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Leda de Almeida Rezende Ebner
"Vivemos
mediunicamente entre dois mundos e em relação permanente com entidades
espirituais." (1)
"Todo aquele que sente, num grau
qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é
inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso
mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois,
dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns." (2)
Os que entendem essa constatação, pela
observação, pelos estudos e raciocínios, têm um motivo a mais para procurar bem
viver no cumprimento dos deveres, principalmente, mantendo-se equilibrados,
educando e sublimando seus instintos, evitando provocar males que possam
prejudicar a outros e a si mesmo.
Em realidade, estamos todos mergulhados, na
Terra, entre os encarnados e os desencarnados, que também a habitam, em um
plano invisível aos olhos materiais. Todos se influenciam, se atraem, pelos
pensamentos, conseqüências dos sentimentos e emoções.
Somos, todos, habitantes da Terra, Espíritos
em evolução. Viemos de um longo processo, de bilhões de anos, caminhando nos
chamados reinos inferiores, até conseguirmos a condição de Espíritos
conscientes, racionais e sensíveis.
Somos responsáveis pela continuidade desse
processo, no uso do livre-arbítrio, que nos dá a liberdade de escolhas, mas nos
atrela às conseqüências das mesmas.
Se assim nos percebemos, para nosso próprio
benefício, precisamos conhecer o que se passa em nosso interior, em nossas
reações às pessoas, situações e acontecimentos da própria vida.
Vamos, então, perceber que nossas ações são
sempre resultados, em sua origem, do que sentimos. Quase sempre, esses
sentimentos geram pensamentos que transformamos em ações ou reações; todavia,
muitas vezes, agimos, tão instintivamente, que nos parece não haver
participação da razão, tanto que, justificamos : "Perdi a cabeça."
"Não pensei".
Tanto numa como na outra maneira de reação
humana, dificilmente, estamos sozinhos nesse processo de reação. Atraímos, de
acordo com o que sentimos e pensamos, no dia-a-dia, até quando nada estamos
fazendo, Espíritos que se assemelham a nós, que sentem como estamos sentindo,
que pensam como pensamos, e podem agravar ou suavizar nossos sentimentos e
emoções.
Assim, temos as companhias espirituais que
atraímos.
Nada podemos fazer contra isso, visto que
esse relacionamento entre encarnados e desencarnados faz parte do existir, do
viver. Vivemos em ondas e vibrações que se cruzam, se atraem, se influenciam, se
repelem. E se assim o é, devemos usar esse fato em nosso benefício e não contra
nós.
Se queremos evoluir no bem, se queremos
evitar erros, omissões, males que prejudiquem a nós e a outros, se queremos ter
paz e bem-estar interior, busquemos atrair para nosso convívio espiritual,
Espíritos que possam nos auxiliar, esforçando-nos por desenvolver, em nós, as
qualificações nobres que trazemos em nossa essência espiritual, desde a nossa
criação.
Eduquemos a mediunidade que todos possuímos,
executando, com carinho e devoção, nossa educação moral, perseverantemente,
estando alertas ao que sentimos diante de qualquer acontecimento ou pessoa.
A ação mediúnica tem origem nos sentimentos
que levam aos pensamentos e às ações. Por isso, disse Jesus: "Vigiai e
orai". Empenhemo-nos em viver, constantemente, essa norma, por que Ele
sabia o que dizia.
E, quando atrairmos Espíritos, que possam
exacerbar nossos sentimentos negativos – eles causam sempre uma sensação
desagradável – peçamos ajuda a Deus, aos bons Espíritos para nós e para os que
nos perturbam, para que sejamos, nós e eles, igualmente amparados, porque,
tanto quanto nós, precisam eles, também, de amparo.
E o auxílio espiritual virá sempre que em
nosso pedido houver a fé e a humildade.
Bibliografia:
1- PIRES, J.
Herculano. Mediunidade. 1. ed., São Paulo-SP, Edicel, cap. 1, p. 14
2- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. FEB, cap.
XIV, q. 159, 1º§.
Fonte:
Jornal Verdade e Luz – abril/2005
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