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Marcelo Paes Barreto
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos
dou: não vo-la dou como a dá o
mundo. (...).” (João, 14:
Deus, o Criador de tudo e de todos, outorgou-nos as
leis naturais, como norteado para uma caminhada de serenidade e progresso,
desde o princípio da História.
Em cada época, o Pai designou um filho, bem
preparado, para lembrar da existência destas Leis, objetivando um melhor
encaminhamento de tudo e de todos para o alcance do Bem.
Moisés, procurando cumprir bem a tarefa, educa-se
numa família de monarcas, no Egito, para depois elevar os níveis de sociabilidade
de seu povo, objetivando mais altos graus de harmonia e paz. Recebe os Princípios
Fundamentais, traduzidos em Mandamentos, que, se estudados e assimilados, à
época, seriam substanciais pontos de apoio para o crescimento da civilidade.
...
“Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a
verdade vieram por Jesus Cristo.”
( João, 1:17.)
Jesus, o Mestre de todos os mestres, surge na mesma
região, para dar cumprimento àqueles Princípios recebidos por Moisés,
sintetizando-os na Lei do Amor a Deus e ao próximo. Para isso, do alto do monte,
como se estivesse na frente e em cima do tablado da sala de aula da vida, dita
as fases para o alcance do nível mais alto da Paz. Fases pedagógicas, em ordem
crescente de evolução interna de cada estudante, que, se bem compreendidas,
proporcionariam um ser calmo, tranqüilo, consciente, e, por fora, propagador da
harmonia social.
A primeira fase, por ele anunciada, foi a humildade,
a ser trabalhada internamente, no campo do espírito, exatamente para que fosse, após
compreendida, a base de sustentação de todas as outras etapas.
A segunda, o choro, no sentido de saber,
conscientemente, enfrentar os momentos de sofrimento durante a vida terrena,
evitando-se o desespero, o aumento da dor, o atravancamento da caminhada, e
propiciando a oportunidade de reacerto. O consolo viria através do conhecimento
para o solucionamento da questão.
A terceira, a brandura. Para alcançar este estágio,
necessárias as duas fases anteriores, pois, sem humildade e resignação,
impossível o indivíduo cultivar a brandura, tanto no plano interno quanto nas
ações e nos atos exteriores. O sujeito brando educa os desejos, controla as
emoções, serena as ações.
A partir daí, o discípulo, semelhante ao atleta,
estará pronto para os treinamentos mais aguçados, mais afinados, mexendo, efetivamente,
no campo complexo da alma, e, objetivando saltos maiores, com consciência e
responsabilidade.
Aparece, então, a quarta fase, a vontade de justiça.
Justiça nos pensamentos, ações que gostaria de receber! É o projeto de
equilíbrio da convivência social mais apurado que alguém trouxe para a sala de aula humana!
Começa, o ser praticante, a juntar para si elementos de verdadeira harmonia.
Mais preparado, cônscio da tarefa divina da vida,
pode iniciar a quinta atividade, a caridade para com os outros. Ciente e consciente,
passa a ser um praticante da misericórdia. Que implica compaixão: sentir pelo
semelhante uma vontade profunda de ajudar. E, então, ato contínuo, praticar a
misericórdia, efetivando, de alguma maneira, a verdadeira ajuda. Distribuindo o
amor pelas ações. Passando, também, a receber e alcançar a misericórdia!
Nesta fase, pode, com firmeza, visualizar o próprio
coração, iniciando a limpeza do seu interior, dando seguimento à sexta fase. Tirando
de seu patrimônio aqueles pontos enferrujados, que eram traduzidos, na vida
prática, pelos maus pensamentos, pelo azedume, pelas más ações, que, em muitos
casos, faziam chegar aos conflitos e, até mesmo, aos crimes, impulsionando o
aumento da violência grupal e social.
Higienizando-se internamente, passa a plantar a
semente da felicidade, na razão direta em que se vê e se sente “limpo de coração”. O
terreno está pronto. É uma nova visão do seu interior, aparecendo, também, como
um novo ser social.
Seguindo a seqüência pedagógica ensinada por Jesus, o
ser humano poderá iniciar uma das mais belas fases de sua existência: a
Pacificação do ambiente onde vive em relação com seus semelhantes. Mas isso
somente é possível quando respeita a ordem pedagógica do conhecimento! Quando
trabalha primeiramente em si, modificando--se internamente, praticando a
caridade para consigo mesmo, tendo a coragem de edificar um novo ser, diante da
verdade das leis da Criação, consciente de seus objetivos e fins a serem
atingidos. Passa a ser um verdadeiro discípulo do Mestre.
De aluno a colaborador do Mestre, no exercício
prático da vida de convivência, também passa a servir de exemplo para a educação da
Humanidade, desde a concepção microfamília, até a concepção macrossociedade. Diante
dos que erram, perseguem, caluniam, que cometem crimes, passa a demonstrar o
comportamento de cristo perdoando, orando e trabalhando pela conversão dos
doentes da alma. Passa a ser um soldado do Cristianismo! Soldado que ajuda a
prevenir. Defronte do erro procura compreender e ensinar para que o mesmo não
se repita. Com os irmãos de caminhada, divulga as leis, seja pelo exemplo, seja
pelos meios conhecidos de comunicação.
Jesus, portanto, deixava, há 2.000 anos, para todos
nós, o ensinamento, a fim de que, um dia, após o cumprimento das etapas de
conhecimento/estudo/aplicação, chegássemos ao estágio de perfeita harmonia interior
e efetivos praticantes de sua mensagem: “Um novo mandamento vos dou: Que vos
ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos
outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos
outros.” (João, 13:34-35.)
Compreende-se, por conseqüência, que o aluno deve
entender a sua condição de aprendiz, cumprindo as suas obrigações, as etapas,
para que possa atingir os planos superiores da Criação. Daí ter anunciado a
necessidade da continuidade dos estudos, buscando-se a sua amplitude filosófica
à medida que a evolução fosse chegando. A Terceira Revelação, o Espiritismo,
veio, então, esclarecer, ampliar de vez, evidenciando a extrema importância do
aprofundamento dos Princípios Básicos da Paz.
...
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador,
para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não
pode receber, porque não o vê nem o conhece: mas vós o conheceis, porque habita
convosco, e estará em vós.” (João,
14:16-17.)
Os Espíritos Superiores, autorizados pelo Pai, trouxeram
o Espiritismo, em cinco livros básicos, que em função do progresso científico
e filosófico da sociedade humana, coadjuvado pelas universidades, pelos
cientistas, descobridores e missionários, proporcionaram, definitivamente, para
todos os seres, a oportunidade de concretizarem a construção da Paz interior e
exterior, rumando, com celeridade controlada, para a concretização da tão almejada
felicidade.
Abria-se, com a Doutrina Espírita, embasada em
pilares bem sedimentados, a porta da Universidade da Alma, com todas as
faculdades que integram a Criação.
Estava, a partir da edição do Pentateuco Kardequiano,
consubstanciada a oportunidade de construção, por parte dos operários, agora
mais preparados, do “Edifício” que um dia irá reunir todos os seres, num ambiente
de fraternidade e amor.
Tratava-se da união da instrução com as técnicas de
aperfeiçoamento dos sentimentos, da plena consonância da razão com o coração,
numa efetiva descoberta da inteligência emocional, iniciada com Moisés,
continuada há dois mil anos por Jesus, e concluída pelos Espíritos Superiores,
orientados pelo próprio Mestre, podendo, daí por diante, dirigir o ser todas as
suas potencialidades para o bem de si, do semelhante e das coisas que integram
a vida.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, os
Espíritos Superiores conseguiram trazer os ensinamentos de Jesus, amarrados
pedagógicamente com os novos conhecimentos, agora também sustenta- dos pela
Ciência, numa verdadeira enciclopédia pedagógica. Cada capítulo prepara a
compreensão do posterior, explicando o que passou, elucidando toda e qualquer
dúvida até então existente.
Foi e é a perfeita conjugação da chave com a porta,
abrindo para o ser o real caminho para a perfeição!
Nesse importante tratado sobre Moral Cristã, podemos
verificar, em definitivo, a concretização dos Princípios Básicos da Paz, onde o
começo clarifica a eminência e perfeição do Criador, evidenciando a plenitude
das leis que regem a tudo e a todos, e a magnitude do Filho, enviado para
lecionar isto tudo para a eternidade dos tempos.
O meio da magnífica obra cuida da metodologia a ser
aplicada na vida de cada adepto, numa seqüência de profunda pedagogia, das
aflições ao perfeito entendimento da caridade, visualizando, num horizonte bem
próximo, a felicidade eterna, agora embasada nos caracteres insubstituíveis da
perfeição.
O fim demonstra como se poderá transitar pelos mundos
criados pelo Pai, trabalhando e progredindo, buscando e achando, pedindo e
obtendo.
Com efeito, não existe no mundo outro caminho para a
Paz que não seja o estudo, a compreensão e a aplicação dos conhecimentos das
Leis naturais, iniciados por Moisés, ampliados substancialmente por Jesus, e
complementados pela Doutrina Espírita. As três Revelações, compreendidas e
devidamente exercitadas, é que proporcionarão os dias de paz tão procurados pelos
integrantes da sociedade terrena.
Quando, efetivamente, conhecedores da verdade,
seremos os educadores de nós próprios, e impulsionadores da pacificação dos
sentimentos e das ações sociais.
Podemos, portanto, finalizar com a mensagem dos
Espíritos Superiores, conclamando Kardec e a todos os trabalhadores, agora
conscientes e responsáveis, com tenaz vontade de trabalhar, para a conclusão da
grande e eterna obra:
“Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho
que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. Nele
pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos
os homens num mesmo sentimento de amor e caridade.” (O Livro dos Espíritos, Prolegômenos, 73. ed. FEB.)
Fonte:
Revista Reformador – Agosto/1998
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