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Luiz Gonzaga Scalzitti
Há grande a celeuma sobre o
assunto. Alguns espíritas, mais afoitos, se prestam a estudar e apresentar
estudos, que qualifiquem a Doutrina como Ciência Exata. Outros, apresentam,
elaborados e extensos estudos, no intuito de defender a sua tese, sempre usando
os parâmetros científicos na dedução da fisiologia mediúnica. Alguns já
defendem teses de doutorado, usando parâmetros doutrinários equivocados,
aceitos pela academia que não se preocupa, senão, com os dotes de
escritor-relator, bem como de seus predicados científicos para aceitá-los.
Muitos dos doutores nas bancas, sem saber nada do assunto em questão, e nem são
obrigados, aceitam teses, seja pelo corporativismo, seja pela falta de
interesse, que depois vertidas pelos cientistas espíritas, doutorados agora,
transformam tais teses em Codificação Espírita. Os Espíritas, da mesma forma,
por corporativismo ou acomodação, não se preocupam em criticar, e, mesmo,
esclarecer o que não condiz com o caráter da Ciência Espírita. Que é uma
Ciência Filosófica.
A codificação nos foi apresentada como Filosofia, Ciência e Moral. O famoso
tríplice aspecto, mudado através dos tempos ou pelos tradutores para Filosofia,
Ciência e Religião.
Como Filosofia, ela se destina a infundir no ser, os aspectos de: quem somos?;
de onde viemos? e para onde vamos?. Como Ciência, ela preconiza a necessidade
de, usando metodologia cientifica, não desmentir, em nenhum aspecto, as ciências,
sendo que não deve haver doutrina sem o respaldo da ciência e vice-versa.
Como Moral, o Espiritismo nos conclama a melhorarmo-nos sempre e evoluirmos
intelectualmente para podermos agregar a moral ao nosso proceder natural. Esse
aspecto Kardec lucidamente ressalta na sua introdução de O Evangelho Segundo o
Espiritismo: “Podemos dividir as matérias contidas nos Evangelhos em cinco
partes: 1) Os atos comuns da vida do Cristo; 2) Os milagres; 3) As profecias;
4) As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da igreja; 5) O
ensino Moral”. [...] “Se as quatro primeiras partes têm sido objeto de
discussões, a última permanece inatacável. Perante a qual até a incredulidade
se curva.”
Preocupando-nos com os aspectos científicos da Codificação, vamos estudar então
o que estamos considerando.
A Ciência Exata é um conjunto organizado de conhecimentos que abrange todo o
conhecimento humano. Tem, em suas leis, determinados procedimentos e fórmulas
próprias, a cada ramo deste conhecimento. Sem essas fórmulas, seria de impossível
a resolução dos problemas. E ainda, todo fato ou problema analisado,
determinando-se por raciocínio ou dedução, por qual fórmula conhecida irá ser
solucionado. Assim, usa-se uma fórmula que a Ciência Exata conhecida e consagrada,
dispõe para tal resolução. E, ressaltando-se também que a Ciência está em um
ciclo constante de progresso, seja pelas experimentações, seja pelas novas
descobertas ou mesmo deduções lógicas de fatos constatados no passado.
A Medicina, arte que usa dos conhecimentos da Ciência para estabelecer padrões
de procedimento, tendo em vista fatos ocorridos e selecionados como históricos
que auxiliam no Diagnóstico do mal que sofre o paciente. Procede, usando paradigmas
historicamente estudados e conceituados, a serem confirmados no “campo”, quando
o paciente é submetido a um procedimento invasivo, quando o tratamento clínico
não resolve. Se assemelha à Ciência Espírita.
O caráter científico da Filosofia Espírita, pode a exemplo da Medicina, ser
considerado como um embasamento cientifico, de procedimento experimental
observado e para ser conceituado tem necessidade de ser comparado a outras
ocorrências semelhantes, levando-se em conta para isso, as leis naturais e as
revelações científicas. O que significa dizer que mesmo podendo usar
procedimentos e formulas da Ciência Exata não pode ser considerada como tal.
O Espiritismo usa a Metodologia da Ciência, mas não tem fórmulas que sirvam
para resoluções, porque depende da ocorrência que só se dá se o Espírito, ou
Espíritos, assim o desejarem e puderem demonstrar ou estar presente às experimentações.
Além de necessitar também em certos casos de médiuns e de experimentadores que
possam compreender os fenômenos. Para estudar e codificar os ensinos assim
obtidos. Coisa que não se pratica em nosso meio de há muito. S temos noticia de
estudos e experimentações de fenômenos de materializações que hoje em meu
entender poderiam ser dispensados uma vez que já conhecemos a realidade dos
Fenômenos Espíritas e suas conseqüências. Seria muito mais produtivo
interessar-nos pelos fatos intelectuais ou seja de aprendizados úteis ao nosso
viver no mundo material. O que é natural no homem que está sempre disposto ao
maravilhoso que é o que denotam os trabalhos de materialização que de pratico
nada apresentam considerando-se a melhora do mundo material.
A Ciência tem toda uma parafernália instrumental, cada vez mais sofisticada,
para obter o sucesso em seus trabalhos, para enxergar o que há de continuo. Já
o Espiritismo, conta e sempre contou com a qualidade do experimentador e dos Médiuns,
nas tarefas de experimentar e observar o que não está sempre disposição do
experimentador. Neste contexto, sabemos ser humanamente impossível a perfeição
e a isenção total de ânimo, de cada ser humano que se dedica ao Trabalho
Experimental Espírita, nos mais diversos e variados laboratórios “Centros Espíritas”.
Médiuns, todos somos. Mais ou menos apropriados, cada um de nós – mesmo contra
a própria vontade – é sensível e tem – mesmo não sendo Espírita – intuições, ou
inspirações que nos são sugeridas pelos Espíritos.
Vivemos em meio a um Universo Espiritual, mesmo a contra gosto de alguns autores
ou estudiosos que querem contabilizar os espíritos como seres à parte da matéria,
em locais geográficos (os mais estúrdios possíveis), segregados segundo seu
grau evolutivo – como se pudéssemos ter esta certeza. Não percebemos ainda, que
Deus coloca a todos em uma comunidade encarnada, nos mais diversos graus de
avanço intelectual e moral para que tenhamos como aprender entre nós. Se assim
o é, por que haveria de separar-nos depois de desencarnados?
Precisamos entender, que cada tem um parâmetro para entendimento, segundo o
próprio grau de evolutivo. Mesmo assim, estarmos encarnados nos propicia algum
grau de dificuldade, pois não podemos externar todo o conhecimento de que somos
possuidores, devido ao corpo material que limita nossas ações. Além disso,
temos comportamentos que nos cabe melhorar. E este é o objetivo da encarnação:
melhorarmos nossa personalidade. O Espírito precisa se desvencilhar de suas
viciações; não procurá-las para vivenciá-las.
Via de regra, não acatamos idéias ou sugestões, seja por orgulho, seja por ignorância.
Queremos sempre que todos nos acatem, mas não acatamos e, até, desrespeitamos o
que nos é colocado como disciplina. Não estudamos nada coletivamente e sempre
somos donos da verdade. Cada um expende sua opinião isoladamente e a propaga
como verdadeira. Cada um de nós, tem uma forma de ver os mais variados tipos de
problemas e assuntos e nada nos demove disto.
Não nos esqueçamos: estamos encarnados para vivenciar uma experiência que nos
permita sanar defeitos; vícios e teimosias próprias de nossa jornada, desde a
criação. Carregamos por isso, certezas de nossa ignorância passada, que ainda
interferem em nosso procedimento livre. Isso não nos torna pessoas de má
índole, mas apenas pessoas que querem e persistem na sua idéia por pura
teimosia. São idéias ainda consideradas verdadeiras. Ilusão daquele que pensa
que está só no Universo, como nos permitimos de contínuo a deixar nos levar
pelo instinto.
Os médiuns são os aparelhos instrumentais e revelam como os pesquisadores, os
mais diversos e variados graus de ignorância, assim como de personalidade, que
d colorido próprio ao produto da pesquisa. Essa ação tisna muitas vezes o resultado
da pesquisa. O que precisamos ter em mente, além de precisarmos levar em conta
as sugestões e criações próprias do médium? Sem contar com o animismo que é um
tipo de mediunidade mal compreendida, na qual o médium sem a intervenção de
nenhum Espírito relata o que presencia do mundo espiritual segundo a ótica dele
mesmo.
Devemos ter em mente que não podemos e nem devemos aceitar tudo o que nos vem
da psicografia; da vidência ou psicofonia, para citarmos alguns dos tipos mais
comuns da mediunidade, sem nos determos em estudo acurado e sério de tudo o que
nos vem dos Espíritos, em defesa da credibilidade do próprio trabalho assim
como da Doutrina. Não nos esqueçamos: não somos detentores de nenhuma chave do
mundo espiritual, somos intermediários apenas do que precisa ser aqui difundido,
mas somos responsáveis pelo uso das faculdades mediúnicas, assim como pelos
Espíritos que arrastarmos ao precipício do desengano pelas nossas falhas.
Dissemos que o Médium é o aparelho que nos serve para vislumbrarmos o mundo
espiritual, mas não nos dá e nem é este o objetivo da Doutrina, a certeza
absoluta e a idéia clara e cristalina do que é este mundo. Assim como um
microscópio o médium revela o que é do mundo espiritual, mas transmite segundo
a sua capacidade intelectual ou moral, como a limitação de alguns microscópios
do passado, que não “enxergavam” certos microorganismos que os de hoje
certamente também não enxergam. O que é natural tanto no microscópio quanto no
médium. É o que chamamos um avanço sucessivo.
O intercambio mediúnico, deve ser encarado como mais um suporte do mundo
espiritual a utilizarmos para suprir possíveis deficiências intelectuais
nossas. Essa interação entre mundo espiritual e mundo material, deve servir
mais como uma certeza cada vez maior de que encarnados é que iremos nos aperfeiçoar;
vendo o resultado doloroso de nossas viciações, seja no campo moral, seja no
campo intelectual, para que possamos compreender e enxergar a realidade de que
tudo se pode reparar e ninguém irá nos julgar. A certeza de que não há
salvação, mas oportunidade de trabalho para reparar nossos erros e assim nos
colocarmos cada vez mais, como verdadeiros irmãos, solidarizando-nos a cada
passo, servindo e sendo servido.
A Ciência Espírita é pois esse grande Universo cuja interação nos permite avançar,
mesmo na incerteza cada vez mais acentuada devido à nossa incredulidade.
Pelo experimento do intercâmbio mediúnico, tudo que nos é revelado, serve como
suporte às nossas necessidades, mas não deve ser panacéia para todos os males
na cura da matéria, e sim para o equilíbrio do Espírito que por conseqüência se
restaura e melhora.
A Ciência Espírita, é pois o caminho de que precisávamos para entender o que
somos, de onde viemos e para onde iremos, e esta se fundamenta nas Leis Naturais
e aceita as Leis da Ciência como apoio para sua subsistência.
Ciência é todo o ramo do conhecimento humano que experimenta, observa, estuda e
codifica um fato. Nisso o Espiritismo como todo ramo do conhecimento humano se
assemelha. Mas daí a inferir que o Espiritismo possa ser considerado Ciência
Exata incide em erro que assim o conceitua.
Fonte: Site da Feal em 09/11/2005 –
www.feal.com.br
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