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Mauro Paiva Fonseca
Se nascemos sem que seja por nossa vontade, se
sofremos sem desejarmos o sofrimento, se inevitavelmente morrermos, embora não
desejemos a morte, o bom senso está a nos dizer que precisamos meditar sobre a
vida; pois há muitos “porquês” a serem respondidos.
Os atributos e condicionamentos que trazemos ao
nascer dependeram de nós mesmos, porque fomos os arquitetos do nosso porvir. A
forma, as limitações e o meio onde somos colocados na vida física indicam um
processo altamente seletivo, que posiciona cada criatura na situação que
otimizará o aproveitamento no processo evolutivo.
Luminares da Espiritualidade planejam, com perfeição
de detalhes, o roteiro que nos competirá percorrer, examinando pormenores, para
avaliar-lhes a real eficiência em nossa economia evolutiva. Tudo é planejado
sob o determinismo divino: o determinismo do bem! Ele é o
parâmetro ao qual são referenciados os acontecimentos inevitáveis da
existência. Nossas necessidades de Espíritos em aperfeiçoamento são por eles
bem conhecidas, pois se acham inscritas em nossa natureza perispiritual, em sua
totalidade, de onde extraem os elementos necessários à composição do roteiro
reencarnatório.
Ao tentarmos violar o equilíbrio das forças que
determinam os acontecimentos indispensáveis, estaremos criando outros que,
automaticamente, tendem a reequilibrar aquilo que desequilibramos.
Com a liberdade e o livre-arbítrio de que
desfrutamos, geramos determinismo a que popularmente se denomina “destino”.
Entretanto, não há nele fatalidade; as dores, e os sofrimentos que nos visitam
durante a existência, por inevitável imposição da lei do progresso, poderão ser
adoçados com a resignação e a humildade, ou agravados com o ácido da rebeldia,
da revolta e da inconformação.
Cativos da matéria, estamos encarnados para o
trabalho incessante de escoimar do próprio acervo os erros, as fraquezas e os
maus sentimentos, porque eles são os responsáveis pela permanência nos
processos reencarnatórios, os quais, para serem superados, dependerão dos
esforços empreendidos em cada etapa.
A morte, todos o sabemos, é uma fatalidade para
todos; é o processo inevitável no transformismo fenomênico; mas ela não existe
como realidade destruidora, pois que, na
verdade, é apenas a continuação da vida. Por essa razão, não poderemos viver
como se tudo terminasse no túmulo; nem nos conformarmos em desconhecer o que
vem depois. Há milênios, o homem perquire os mistérios da morte, para
compreender a sobrevivência além-túmulo.
Todos os que se sentem portadores de alguma
inteligência não poderão ficar indiferentes, aceitando um futuro desconhecido,
sem buscar-lhe o conhecimento, pesquisando as razões e a lógica da vida.
Eis que o Cristo procura acordar-nos declarando:
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará...” Neste chamamento,
entretanto, estará implícito o esforço necessário a cada um, para alcançar a
verdade libertadora.
Do infinito, as trombetas já soam numa vibrante
alvorada, para acordar os retardatários. A indiferença e a negligência são
crimes contra nós próprios; elas amodorram a razão e sentimento,
transformando-nos em joguetes das forças cegas da Natureza. Até que o homem se
decida assumir o comando, tomando as rédeas da vida para orientá-la com
segurança e conhecimento, estará à mercê do sofrimento e da dor.
A força propulsora, no-la oferece o Pai Celestial; a
bússola para orientá-la é o Evangelho de Jesus, Caminho, Verdade e Vida; e o
manancial que no-lo explica em espírito e verdade é a Terceira Revelação, este
repositório completo de conhecimentos chamado Doutrina Espírita.
Fonte: Revista Reformador – out/1998
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