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Antônio Moris Cury
"O homem é, assim,
constantemente, o árbitro de sua própria sorte; pertence-lhe abreviar ou
prolongar indefinidamente o seu suplício; a sua felicidade ou a sua desgraça
dependem da vontade que tenha de praticar o bem".
(Trechos extraídos do livro
"O Evangelho segundo o Espiritismo", capítulo XXVII, página 380, 109ª
edição, FEB, 1994.)
São deveras importantes as
informações que podemos retirar do texto aqui reproduzido.
Com efeito, "o homem
sofre sempre a conseqüência de suas faltas", ou seja, é o único
responsável pelas decisões que tome e, naturalmente, pelas conseqüências delas
decorrentes. Assim, se praticou o Bem, sente-se bem e contabiliza o mérito a
seu favor; se errou, se falhou, se prejudicou, propositadamente, a outrem,
sente-se mal e contabiliza a falta, que lhe acarreta sofrimentos físicos ou
morais, ou ambos, cuja falta, para ser posteriormente eliminada de sua
contabilidade pessoal, depende, obrigatoriamente, de reparação.
De outra parte, "Não
há uma só infração à lei de Deus que fique sem a correspondente punição",
isto é, não é possível ao homem enganar e deixar de cumprir a legislação
divina, que é perfeita e, por isso mesmo, imutável.
A melhor interpretação,
indica que a palavra punição aqui deve ser entendida como reparação, vale
dizer, qualquer infração à lei de Deus será reparada, pelo infrator,
pessoalmente, em caráter obrigatório.
Cremos tratar-se de
interpretação absolutamente compatível com a bondade e com a justiça de Deus,
que não castiga, não pune e nem premia seus filhos, que somos todos nós, mas,
sim, que nos oferece todas as oportunidades de que necessitemos para reparar,
nesta ou em outras existências, nossos erros, males e equívocos, no rumo do
progresso, da perfeição relativa e da suprema felicidade.
Outrossim, convém não
perder de vista que "não basta o simples pesar do mal causado; é
necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em
que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja
feito".
É a exata medida da Justiça
Divina, demonstrando que não basta lamentar, manifestar pesar pelo mal
cometido, nem mesmo se arrepender. É absolutamente indispensável reparar o mal
causado. É claro que o arrependimento, o pesar e a lamentação constituem um bom
começo, mas, por si, não bastam, não são suficientes para eliminar o mal
acarretado, apagando-o. O mal deve ser reparado, sempre. E, para isso, quem o
praticou ver-se-á submetido a novas provas em que poderá, pelo seu
livre-arbítrio, praticar o Bem, reparando o mal que haja feito.
O infrator poderá compensar
o mal que praticou de variadas formas. Poderá tornar-se, por exemplo, humilde,
se tem sido orgulhoso; caridoso, se tem sido egoísta; útil, se tem sido inútil;
amável, se tem sido áspero; trabalhador, se tem sido ocioso, preguiçoso, etc.
Pelo exposto, não é difícil
concluir que o homem é, verdadeiramente, "o árbitro de sua própria sorte,
pertencendo-lhe abreviar ou prolongar indefinidamente o seu suplício",
assim como entender que "a sua felicidade ou a sua desgraça dependem da
vontade que tenha de praticar o bem".
A reparação do mal causado
é indispensável, obrigatória e personalíssima, não podendo, exatamente por
isso, ser transferida a ninguém, e a melhor maneira de exercê-la é praticar o
Bem, preferentemente sem olhar a quem!
Fonte: Site da Folha Espírita de Itamaraju
em 05/11/2005 - http://geocities.yahoo.com.br/movespi/html/artigo_4.html
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