecado, não existe punição. O que existe é
aprendizado nos caminhos da evolução incessante.
2.4. Lendo as obras de André Luiz e de outros
autores espirituais, alguns irmãos e irmãs dizem duvidar que as dimensões
espirituais sejam tão parecidas com o plano material pois, segundo julgam, se
assim fosse, não seria necessário que reencarnássemos, podendo viver ali mesmo,
nas dimensões espirituais, todas as experiências necessárias ao nosso
aprendizado. Será isso verdade?
2.4.1. Entendemos que não. No tocante a haver
construções nas dimensões espirituais, André Luiz não foi original. Se nos
reportarmos à Revista Espírita de Agosto de 1858, lá veremos uma matéria
intitulada As Habitações do Planeta Júpiter onde o Sr. Vistorien Sardou fala da
descrição que recebeu das habitações existentes para os Espíritos em Júpiter,
matéria essa bem escrita e seguida de uma avaliação positiva de Kardec. Além
disso, os comentários de Kardec sobre os fluidos no item 3, Cap. XIV de A
Gênese são evidência mais que clara de que o Codificador sabia da existência de
construções nas dimensões espirituais.
2.4.2. Com respeito à não necessidade da
reencarnação caso tais construções existissem, nosso argumento é simples. Nas
dimensões espirituais não podemos esconder nosso verdadeiro “eu”. Aquilo que
pensamos é percebido pelos outros. Nem educados por fora podemos ser, pois
basta que pensemos mal de quem está ao nosso lado para que ele fique sabendo.
Nossa identidade como Espíritos é visível aos Espíritos que nos são caros, aos
que nos são indiferentes e aos que nos odeiam pelo que fizemos a eles. Se
vivêssemos tão somente nas dimensões espirituais, os desentendimentos não
teriam fim e nossos esforços por melhorar no mais das vezes seriam fracassados.
2.4.3. Quando reencarnamos, como que nos
escondemos em um novo corpo, nos fantasiamos. Não só grande parte dos nossos
desafetos nos perde de vista, como nossos pensamentos passam a ser secretos,
diminuindo nossos atritos com os demais e nos dando tempo para controlar nossos
instintos emocionais e abrandar nosso comportamento visando caminhar em direção
ao bem. Além disso, enquanto, como Espíritos, somos os mesmos o tempo todo, ao
reencarnarmos podemos representar um papel diferente em cada vida, com um
imenso enriquecimento das possibilidades de aprendizado.
3. A Diversidade de
Mundos Habitados
3.1. As migrações
entre os mundos
3.1.1. Sabemos que, de tempos em tempos, quando um
mundo necessita evoluir de estágio por força da evolução, processa-se uma
migração. Os Espíritos mais endurecidos que estavam atrapalhando a evolução dos
demais são transladados para um mundo em estágio mais atrasado onde eles, sob
condições mais duras e convivendo com Espíritos mais atrasados ainda do que
eles, serão, pela força de tais circunstâncias, levados a aprender as lições
que se recusavam a aprender nas condições mais favoráveis de que anteriormente
dispunham.
3.1.2. Podemos visualizar os diversos mundos como
uma singular rede de ensino cobrindo da creche à pós-graduação, onde cada
escola tem diversas séries e segue uma teoria educacional distinta. O dono da
rede de ensino é tão, mas tão tolerante, que ele permite que os alunos repitam
o ano tantas vezes quanto necessário e, mais, se os alunos não estiverem passando
de ano em uma escola, mudam-nos para outra, com outro método de ensino, para
ver se assim conseguem a aprovação. São infinitas as chances que existem nessa
rede escolar e ninguém, jamais, é expulso dela por preguiça ou indisciplina.
Por mais que um aluno repita o ano e mude de escola, o dono da rede nunca
desiste de vê-lo formado e sempre lhe oferece uma nova chance de recomeço.
3.1.3. No Capítulo III de O Evangelho Segundo o
Espiritismo, Kardec classifica os mundos habitados da seguinte forma:
• Mundos Primitivos: destinados às primeiras
encarnações e experiências da alma humana.
• Mundos de Expiação e Provas: Nesses mundos,
o mal predomina. Os Espíritos aí encarnam para prosseguir na sua evolução,
passando por provas e expiações, decorrentes de seu processo de aprendizado
evolutivo. Dentre os Espíritos que encarnam em um mundo de provas e expiações
há os que acabaram de sair da infância evolutiva, vindos de um mundo primitivo,
os que se demoram no aprendizado, precisando de inúmeras reencarnações para
aprender cada lição evolutiva e os “degredados” de outros mundos, “de onde
foram excluídos em conseqüência da sua obstinação no mal e por se haverem
constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons.”
• Mundos de Regeneração: Onde a alma
penitente encontra a calma e o repouso e acaba por depurar-se. O Espírito ainda
se acha sujeito às leis que regem a matéria; experimentando as mesmas sensações
e desejos, mas liberta das paixões desordenadas e dos vícios. O amor e o
reconhecimento de Deus predominam e o esforço evolutivo é constante. Ainda
suportam provas, pois são essas não mais que mecanismos de ensino necessários à
evolução. Sendo o Espírito ainda falível, no entanto, ocorre de alguns recaírem
no erro, fazendo com que voltem aos mundos de provas e expiações para
aprenderem pelo método mais árido aquilo que pelo bem recusaram aprender no
ambiente de amor e paz.
• Mundos Ditosos ou Felizes: onde o bem
sobrepuja o mal. A felicidade predomina.
• Mundos Celestes ou Divinos: habitação dos
Espíritos mais evoluídos, onde reina exclusivamente o bem e o conhecimento da
verdade.
3.1.4. Em um exercício de comparação, com base na
Escala Espírita (LE Parte 2 Cap. I), podemos imaginar o seguinte enquadramento
para a reencarnação de seres que estejam estagiando no Reino Hominal.
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Categoria de
Mundo
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Progresso
Acadêmico
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Classes
Predominantes de Espíritos
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Primitivo
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Educação Infantil
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7a classe:
Espíritos Neutros.
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Provas e Expiações
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Ensino Fundamental
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6a, 7a, 8a e 9a
classes: Espíritos Perturbadores, Neutros, Pseudo-sábios, Levianos e Impuros.
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Regeneradores
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Ensino Médio
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4a e 5a classes:
Espíritos Sábios e Benévolos.
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Ditosos ou Felizes
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Curso Superior
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2a e 3a classes:
Espíritos de Sabedoria e Superiores.
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Celestes ou Divinos
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Pós Graduação
|
1a classe:
Espíritos Puros.
|
3.2. A Constituição
Física dos Mundos e a dos Seres que Neles Vivem
3.2.1. Aceitando a Pluralidade dos Mundos
Habitados, nosso raciocínio é levado a ponderar sobre que formas de vida poderá
haver em cada um.
3.2.2. Em sua busca de vida em nosso Sistema Solar
a Ciência descobriu que, aqui mesmo, tão perto de nós frente às dimensões do
Universo, encontramos mundos rochosos, secos na superfície e com tênue
atmosfera, como Marte, mundos com superfície congelada, encobertos por complexa
e espessa atmosfera de gases, como Júpiter e mundos totalmente gasosos, como o
nosso Sol. Não nos parece extrapolação injustificada supor existirem, em outros
sistemas, mundos totalmente líquidos, além de outros constituídos por matéria
em estados que sequer podemos imaginar.
3.2.3. Como não nos é dado investigar, por ora, a
vida em outros planetas, lancemos nosso olhar sobre o nosso querido Planeta
Azul e vejamos quais lições ele nos tem a ensinar:
• seres que vivem em lugares escuros ou não
possuem olhos ou os têm atrofiados;
• animais que vivem na água não possuem
pernas, mas nadadeiras;
• animais que migraram para a água após terem
vivido na terra, como os cetáceos, perderam as patas, que se tornam nadadeiras
e ganharam novos mecanismos de respiração;
• animais que voam possuem asas e um encéfalo
projetado de modo totalmente diferente, otimizado para, sendo mais leve,
facilitar-lhes o vôo, sem sacrificar com isso seu potencial evolutivo;
• animais que migraram recentemente para o ar
após terem vivido na terra, como os morcegos, ainda mostram em seu corpo os
registros da adaptação que tornou seus dedos longos e unidos por membranas para
formar asas.
3.2.3.1. O meio onde vivem os animais em nosso
planeta em nada afeta suas perspectivas de evolução, uma verdade que os
estudiosos do comportamento animal comprovaram ao identificar que habilidades
cognitivas altamente desenvolvidas, que antes se acreditava somente existir
entre os primatas, se encontram, também, tanto entre cetáceos, como o golfinho
roaz-corvineiro, quanto entre psitacídeos, como o papagaio cinza africano.
3.2.4. O simples exame de como a vida evolui em
nossa Terra, não importa o meio onde se encontre, nos parece indicar ser
possível a vida, também, tanto no Sol, com o seu calor infernal, quanto nas
esferas congeladas envoltas por enorme massa de gás, como Saturno e Júpiter.
Entretanto, como será a constituição física dos seres que lá vivem. Será
sensato admitir que a forma humana que lá vive é semelhante à nossa? Façamo-nos
algumas perguntas:
• em um mundo onde não há superfície sólida,
para que servem pernas?
• em um mundo onde não chega luz, para que
servem olhos ?
• para que serve uma boca e um sistema
digestivo para seres evoluídos que se
comunicam pelo pensamento e haurem sustento diretamente do fluido universal?
• em um mundo tórrido, é adequada nossa pele,
são adequados nosso sistema respiratório, nosso equilíbrio térmico, a forma
mesmo de nosso corpo?
• são úteis braços para seres que vivem
flutuando em gás, que nele se locomovem e dele haurem seu sustento?
3.2.5. Poderíamos nos alongar por muitas páginas
nessas perguntas e considerações, mas acreditamos já tê-las feito em número
suficiente para mostrar que a forma dos seres (humanos ou não) de cada mundo é,
obrigatoriamente, adequada à constituição física do mesmo.
3.2.5.1. Esta conclusão se acha, aparentemente, em
conflito com o que diz o Item 56 do Capítulo I da Segunda Parte de O Livro dos
Médiuns , isto é, que “Com pequenas diferenças quanto às particularidades e
exceção feita das modificações orgânicas exigidas pelo meio em o qual o ser tem
que viver, a forma humana se nos depara entre os habitantes de todos os globos.
Pelo menos, é o que dizem os Espíritos.”).
3.2.5.2. Está, no entanto, plenamente de acordo com
o que diz a Revista Espírita de março de 1858, no artigo intitulado “A Pluralidade dos Mundos”, onde lemos:
“Chegamos, pois, por um simples raciocínio, que muitos outros fizeram antes de
nós, a concluir pela pluralidade dos mundos, e esse raciocínio se encontra
confirmado pela revelação dos Espíritos. Eles nos ensinam, com efeito, que
todos esses mundos são habitados por seres corpóreos apropriados à constituição
física de cada globo”. (o grifo é nosso).
3.2.5.3. Como O Livro dos Médiuns foi publicado em
1861, posterior, portanto, à publicação da Revista em questão, o que fica
evidente é que, a redação que prevaleceu em O Livro dos Médiuns acabou
colocando como exceção aquilo que os Espíritos haviam informado como sendo a
regra. Isso porque, por motivos que nos escapam, Kardec subestimou as dimensões
das modificações orgânicas necessárias para um ser que em um líquido, por
exemplo, migrar para um meio gasoso. A dimensão dessa diferença, no entanto, é
facilmente perceptível em nosso próprio mundo, pois os seres que voam tem
semelhanças entre si, os que nadam se parecem com seus pares, mas nenhum dos
que nada se assemelha sequer remotamente a um que voe. Sábio que era, no
entanto, Allan Kardec fez a ressalva “pelo menos é o que dizem os Espíritos”,
sugerindo que algo naquela redação que ele mesmo havia feito não havia passado
como certo pelo crivo de sua razão cristalina e de seu bom-senso lapidar.
4. Os Caminhos da
Evolução
4.1. A Diversidade
de Caminhos
4.1.1. Em dois artigos publicados nas edições de
Maio e Agosto da Revista Internacional do Espiritismo, tentamos demonstrar que,
conforme afirmam os estudiosos, a inteligência é algo que não deve ser estudado
entre as espécies, uma vez que ela se desenvolve em cada uma conforme as
condições em que vive e os meios de que dispõe para enfrentar os desafios que
lhe são apresentados na vida.
4.1.2. Visando exemplificar nossa tese, trouxemos aos leitores os resultados dos
estudos feitos pela Ciência com respeito ao comportamento de três espécies,
vivendo cada uma em um meio totalmente diverso da outra. Nossa escolha recaiu
sobre dois mamíferos, sendo um o Muriqui, o maior primata das Américas, vivendo
exclusivamente sobre as árvores e outro, o golfinho roaz-corvineiro – o popular
“flipper”, que, como todo cetáceo, vive exclusivamente no mar, além do papagaio
cinza africano, uma ave, ou, mais precisamente, um psitacídeo.
4.1.3. Como pôde ser visto em nossos mencionados
artigos, as três espécies, apesar de viverem em meios totalmente diversos uma
da outra e de terem constituições físicas extremamente diferentes, lograram
todas atingir índices consideráveis de desenvolvimento cognitivo, comunicação
razoavelmente complexa e variada e um equilíbrio emocional de dar inveja à
Humanidade.
4.1.4. Em nosso estudo concluímos que tais
espécies, tendo chegado ao ponto em que chegaram utilizando corpos físicos
totalmente diversos um do outro e diversos do que utiliza o homem em nosso
mundo, não havia porque darem saltos em outras direções.
4.1.5. Sendo o corpo físico um reflexo do corpo
sutil que lhe molda as formas e o funcionamento, forçoso é admitir que as
espécies em questão evoluirão cada uma lentamente em direção à maior
complexidade, mantendo basicamente os parâmetros que hoje lhes definem a forma.
4.1.6. À medida que o estágio evolutivo de uma
delas não mais lhe permitir prosseguir aprendendo em determinado mundo, os
Espíritos por ela responsáveis providenciarão a sua transferência para um mundo
mais sutil, onde as almas que a ela pertencem irão reencarnar gerando mutações
em uma espécie ali existente, com o conseqüente surgimento da nova espécie que
as abrigará, enquanto que a espécie que ali lhe servir de matriz prosseguirá no
caminho que lhe é próprio.
4.1.7. Quando, no distante futuro que há à sua
frente, a espécie estiver pronta para adentrar o reino hominal, certamente haverá, dentre os inumeráveis
mundos existentes no Universo, pelo menos um cujas características físicas exijam
da raça humana que ali venha a habitar formas e fisiologia semelhantes àquelas
que ela possuir na ocasião.
4.2. A
Individualidade, a Consciência e o Livre Arbítrio:
4.2.1. A
Individualidade
4.2.1.1. Quando pensamos em um indivíduo imaginamos
um ser que se diferencia dos outros de sua espécie podendo ser reconhecido a
qualquer instante entre seus pares por mais que externamente se pareçam entre
si. O convívio antigo entre o homem e algumas espécies permitiu-lhe constar que
certas espécies animais estão perfeitamente individualizadas. Não há dono de
cachorro, gato, papagaio ou cavalo, por exemplo, que não identifique o “seu”
animal dentre os demais, sendo, igualmente, capaz de fazer um longo rol das
características comportamentais que lhe permitem a identificação.
4.2.1.2. Fosse a individualidade uma característica
exclusiva dos animais domésticos, no entanto, poder-se-ia pensar quer tal
ocorreria com a função específica de beneficiar o homem, apesar de ser tal
hipótese incompatível com a Justiça Divina.
4.2.1.3. Ocorre, no entanto, que caçadores muitas
vezes foram forçados a concluir que perseguiam indivíduos, com estratégias de
fuga, disfarce e ataque absolutamente próprios em relação à de seus
semelhantes, essas marcantes características individuais tendo mesmo acabado
por consagrar na história dos locais em que tais animais passaram, nomes
lendários como o lobo “tal” ou o tigre
‘qual”.
4.2.1.4. Como identificar se uma espécie está
individualizada não é difícil a partir do convívio com a mesma. Uma definição
precisa, no entanto, quanto ao momento exato no reino animal onde ocorre a
individualização é algo que não se sabe. Jorge Andréa, em Instintos Criativos
da Evolução, propõe que o surgimento da individualidade esteja ligado ao estágio
de maturidade da glândula pineal, uma tese antes apresentada por outros
autores, como André Luiz, em Evolução em dois Mundos. Tal glândula existe na
maioria das espécies de peixe além de existir em todos os répteis, aves e
mamíferos.
4.2.1.5. O que se verifica, portanto, é que a
individualidade plena, aquela que nos permite falar desta ou daquela específica
alma animal não é um acontecimento repentino, fruto de uma descontinuidade na
natureza, mas uma lenta conquista que o princípio inteligente consegue, após
trabalhar nos dois planos por muito tempo como parte da alma-grupo das espécies
às quais anteriormente pertenceu.
4.2.2. A
Consciência e o Mito do Paraíso Perdido
4.2.2.1. Existe, em pleno século XXI, no meio
acadêmico internacional, um amplo e acirrado debate a respeito da consciência
animal, envolvendo filósofos, psicólogos e etologistas. Um dos motores por trás
desse debate é a validade ou não de se utilizar animais em experiências de
laboratório. Ficando demonstrando que os animais não têm consciência, a sua
utilização para se testar o efeito de novos medicamentos causando-lhes efeitos
orgânicos deformantes ou fatais seria moralmente indiferente. Ficando
demonstrando, pelo contrário, que eles possuem consciência, o aspecto moral teria
forçosamente que ser considerado pela sociedade. Do mesmo modo que não se
admite o uso de cobaias humanas em experiências, as cobaias animais também
acabariam proibidas.
4.2.2.2. Ora, como podemos ver, existe um aspecto
econômico importante na questão. Toda a farmacologia moderna é baseada no uso
de cobaias animais durante a fase inicial de pesquisa. O que significará para a
humanidade se, de um momento para outro, for comprovado, sem chance de
contestação, que os animais possuem consciência? O que acontecerá com a
pesquisa de novos medicamentos e com os milhões de dólares que essa pesquisa
movimenta anualmente?
4.2.2.3. Vimos no estudo que mencionamos ter sido
publicado pela RIE que três espécies animais de constituição bem diversa
demonstraram possuir capacidade razoavelmente sofisticada de comunicação e
padrões de comportamento social consideravelmente complexos, sendo evidenciada
a capacidade que cada indivíduo tem de se identificar no grupo e de identificar
seus outros membros, comportando-se junto a cada um de uma maneira apropriada.
Essas espécies, pelo menos, demonstram três características normalmente
associadas à consciência, quais sejam: usar uma linguagem, ter consciência do
eu e possuir a chamada teoria da mente (a capacidade que o indivíduo consciente
de si mesmo tem de enxergar essa mesma capacidade nos seus pares,
comportando-se junto a cada um com base nesse entendimento).
4.2.2.4. Nos parece sensato e racional, portanto,
concluir que a consciência é, como todos os demais atributos da alma, uma
conquista gradual que ocorre a partir das espécies superiores do reino animal e
chega madura no reino hominal e não uma descontinuidade da natureza, algo que
surge de repente quando a alma animal se torna Espírito.
4.2.2.5. A maturidade da consciência, o estágio que
é atingido somente no reino hominal corresponde à conquista da consciência
moral, a capacidade de avaliar o que é certo e o que é errado, capacidade esta
que, quando atingida, implica em responsabilidade pelos atos e submete o ser à
Lei da Causalidade.
4.2.2.6. Ocorre que lemos na resposta à Questão 600
de O Livro dos Espíritos que “A Consciência de si mesmo é o que constitui o
principal atributo do Espírito”. Teriam os Espíritos usado essa expressão por
engano ou estariam eles se referindo a patamares superiores da Consciência de
Si Mesmo? Preferimos ficar com esta última opção, uma vez que filósofos que
escrevem sobre o assunto classificam a Consciência de Si Mesmo em patamares que
são alcançados ao longo da evolução no reino animal, o nível alcançado pelo
homem sendo aquele que lhe permite ter a consciência de ter consciência de si
mesmo.
4.2.2.7. Nossa proposta de associar o ingresso no
reino hominal com a conquista da Consciência Moral ou Consciência do Bem e do
Mal parece estar retratada no Mito de Adão.
4.2.2.8. Antes as almas pré-humanas de antropóides
habitavam o Éden da ingenuidade pois não eram capazes de atribuir valor a seus
próprios atos, praticando-os livremente, sem sentimento de culpa e sem que lhes
fosse cobrada responsabilidade pelos mesmos. Reencarnavam apenas para aprender
novas lições e assim iam, felizes, desenvolvendo inteligência e emoções. Um
dia, não mais tendo o que aprender no reino animal, provam do fruto da árvore
do Conhecimento do Bem e do Mal. Em outras palavras, adquirem a Consciência
Moral e se tornam humanos. Com a nova conquista, os tempos de ingenuidade
cessam de existir, passam a avaliar os seus atos e adquirem responsabilidade
pelos mesmos. São expulsos do Éden da ingenuidade, entrando em ação a Lei da
Causa e Efeito. Toda vez que, em uma vida, agridem as Leis da Natureza, voltam
em uma outra para expiar seus erros. Ou, como diz o texto Bíblico, passam a
comer o pão com o suor do seu rosto.
4.2.3. O
Livre-Arbítrio
4.2.3.1. Sendo o livre-arbítrio um exercício próprio
dos seres que possuem consciência de si mesmos, somos levados a concluir que,
se os animais superiores possuem aquela obrigatoriamente possuem este. No
entanto, por não terem conquistado ainda a Consciência Moral, o uso seu do
livre-arbítrio é limitado às ações que fazem para satisfazer suas necessidades
e cumprir os deveres que assumem junto às comunidades de que participam.
4.2.3.2. A esse respeito convém transcrevermos a
Questão 595 de O Livro dos Espíritos:
595. Gozam de
livre-arbítrio os animais, para a prática dos seus atos?
“Os animais não são
simples máquinas, como supondes. Contudo, a liberdade de ação, de que
desfrutam, é limitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do
homem. Sendo muitíssimo inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A
liberdade, possuem-na restrita aos atos da vida material.”
4.2.4. Podemos ver a maturidade dessas
características da alma, consciência e livre arbítrio, como diplomas de
graduação que, ao conferirem ao diplomado o direito de exercer formalmente as
técnicas aprendidas desde que entrou na faculdade, igualmente o submetem ao
controle dos Conselhos, que fiscalizam o exercício de sua responsabilidade
profissional.
4.3. Reencarnação
na Fase Pré-Hominal
4.3.1. Autores espirituais costumam referir-se a
animais nas dimensões espirituais, não sendo raras, igualmente, comunicações de
pessoas que sentiram a presença de seus animais de estimação que já partiram.
Tais fatos parecem confirmar que realmente ocorre que animais superiores fiquem
por um tempo na espiritualidade.
4.3.2. Sabendo que os animais superiores já estão
individualizados, mas que ainda não possuem consciência e livre-arbítrio
maduros, plenamente desenvolvidos, não sendo, portanto, responsáveis por seus
atos, o bom-senso e a razão nos fazem concluir que tampouco têm eles sentimento
de culpa. Desse modo, a permanência de suas almas nas dimensões espirituais
somente deverá ocorrer se os Espíritos por eles responsáveis assim necessitarem
em algum empreendimento. Um exemplo que nos ocorre é tornar familiar o ambiente
para Espíritos recém desencarnados ainda presos às sensações materiais. A
presença de animais no ambiente poderia ser usada para lhes tornar mais suave a
adaptação à nova realidade.
4.3.3. Analisemos o que diz sobre a questão O
Livro dos Espíritos nas Questões 598 a 600.
598. Após a morte,
conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma?
“Conserva sua
individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe
permanece em estado latente.”
Aparentemente, na
primeira parte da resposta, os Espíritos se referem apenas aos animais já
individualizados. Já, na segunda, eles se referem a um atributo que alguns
animais superiores já possuem, a consciência do eu. Nos parece válido entender
que essa parte se refira à manutenção dessa consciência nas dimensões
espirituais, isto é, que, caso a alma de um animal seja mantida nas dimensões
espirituais por um período mais longo, a consciência do eu que porventura tenha
adquirido será adormecida. A segunda frase, no entanto, requer mais atenção.
Quando os Espíritos falam de “vida inteligente” eles se referem à vida moral, à
responsabilidade. Com efeito, como os animais superiores não têm responsabilidade
pelos seus atos, uma vez que ainda não conquistaram a Consciência Moral, sua
permanecia nas dimensões espirituais, caso ocorra, será sempre motivada por
razões externas e nunca devido a seu próprio estado mental ou a sua necessidade
evolutiva, como ocorre com o Espírito.
599. À alma dos
animais é dado escolher a espécie de animal em que encarne?
“Não, pois que lhe
falta livre-arbítrio.”
A pergunta feita por
Kardec nos parece bastante estranha. Uma vez que tudo no Universo se encontra
em evolução, a alma de um animal está em um estágio evolutivo bem determinado
associado à sua espécie e à sua individualidade, esta quando definida. Desse
modo, se essa alma pudesse reencarnar em espécie menos evoluída estaria
retrocedendo e se pudesse reencarnar em espécie mais evoluída estaria dando um
salto, hipóteses incompatíveis com a Lei da Evolução. Nos foge o que realmente
queria saber o Codificador com essa questão.
Não menos estranha é,
em um primeiro instante, a resposta dos Espíritos. O Espírito humano possui
livre-arbítrio desenvolvido e, no entanto, não lhe é dado decidir em qual
espécie vai reencarnar. Pelo contrário, enquanto não tiver completando seu
aprendizado como humano continuará reencarnando sempre como tal.
Teriam os Espíritos entrado
em contradição? Se o homem possui o livre-arbítrio e isso não lhe permite
escolher em que espécie vai encarnar, como é que, se possuísse o
livre-arbítrio, a alma do animal poderia escolher em qual espécie reencarnar?
De que “livre-arbítrio” estariam os Espíritos falando?
A questão, a nosso
ver, fica compreensível se entendermos que os Espíritos se referiam ao
livre-arbítrio necessário especificamente para reencarnar em qualquer espécie,
da mesma forma que, quando dizemos que fulano não anda de asa-delta porque não
tem coragem, não estamos dizendo que ele seja medroso em geral mas apenas que
tem medo especificamente de andar de asa-delta.
Ora, qual será o
patamar de “livre-arbítrio” dos Espíritos mais adiantados? Se examinarmos a
Escala Espírita (LE Cap I, 101 a 113), veremos que os Espíritos Superiores
reencarnam na Terra excepcionalmente em missão de progresso. Um caso como este
pode ser visto como um Espírito reencarnando por livre-arbítrio em uma espécie
a qual não mais pertence. Logo, existem Espíritos, sim, com livre-arbítrio para
reencarnarem em qualquer espécie. Se o “livre-arbítrio” que o homem que
reencarna na Terra possui é restrito apenas aos seus atos ao longo de cada
reencarnação, o “livre-arbítrio” de um Espírito Superior e, por maior razão, o
de um Espírito Puro, permite a estes escolher em qual mundo, dentro de que
espécie e com que objetivo irão reencarnar.
600. Sobrevivendo ao
corpo em que habitou, a alma do animal vem a achar-se, depois da morte, num
estado de erraticidade, como a do homem?
“Fica numa espécie de
erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito
errante. O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De
idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que
constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é
classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase
imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas.”
Essa resposta está em
concordância com o nosso raciocínio. Os espíritos dos animais mais primitivos
ainda não estão individualizados, mas encontram-se associados aos demais da
mesma espécie, situação essa que Jorge Andréa intitula de
alma-grupo-da-espécie. Desse modo, a reencarnação desses animais deve ser
sempre imediata e a bagagem de experiência que utilizam em cada nova vida,
aquela compartilhada com os demais membros da sua espécie. No caso dos animais
superiores, por outro lado, se bem que suas almas devam, igualmente, o mais das
vezes, reencarnar de imediato na mesma espécie, é certo que levarão consigo a
bagagem própria de experiências por eles já acumulada na individualidade.
4.3.4. Quando falamos, no começo deste estudo,
sobre a Reencarnação dos Espíritos, dissemos que dois eram os motivos que os
levavam a reencarnar, as expiações e as provas. Será que o mesmo se dá com as
espécies animais?
4.3.5. Certamente não. Como vimos, a consciência e
o livre arbítrio somente atingem sua maturidade quando a alma animal entra no
reino hominal e se torna Espírito. Desse modo, antes disso ele não é
responsável pelos seus atos, carecendo, portanto, de sentido falarmos de
expiação.
4.3.6. Restam as provas como motores da evolução,
essas sim necessárias e apresentadas na forma de situações que cada espécie tem
que enfrentar ao longo de sua permanência em cada mundo.
4.3.7. Alguém nesse ponto poderia perguntar se, no
caso dos animais, que não são responsáveis pelos seus atos, não seria possível
que toda sua evolução se processasse nas dimensões espirituais.
4.3.7.1. Ocorre que os animais, assim como os
humanos, necessitam vivenciar experiências interagindo umas espécies com as
outras para desenvolverem a inteligência e as emoções. A imensa e sofisticada
rede escolar da natureza oferece a infinidade de opções que eles precisam.
5. Os Reinos da
Natureza
5.1. Na questão 591, Parte 2ª Cap. XI de O Livro
dos Espíritos, lemos:
- Nos mundos
superiores, as plantas são de natureza mais perfeita, como os outros seres?
“Tudo é mais
perfeito. As plantas, porém, são sempre plantas, como os animais sempre animais
e os homens sempre homens.” (o negrito é nosso)
5.2. Essa resposta dos Espíritos pode levar à
conclusão errônea e, totalmente em desacordo com a Lei da Evolução, de que a
alma que hoje anima um animal jamais chegará à condição de Espírito, passando a
habitar o reino hominal.
5.3. A nosso ver, a única maneira de se entender
o que os Espíritos quiseram dizer com a resposta acima que seja, a um tempo, compatível
com a Lei da Evolução e com a Justiça Divina, é considerando os reinos como
estágios evolutivos presentes em todos os mundos, não importa quão sutis e,
portanto, evoluídos, tais mundos possam ser. Voltando à nossa analogia
acadêmica, poderíamos ver a educação infantil como o reino mineral, o ensino
fundamental como o reino vegetal, o ensino médio como o reino animal, a
universidade como o reino hominal e a pós-graduação como o reino angelical.
5.4. Desse modo, a espécie animal mais evoluída
que hoje habita no mundo mais evoluído é, certamente, aquela que se encontra
mais perto de adentrar no reino hominal, o mesmo se podendo dizer da espécie
vegetal em relação ao animal e da “espécie” mineral em relação à vegetal,
somente para falarmos dos reinos mais conhecidos.
6. Juntando
Analogias
6.1. Se juntarmos as duas analogias escolares
que fizemos, uma para a evolução dos Espíritos e, outra, para os reinos da
natureza, podermos chegar a um entendimento amplo de como se dá a evolução do
princípio inteligente nos diversos mundos (vide Nota).
6.2. Mundos Inferiores: nos mundos mais simples
só existe o reino mineral. Depois, à
medida que o mundo evolui, ele passa a ter, sucessivamente, reinos mineral e
vegetal, depois, mineral, vegetal e animal e enfim, mineral, vegetal, animal e
hominal, sendo os Espíritos que reencarnam nestes últimos, predominantemente,
Espíritos Neutros.
6.3. Mundos de Provas e Expiações: Sempre
possuem os cinco reinos, mas os seres em todos eles se encontram mais evoluídos
que nos Mundos Inferiores. Os humanos que reencarnam nesses mundos são,
predominantemente, Espíritos Perturbadores, Neutros, Pseudo-sábios, Levianos e
Impuros.
6.4. Mundos de Regeneração: Continuam possuindo
os mesmos cinco reinos, todos em estágio mais evoluído que nos Mundos de Provas
e Expiações. Os humanos que reencarnam
nesses mundos são, predominantemente, Espíritos Sábios e Benévolos.
6.5. Mundos Ditosos ou Felizes: Minerais,
vegetais e animais ainda mais evoluídos se encontram em tais mundos. Os humanos que neles reencarnam são, predominantemente,
Espíritos de Sabedoria e Superiores.
6.6. Mundos Celestes ou Divinos: Nesses mundos
existe um sexto reino, o angelical. Somente Espíritos Puros neles habitam. É
fácil intuir que é nesses mundos que se processa a última fase do princípio
espiritual estagiando em cada reino. Estando os minerais em tais mundos no
estágio máximo a que pode chegar um mineral, o seu imediato porvir será,
obrigatoriamente, no reino vegetal e, pelo que nos indica o bom-senso, em um
mundo primitivo. Mutatis mutandis, o mesmo se pode intuir sobre os vegetais e
os animais neles existentes.
Nota: Em nosso
estudo, por simplicidade, não estamos mencionando explicitamente os reinos
identificados mais recentemente, monera e protista, nem os vírus, o que não
quer dizer, entretanto, que o que é dito dos demais não se aplique a eles.
7. Conclusões
7.1. Acreditamos ter traçado um panorama geral
do Aspecto Evolutivo da Reencarnação. Listaremos, a seguir, os pontos principais
que abordamos.
• Não existe pecado, não existe punição. A
Evolução possui na Reencarnação seus dois mecanismos educativos, a expiação,
que é uma oportunidade de reparar erros cometidos e a prova, que é uma situação
não antes vivida ensejando novos
aprendizados.
• As almas que ainda não entraram no reino
hominal não são responsáveis pelos seus atos, não sendo portanto, submetidas à
Lei da Causalidade. Logo, reencarnam somente para enfrentar novas provas e não
se demoram nas dimensões espirituais.
• Há uma diversidade de caminhos evolutivos,
sendo que cada espécie pode livremente tomar um deles sem requerer mudanças
abruptas em seu corpo sutil para adaptação a corpos físicos que não se lhe
assemelhem. Haverá sempre um mundo pelo menos onde haverá uma espécie de corpo
sutil semelhante ao seu e que servirá de matriz para a nova espécie que lá irá
definir.
• Existem incontáveis mundos habitados no
Universo, podendo ser visto cada um como uma escola, com várias séries em
determinados ciclos, seguindo modelos pedagógicos próprios. É percorrendo
ciclicamente a Rede Escolar de Deus que o princípio inteligente perfaz o longo
caminho que o leva da simplicidade e ignorância até a angelitude, estagiando
pelos diversos reinos em aprendizado constante.
7.2. Podemos concluir que a Reencarnação é o
mecanismo central da Evolução nos reinos superiores da Criação. Nos reinos
inferiores, no entanto, apesar de existir um ciclo de vida e morte o princípio
espiritual encontra-se ainda adormecido tornando impróprio o uso do termo
reencarnação.
7.3. O Ciclo de Vida e Morte por que passam os
vegetais e os minerais, estes representados pelos astros do Universo, podem ser
vistos, no entanto, como exercícios de reencarnação. Estaríamos diante, neste
caso, de uma evidência de que até a Reencarnação é sujeita à Evolução.
8. Bibliografia Consultada e Sugerida:
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[citado 01 de setembro de 2003]. Disponível em:
http://palto.stanford.edu/entries/consciousness-animal/
(Estudo
apresentado originalmente na Sociedade Espírita Jesus Escola, Cantagalo, RJ, em
6 de Setembro de 2003)
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