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Waldyr Rodrigues Teixeira
O estudo da
Doutrina Espírita para mim é uma coisa curiosa, a medida que vamos nos aprofundando
nela, ao invés de nos bastar e limitar a busca de novos conhecimentos, ela nos
incita a novas buscas, a formular novas idéias, para satisfazer aquela dúvida
que surgiu, em virtude do conhecimento adquirido.
Kardec
colocou isso muito bem quando disse que a Doutrina não era uma obra acabada,
que nunca ficaria pronta, e que ela iria se atualizando em virtude de não
existir dogmas e estar apoiada na fé raciocinada.
Mal
comparando o homem, mas comparando a idéia, Raul Seixas, em uma de suas músicas
diz textualmente: “Prefiro ser aquela metamorfose ambulante, do que ter aquela
velha opinião formada sobre tudo”
O nosso
raciocínio é feito sempre por comparação de alguma coisa conhecida, com outra
que vamos achando semelhante.
Se achamos
alguma lógica na comparação conservamos a nova idéia, se não achamos,
descartamos e ficamos com a idéia anterior.
Isso é a
evolução do conhecimento que cada um de nós vai adquirindo, a medida que vamos
nos desfazendo, agregando, ou transformando conhecimentos anteriores.
Um dia
destes numa reunião de estudo sobre a mediunidade (o tema era sobre “espíritos
simpáticos”), uma participante questionou acerca dos “imigrantes”.
Seriam eles
considerados “espíritos simpáticos” em virtude de se deslocarem, por afinidade,
para outros países abandonando a terra natal?
Enquanto a
expositora detalhava a resposta, falando dos vários fatores que poderiam ter influenciado
a imigração: guerras; fome; busca de um futuro melhor; aventura; afinidade;
etc., um turbilhão de idéias explodiu dentro de mim.
Imediatamente
me vi visualizando Capela, a estrela de primeira grandeza situada na constelação
do Cocheiro, mencionada por Edgard Armond em “Exilados da Capela”, e posteriormente
por Emmanuel em “A Caminho da Luz”.
Conhecida
desde a antigüidade, Capela é uma estrela gasosa, e de matéria tão fluídica que
sua densidade pode ser confundida com a do ar que respiramos. Sua cor é
amarela, o que demonstra ser um sol em plena juventude; e, como um sol, possui
sua coorte de planetas.
Há muitos
milênios, um dos planetas da Capela, com uma formação bem parecida com o globo
terrestre, atingiu a culminância de um dos seus extraordinários ciclos
evolutivos.
Nessa
evolução, ainda existiam, alguns milhões de Espíritos rebeldes, que deviam ser
dali expurgados por terem se tornado incompatíveis com os altos padrões de vida
moral já atingidos pela evoluída humanidade daquele planeta.
As grandes
comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberaram então, localizar aquelas
entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde
aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, a sua
reforma moral e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos
inferiores que aqui habitavam.
Essa troca
de populações entre planetas afins de um mesmo sistema sideral, e mesmo de
sistemas diferentes, ocorre periodicamente, sucedendo sempre a expurgos de
caráter seletivo; numa manifestação da justiça e misericórdia Divina,
permitindo reajustamentos e continuidade de avanços evolutivos para as
comunidades de espíritos habitantes dos diferentes mundos.
Segundo
Edgard Armond no livro citado, esta humanidade atual foi constituída, no seu
início, por duas categorias de homens: uma retardada, atrasada, que veio
evoluindo lentamente através das formas rudimentares da vida terrena, pela
seleção natural das espécies, evoluindo penosamente da inconsciência para o
Instinto e deste para a Razão; componentes das raças primitivas das quais os
"primatas" foram o tipo anterior melhor definido; e outra categoria,
composta de seres exilados da Capela.
No nosso
mundo, esses enxotados de um paraíso planetário constituíram o tronco dos árias,
descendendo dele os celtas, latinos, gregos e alguns ramos eslavos e
germânicos.
Outros
formaram a civilização dos hindus, predominando o gênero de castas que
identificava a soberbia e o orgulho de um tipo psicológico exilado.
As
mentalidades mais avançadas constituíram a civilização egípcia, retratando na
pedra viva a sua "Bíblia" suntuosa, enquanto a safra dos
remanescentes, inquietos, indolentes e egocêntricos, no orbe original, fixou-se
na Terra na figura do povo de Israel.
Esse o
motivo por que, ao mesmo tempo em que existiram civilizações muito adiantadas onde
se revelaram conhecimentos elevados de ciência e arte, desenvolvidos pelos
exilados, os espíritos originais da Terra mourejavam sob o primitivismo de
tribos acanhadas.
Partindo do
mesmo raciocínio, da mesma forma que foi colonizado o planeta e acelerada a sua
evolução, através do remanejamento de espíritos que embora devedores moralmente
detinham grande conhecimento, novamente os construtores de mundos programam um
aceleramento do povoamento deste mundo.
Chegamos ao
século XV, quando no ano de 1500 d.C. foram descobertas (reveladas) as
Americas, e simultaneamente o Brasil, fazendo com que essa revelação para o
Mundo conhecido até então, fizesse desabar uma idéia antiga de que, o mundo de
então era constituído apenas por um bloco tricontinental composto pela Ásia,
África, Europa e cercado por um enorme oceano.
As hostes
celestiais motivando principalmente Portugal e Espanha, a expandir seus
domínios territoriais e conquistar rotas alternativas de comércio, evitando o
Mediterrâneo dominado por italianos e muçulmanos, induzem esses povos, através
dos reis católicos Fernando II e Isabel I, a busca de uma rota alternativa
contornando a África, com base na tese da esfericidade da Terra, para chegar às
Índias – nome genérico que incluía todo o Oriente.
Através de
Cristóvão Colombo, e de Américo Vespúcio, financiados por aqueles reis, a parte
ocidental do planeta vai ser revelada (descoberta) e desenvolvida.
As primeiras
imigrações que colonizaram as Americas inicialmente foram de quatro grandes
povos - espanhol, português, inglês e francês, e posteriormente grandes
invasões holandesas.
A dispersão
do Povo de Israel pelo mundo após a diáspora, e sobretudo após a instituição da
Inquisição na Península Ibérica, neste caso em Portugal, promoveu a próxima
imigração para o resto do mundo de então, inclusive as ilhas e as colônias
portuguesas de além-mar.
No Novo
Mundo, um dos lugares favoritos foi o Brasil, para onde, na segunda metade do século
XVI, muitos cristãos-novos vieram aportar.
Na mesma
época os portugueses foram protagonistas do primeiro grande fluxo migratório
europeu para o Brasil.
Trouxeram
as tradições culturais e religiosas da península ibérica e, ao mesmo tempo,
introduziram o Brasil no sistema colonial.
Uma das
maiores transferências de espíritos encarnados foi promovida: o hediondo
tráfico negreiro. Comprados ou capturados na África, estima-se que cerca de
quatro milhões de escravos e escravas chegaram no Brasil. Nessa
"imigração" compulsória, em virtude das condições terríveis das
viagens, muitos foram resgatados pela morte antes da chegada no lugar de
destinação.
Não parou
mais a colonização e transferencia de espíritos encarnados para o nosso Brasil:
suíços, alemães, austríacos, eslavos, húngaros, turcos, árabes, sírios,
libaneses, japoneses, coreanos, que acrescentados a todos os outros povos
anteriores, tiveram um papel preponderante de extrema importância para a
formação da cultura e do povo brasileiro.
Segundo
dados oficiais, de 1870 a 1953 foram registrados um total de mais de quatro milhões
e novecentos mil almas transferidas para o nosso país, formando um povo lindo
com uma cultura diversificada e de grande valor histórico.
Graças a
essa transferencia de cultura e conhecimentos de todos esses nossos irmãos, os
brasileiros que somos todos nós, seus descendentes, temos dado exemplo de
convivência pacifica com a maioria de nossos irmãos planetários, pois já
convivemos com eles diariamente dentro de nosso país.
Será que
existe alguma similaridade com Capela? Só o futuro poderá nos dizer...
Fontes:
Exilados de Capela - Edgard
Armond
A Caminho da Luz - Emmanuel
- F. C. Xavier
A Gênese - Allan Kardec
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