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Educação Moderna - Preparação ou Liberdade

 

 

Édo Mariani

  

Alguém já disse que filho é sinônimo de responsabilidade. E quando nos tornamos pai ou mãe, aquele ser que é depositado em nossos braços parece trazer consigo uma espécie de enigma que nós, na ânsia de cumprir a nossa missão de responsabilidade, tentamos decifrar.

Com o pequeno sob os nossos olhos, verdadeira avalanche de dúvidas parece tomar conta de nosso ser: devo ser rígido ou liberal ? Devo larga-lo à solta para não prejudicá-lo ou reprimi-lo? Será correto permitir que ele seja sempre o centro de todas as atenções e que se transforme em pequena máquina de estimação dentro de casa? Como protegê-lo sem controlar-lhe os impulsos infelizes? Devo conceder-lhe liberdade irrestrita, fazendo o que lhe venha à cabeça, a pretexto de garantir-lhe a saúde? Será natural deixá-lo crescer com a ilusão de que é plenamente livre, para depois encontrar, na posição de adulto, os constrangimentos da disciplina social, indispensável em qualquer parte, que lhe doerão ou pesarão muito mais pela ausência de treino ou preparação? Por outro lado, não corro o risco de ser repressor se agir de forma contrária?

É comum ouvir de pais responsáveis essas e outras perguntas a respeito de seus filhos.

A doutrina Espírita apresenta a solução para grande parte de nossos problemas e também não nos desampara quando o assunto é criar os filhos.

Emmanuel, em belíssima e instrutiva página ditada ao médium Chico Xavier, intitulada "CRIANÇAS E NÓS", ensina: "Muitos setores das ciências psicológicas asseveram que é indispensável preservar a criança contra a mínima coação, a fim de que venha a se desenvolver sem traumas que lhe prejudicariam o futuro. Isso, no entanto, não significa que deva crescer sem orientação.

Independência desregrada gera violência, tanto quanto violência gera independência desregrada.

Releguemos determinada obra arquitetônica ao descontrole e teremos para breve a caricatura do edifício que nos propúnhamos construir.

Abandonemos a sementeira a si própria e a colheita se nos fará desencanto.

Exigimos a instituição de um mundo melhor.

Solicitamos a concretização da felicidade comum.

Sonhamos com o levantamento da paz de todos.

Esperamos o reino da fraternidade.

Como atingir, porém, semelhantes conquistas sem a criança no esquema do trabalho a realizar?

Não mergulhará teu filho nas ondas revoltas da ira quando a dificuldade sobrevenha, e sim não te omitirás no socorro precioso, sem deixá-lo à feição de barco desarvorado ao sabor do vento. Não erguerás contra ele a palavra condenatória nos dias de desacerto, a insuflar-lhe, talvez, ódio e rebeldia nos recessos da alma, e sim procurarás sustentá-lo com a frase compreensiva e afetuosa que desejarias ter recebido em outro tempo, nas horas da infância, quando te identificaras nas sobras da indecisão.

Sabes conduzir a criança ao concurso da escola, à assistência do pediatra, ao auxílio do costureiro ou ao refazimento espiritual nos espetáculos recreativos. Por isso mesmo não lhe sonegues apoio ao sentimento para que o sentimento que se lhe faça correto.

Concordamos todos que a criança necessita de amor para crescer patenteando mente clara e corpo sadio, entretanto, é impossível efetuar o trabalho do amor – realmente amor – sem bases na educação."

Sabemos que uns condenam a educação moderna, saudosos dos tempos em que as crianças obedeciam aos pais pelo olhar e tremiam diante do mestre. Outros aprovam a nova educação sem a conhecer e fazem do seu princípio de liberdade uma forma de abandono. Não pode haver liberdade irrestrita, pois a liberdade só pode existir dentro das condições necessárias. Um homem solto no espaço, livre até mesmo da gravitação, não pode fazer coisa alguma e perecerá na desolação. Para que tenha liberdade é preciso que esteja condicionado pelo meio físico, pisando a terra e aspirando o ar, condicionado pelo corpo e pelo meio familiar e social, e assim por diante.

Ensina-nos o pedagogo José Herculano Pires: "A educação antiga era uma forma de domesticação. As crianças eram tratadas como animais. A educação moderna, a partir de Rousseau, é uma forma de compreensão. O seu princípio básico não é a liberdade, mas a compreensão da criança como um ser em desenvolvimento. O seu objetivo não é o abandono da criança a si mesma e sim o cultivo paciente da criança, para que possa crescer sadia no corpo e no espírito. Os maus juízos sobre a nova educação provêm do seu desconhecimento pelos pais e pelos mestres, muitos dos quais não possuem aptidão para educar".

Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (cap. XIII, item 18) um Espírito familiar dita uma mensagem dedicada aos órfãos. Dela se valeu José Herculano Pires para pontuar: "- prescreve-nos ajudá-los , livrá-los da fome e do frio, orientar suas almas para que não se percam no vicio. Esse o programa da nova educação. Seria um contra-senso convertermos os nossos filhos em órfãos, entregues a si mesmos, ao invés de vigiá-los, descobrir-lhes as arestas morais e orientá-los para o futuro.

Os depositários de bens materiais cuidam deles para que não se deteriorem. O lavrador cuida das suas plantações para que produzam. Os pais, depositários de almas, têm responsabilidade muito maior e mais grave que a daqueles. Precisam cuidar de seus filhos e ajudá-los para que sejam úteis no futuro".

Vale meditarmos sobre este tema tão importante para o futuro de nossos filhos, nós que temos a grande responsabilidade de guiá-los e encaminhá-los para a vida.

 

Fonte: Jornal Verdade e Luz – agosto/2005

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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