Terra Espiritual
 

'Discutindo a espiritualidade!'

Home

Espiritismo

Religiões

Sociedades Secretas

Links

Webmasters

 

www.terraespiritual.org

 

Menu

 

Aconteceu

Arte Espírita

Artigos

Biografias

Centro Espírita em Destaque

Centros Espíritas do Ceará

Chat Espírita

Chico Xavier

Doutrina

Enquete do mês

Entrevista do mês

Espiritismo e ciência

Espiritismo e filosofia

Espiritismo e religião

Eventos

Filmes espiritualistas

Liga dos Historiadores e Pesquisadores Espíritas (LIHPE)

Livro do mês

Mensagens

Obras básicas - Download

O Evangelho no Lar

Parapsicologia e espiritismo

Perguntas e Respostas

Sala Filosofia Espírita

Sobre a Divulgação Espírita

Transcomunicação

Vocabulário Espírita

 

 

 

 

 

 

 

O Direito (Inalienável) à Liberdade

 

 

Marcelo Henrique Pereira

  

Durante séculos - e, até mesmo, ainda hoje - o homem foi aprisionado por correntes filosóficas e religiosas que lhe prescrevem normas de conduta e lhe tolhem a oportunidade de ação. Com promessas de paraísos espirituais e, mais ainda, com ameaças de condenações eternas, seitas e filosofias restringiram-lhe o mais basilar dos direitos: a liberdade. Há quem diga que, em estágios anteriores, de bruta animalidade e de lento despertar da sensibilidade (sentimentos e virtudes), eram necessárias rígidas amarras e condões. Por isto, ao examinarmos apenas um dos códigos de procedimento jurídico-religiosos do passado - a Tábua da Lei - vamos encontrar prescrições negativas (obrigações de não fazer): "Não matar; não roubar; não pecar contra a castidade; não desejar a mulher do próximo; não cobiçar as coisas alheias".

Hoje, contudo, em termos de filosofia espírita - que é, por nós, cognominada como a doutrina da fé raciocinada - não podemos utilizar os mesmos procedimentos, fórmulas e idéias de outras correntes ou épocas. A pretexto de orientar condutas, explicar acerca de conseqüências futuras dos nossos atos, ou, até, sobre o "futuro" individual ou coletivo, é totalmente descabido valer-se da mesma "pedagogia" que manteve as criaturas, por medo ou terror, aficcionadas a determinados movimentos sociais, entre eles, os religiosos. Afinal de contas, se não há "inferno", ou seja, se a condenação (se é que podemos utilizar este termo, em relação ao "julgamento" divino) não atravessará os tempos e as Leis Espirituais permitem inúmeras formas de compensação de erros, aprendizado e progresso, é imperioso que modifiquemos, também, nossa forma de ensinar, orientar, aconselhar, apresentar ou discutir questões de fundo espiritual.

Vamos a um exemplo prático: a campanha em defesa da vida, instituída no movimento espírita (pela Federação Espírita Brasileira e, por tal supervisão, recomendada como diretriz aos milhares de centros espíritas a ela filiados, em todo o país), ou, até mesmo, discutida, sem o caráter de "campanha" em eventos espiritistas. Ao utilizar-se o slogan "Sim à vida", tem-se um determinado resultado prático: a conscientização no sentido de que ela (a vida) seja respeitada como o mais básico e elementar dos direitos humanos, merecendo a criteriosa atenção e proteção de pessoas, instituições e governos. Isto é válido, necessário e imprescindível. Todavia, o que nos preocupa - e, em essência, nos fez meditar na feitura deste ensaio - é a mensagem (subliminar ou explícita, em alguns casos) que é-lhe correlata: o não matar.

Evidentemente, nosso raciocínio vai no sentido da defesa da vida em situações que não sejam violentas e agressivas (como assassínios e guerras), pois estas já merecem das pessoas de bom senso e relativa elevação espiritual o rechaço e a oposição naturais. Não há, pois, qualquer criatura espiritualizada que possa defender a aniquilação proposital do semelhante, seja em disputas pessoais, grupais ou estatais. O respeito ao semelhante (e, por extensão, a não-agressão contra sua integridade física - vida) é uma conquista derivada da evolução espiritual.
Mas, em paralelo, há situações que merecem uma atenção mais detida de todos nós que pensamos o Espiritismo. E, neste cenário, temos que voltar à citada campanha febeana. Como sub-temas da mesma estão: aborto, eutanásia, pena de morte, suicídio. Para todos eles, a orientação da Casa-Máter é uma só: NÃO. Isto é, conjuga-se a prescrição em favor da defesa (incondicional) da vida com a vedação completa a qualquer meio ou forma de aniquilamento da existência física. Entende-se, assim, que o aborto nunca deva ser praticado, porque Deus é que sabe acerca do futuro e toda encarnação é um aprendizado, uma oportunidade para o(s) Espírito(s) - o que encarna no feto, seus pais, e outros mais próximos - não interessando se a "vida" durará semanas ou meses (no ventre), ou alguns segundos (fora dele), independentemente do locus maternal. Quanto à eutanásia, também, prefere-se prolongar indefinidamente a vida (?) do moribundo, de modo artificial, com poderosos (e caríssimos) aparelhos, em UTIs, só para satisfazer a máxima da "hora chegada", ou seja, "o momento em que Deus chamará aquela alma para o seu convívio".

Em outro plano, o do suicídio, utilizam-se trechos de livros (psicografados ou não) para designar o cenário que tais espíritos irão divisar, ao chegarem ao Plano Espiritual, no pós-desencarne. Algumas obras, inclusive, espelham cenários dantescos, que nada têm a ver com a mensagem da Boa Nova, que sempre foi representada como a porta aberta ao arrependimento e o desejo íntimo e sincero de progresso.

Parece-nos, amiúde, que o único ponto concorde é o tema da pena de morte, esta sim considerada uma brutal agressão ao ser que, independentemente do tipo criminal que cometeu, merece, do sistema legal-processual, uma oportunidade de reparação.

Deste modo, o que temos visto nas casas (e nos periódicos) espíritas, são condenações prévias, seja direta ou indiretamente, dizendo que aqueles que abortam, se suicidam, ou cometem ou permitem a eutanásia serão grandes devedores, no futuro, pelo "agravamento" de suas penas, provas ou expiações, em razão dos atos cometidos.

Lamentamos tudo isto... Reiteramos que, nesta direção, não somos nem um pouco diferentes dos adeptos de outras religiões do presente (sem falar nas do passado), porque utilizamos as mesmas "armas" para amedrontar, impressionar ou condicionar a liberdade de ação das pessoas, agravada, ainda, pela impossibilidade de discutir seriamente tais questões, porque alguém (encarnado ou não) já ditou diretrizes suficientes para o deslinde da matéria. Não há como antepor argumentos ou pretender dialogar com quem já está com a sua convicção formada e, também, não admite que o dizer dos "Espíritos Superiores" possa ser contestado.

Vemos em muitos ambientes e cenários espíritas a utilização das entrevistas, conversas fraternas e aconselhamentos (todos no plano individual), e, coletivamente, nas reuniões doutrinárias e de estudos, criaturas que, a pretexto de orientar ou ensinar as verdades espíritas, afirmam textualmente o que irá acontecer com os outros, numa relação de causa-efeito direta e inquestionável, sobretudo porque já prescreve, antes de qualquer julgamento, qual a pena a que o possível infrator das Leis Espirituais estará sujeito. Se, então, juridicamente não concordamos com o pré-julgamento, com a ausência do contraditório e do amplo direito de defesa do "criminoso", em termos espirituais, considerando a completude e a perfeição da Justiça Divina, não podemos aceitar que se abra mão, na consideração das ações individuais, do inalienável direito de liberdade, que condiciona nossas escolhas, não por receio de futuras conseqüências, mas baseado, direta e principalmente, na equação entendimento-vontade que nos caracteriza como Espíritos. E, por fim, no âmbito do julgamento espiritual, devemos lembrar, sempre, da máxima evangélica que assevera: "o amor cobre uma multidão de pecados", o que, em linhas gerais nos faz refletir que, se, por acaso, viermos a cometer equívocos na trajetória, não serão estes, isoladamente, o único quesito que irá ser aferido para a nossa compensação futura (pagamento de débitos); de outro lado, com muita força e vigor, estarão as "boas obras" que atenuarão - e muito - qualquer deslize porventura cometido.

Finalmente, na via interpretativa da filosofia espírita, cada um é o único e legítimo responsável por suas ações, e estas - sempre - decorrerão do inalienável direito de liberdade que em nenhuma circunstância nos será tolhido. O que fizermos de nossas oportunidades diz respeito tão-somente a nós mesmos, e a ninguém mais. Uma coisa, então, é advertir - carinhosa e fraternamente - acerca de determinados atos, considerados contrários à Lei Divina. Outra, bem diversa - e repugnante - é a crítica pessoal, a condenação prévia, a impossibilidade de, alteritariamente, respeitarmos as decisões dos outros - e a conseqüência real que lhes advirá no futuro.

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

 Home   l   Espiritismo   l   Religiões   l   Sociedades Secretas   l   Links   l   Webmasters

Copyright 2003 Terra Espiritual. All Rights Reserved.

Nedstat Basic - Free web site statistics