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Rita Foelker
Gosto de dizer que é a arte e a ciência de
se educar um ser imortal, reencarnante, em processo evolutivo, dotado de
livre-arbítrio e mediunidade. Compõe-se de estudos e teorias que visam orientar
as práticas educacionais espíritas.
Ao contrário do que se pensa, a pedagogia
não é um assunto exclusivo para professores, a ser ventilado apenas nos meios
educacionais. Ela está onde quer que se busque orientar, esclarecer, abrir ao
Espírito as portas do conhecimento de si mesmo e do desenvolvimento
intelecto-moral. Ou seja, na escola, assim como na casa espírita e nos lares,
ela se faz presente.
Sendo o Universo o espaço de aprendizagens
do Espírito, poderíamos dizer, mesmo, que ela está em toda parte. Agora, quem
cunhou a expressão “Pedagogia Espírita”, foi Herculano Pires, em seu livro de
mesmo título, publicado pela primeira vez em 1985.
A Pedagogia Espírita obedece a alguns
princípios, importantes de serem conhecidos e meditados pelos pais e
educadores*.
1) Liberdade – Significando que a educação e a evolução não se impõem, não
se realizam à força, mas através da adesão voluntária do educando a uma
proposta de evoluir.
2) Ação – Significando que é agindo que aprendemos, fazendo experiências,
errando e acertando chegamos ao melhor de nós mesmos.
3) Amor – Significando que o vínculo entre educador e educando é de
natureza afetiva, pois o amor toca a alma e inspira a melhoria de si mesmo.
Como estes princípios podem participar de
nossa vida em família?
Eis algumas de minhas reflexões pessoais em
torno deles:
A questão da liberdade é bastante
problemática, especialmente quando se confunde com licenciosidade ou com
negligência. Liberdade não significa deixar o educando livre para fazer o que
bem entende, não significa ausência de orientação. O princípio da liberdade nos
recorda de que cada Ser criado por Deus é um ser livre em sua vontade e em sua
consciência, em seu pensamento e em seu sentimento.
“O Espírito”, como diz Calunga, “não é
dominável”. Ele pode aceitar temporariamente algumas limitações, mas não existe
de fato nenhum meio de impor nossa vontade sobre outra vontade de maneira
definitiva e, tampouco, é possível “evoluir” o outro. “Evoluir” e “progredir”
são verbos intransitivos; cada ser é que evolui por suas próprias experiências
e seus próprios esforços. Mas um Espírito pode ser convidado ou persuadido a
envidar estes esforços, o que não se faz através da força e, sim, da
inteligência e da sensibilidade.
Quando falamos de esforços, evocamos o
segundo princípio, a ação. O Espírito aprende através das experiências que
realiza. Permitir aos filhos que ajam por si, que façam escolhas compatíveis
com a sua idade e desenvolvimento, e deixar que colham os frutos de suas ações,
também são atitudes pedagógicas.
Como pais, queremos muitas vezes proteger os
filhos das conseqüências de seus atos. Precisam, obviamente, de apoio, de
compreensão, de conselhos, mas não podemos mimá-los, impedindo que assumam suas
responsabilidades.
Por outro lado, proporcionar-lhes oportunidades
de realizarem ações positivas, como participar de uma peça teatral ou de uma
excursão, incentivá-los na confecção de trabalhos artísticos, ajudar o próximo,
tudo isto contribui para criar impressões positivas que influenciam na
construção de sua própria personalidade.
Falando em convidar e persuadir, nada é mais
persuasivo que o verdadeiro amor. Não se trata do mimo, nem da posse, nem do
controle, nem do ciúme, mas daquele sentimento que nos torna melhores,
incapazes de prejudicar, ferir ou atentar contra os direitos do ser amado, que
tudo providencia pensando em sua felicidade e seu bem, que não suporta a
injustiça e que jamais mentiria ou manipularia. Não se educa em clima de
desrespeito, mentira e manipulação, mas com sinceridade de sentimentos.
Além disso, todo educando necessita de amor
para saber também amar. A noção do amor que temos pra dar (citando novamente
Calunga, em texto ainda inédito) nasce do amor que recebemos, nesta ou nas
existências anteriores. Como as crianças são altamente impressionáveis, então,
deduzo que o modo como amamos nossos filhos é fator preponderante em sua
educação sentimental e moral.
*Citados por Dora Incontri,
na palestra de abertura do Congresso.
Fonte: Site da FEAL em 16/10/2005 – www.feal.com.br
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