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Paulo Roberto Martins*
Você acredita
em destino? É fácil responder a indagação com um sim ou um não, pois acreditar,
crer, ter fé, fazer uma idéia ou achar alguma coisa todos têm esse direito.
Agora se a pergunta for: Você sabe o que é destino? Aí a coisa muda, e muito,
de figura. Do acreditar à convicção atravessa-se a ponte que vai do conhecimento
informal público para o saber científico. Temos um ditado popular que também é
um axioma da ciência dizendo o seguinte: “Um fato vale mais que mil argumentos”;
ou um cientista que não sabe renunciar a uma teoria quando a experiência a
contradiz, não é um cientista.
Exemplificaremos a seguir um fato de maneira generalizada com
intuito de aprofundar-nos num entendimento sobre destino, porém, ressalvando-se
que milhares de casos análogos particularizados encontram-se registrados, com
as devidas comprovações, em diversos livros e anais de institutos de pesquisas
psíquicas no Brasil e pelo mundo afora: Um sensitivo com a capacidade anímica
de pré-cognicão, ou em outros termos, uma pessoa que tem a faculdade da dupla
vista, enxergando com os “olhos da alma” através de outras dimensões além do
tridimensional (comprimento, largura e altura),
onde as concepções de quantificação abstrata realizadas pelo homem chamadas
de tempo e espaço não existem; “vê” e relata, criando documentos comprobatórios
(atas, gravações etc.), fatos que irão acontecer no futuro e que serão
confirmados posteriormente ponto a ponto.
O romano Marcus Túllius Cícero (106 – 43 A.C.) estudioso da
cultura grega em “DE DIVINATIONE” (Adivinhação) colocou o seguinte: “Chamo
destino ao que os gregos chamam uma ordem, uma série de causas ligadas entre
si, produzindo efeitos”. Percebemos desde já que o destino não é único,
imutável, estático e pessoal, porque as diversas causas entrelaçadas em rede
produzem vários destinos que transformam-se a todo momento, bastando para isso
a modificação de uma só causa. Também o livre arbítrio do ser humano torna os
efeitos (destinos) dinâmicos na medida em que é um agente mutante nos processos
contínuos dos referidos fatos causais. Poderemos ainda inferir que os muitos
destinos de qualquer pessoa não são personalisados (a exclusividade está
na ótica pessoal), pois todos nós pertencemos a esta mesma rede causal.
Ora, como é possível então que o sensitivo saiba antes o fato que
acontecerá no futuro já que o mesmo é mutável e não estará lá parado a espera
de ser visto?
Emmanuel Kant em 1787 nos dá
essa resposta quando escrevia em sua “Crítica da razão prática”: “Sob o ponto
de vista do tempo e da sua ordem regular, se pudéssemos penetrar a alma dum
homem tal como se manifesta por atos tanto internos quanto externos, conhecer
todas as causas, mesmo as mais leves, e levar em conta ao mesmo tempo todas as
influências externas, poderíamos calcular a futura conduta deste homem com a
mesma certeza com que calcularíamos um eclipse da lua ou do sol”. É exatamente
esse percurso que a prognosia ou premonição do sensitivo segue: Sua “visão”
atravessa dimensões para entrar na alma de um ser humano e fazer o caminho do
conhecimento de todas as possíveis causas que estão armazenadas e se
armazenando no inconsciente do mesmo, enquanto capta as influências dinâmicas
da natureza que juntas irão produzir um determinado destino futuro que ele verá
agora. Se formos analisar os profetas, como por exemplo, Nostradamus ou João e
seu Apocalipse, basta transformar o raciocínio sobre a pré-cognição dos mesmos,
em uma percepção coletiva da humanidade e um abrangente entendimento das causas
da natureza que resultaram em suas profecias.
* Engº
Civil / Administrador / Psicólogo
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