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Difusão do Espiritismo

 

 

Eliseu F. Mota Jr

  

Prosseguindo com o propósito de analisar as finalidades de uma Casa Espírita, recordamos que, segundo o nosso entendimento, os objetivos de um Centro Espírita são: a) o estudo da Doutrina Espírita; b) a difusão, ou como queiram, a divulgação da Doutrina Espírita; c) a prática da mediunidade para fins de desobsessão, e, d) a prática da caridade.

No mês anterior vimos a grave questão relativa ao trabalho prático denominado desobsessão. Agora gostaríamos de verificar como estão as coisas na área da difusão do Espiritismo, ou seja, como estão sendo usados os meios de comunicação para divulgar a Doutrina Espírita.

Em primeiro lugar, é bom destacar que o neologismo mídia abrange a imprensa (jornais, revistas e periódicos), o rádio e a televisão na sua maior abrangência possível, isto é, alcança não apenas a parte noticiosa de todos eles, mas também as suas seções informativas, a publicidade (classificados, comerciais e outros), as telenovelas e tudo o mais que é veiculado naqueles órgãos.

Depois, se compararmos o trabalho que Allan Kardec realizava na época em que trabalhou na codificação e na estruturação da Doutrina Espírita, no período de 1857 a 1869, com todas as dificuldades daqueles tempos, veremos que ele fazia muito mais pela difusão do Espiritismo, através dos livros que publicou, da Revista Espírita que dirigiu até o seu falecimento e das viagens que realizou, do que muitos de nós espíritas fazemos hoje em dia, tendo à nossa disposição o rádio, a televisão, a imprensa e computadores de última geração.

Além disso, fora do movimento espírita os meios de comunicação de massa apenas se referem ao Espiritismo esporadicamente e assim mesmo para noticiar fatos relativos à mediunidade em geral e, em especial, o mediunismo envolvendo médiuns de efeitos físicos e Espíritos de médicos de origem alemã, que andam fazendo cirurgias às vezes até mesmo infringindo a lei penal.

 Desse modo, resolvemos relembrar a opinião de Allan Kardec acerca deste assunto, recordando uma vez mais o artigo intitulado Propagação do Espiritismo, que ele publicou na Revista Espírita de setembro de 1858:

P. Pode-se considerar satisfatório o apoio da imprensa para a propagação do Espiritismo?

R. “A maneira pela qual se propagou o Espiritismo até agora, também merece atenção séria. Se a imprensa tivesse feito soar sua voz em seu favor, se o tivesse enaltecido, em uma palavra, se o mundo lhe tivesse dado ouvidos, poder-se-ia dizer que se propagou como todas as coisas que encontram consumo em razão de uma reputação factícia e que se deseja experimentar, quando mais não seja, por curiosidade. Mas nada disso ocorreu: a imprensa, em geral, não lhe deu qualquer apoio voluntário; ela o desdenhou, ou se, em raros intervalos, dele falou, foi para levá-lo ao ridículo e enviar seus adeptos aos manicômios, coisa pouco animadora para os que tivessem a veleidade de iniciar-se. Entretanto, nem todo pessoal da imprensa deve ser acusado de má vontade. Individualmente, nela conta o Espiritismo partidários sinceros, e conhecemos diversos entre os mais destacados homens de letras.”

 

P. Por que, então, guardam silêncio?

R. “É que, ao lado do problema de crença, há o de personalidade, muito poderoso neste século. A crença, entre eles, como entre muitos outros, é concentrada e não expansiva; por outro lado, são obrigados a seguir os trâmites de seu jornal, e tal jornalista receia perder os assinantes, arvorando francamente uma bandeira cuja cor poderia desagradar a alguns deles.”

P. E quanto à eficácia da imprensa espírita para a propagação do Espiritismo?

R. “Dizendo que o Espiritismo se propagou sem o apoio da imprensa, entendemos falar da imprensa em geral, que se dirige a todo o mundo, daquela cuja voz fere milhões de ouvidos cada dia, que penetra os refúgios mais obscuros; daquela com a qual o anacoreta, no fundo do seu deserto, pode estar ao corrente do que se passa, tanto quanto os habitantes da cidade; enfim, daquela que semeia a mancheias. Qual o jornal espírita que se pode gabar de assim fazer ressoar os ecos do mundo? Ele fala às pessoas convencidas, não atrai a atenção dos indiferentes. Dizemos a verdade quando proclamamos que o Espiritismo foi entregue às próprias forças. E se por si mesmo deu tão grande passo, que será quando dispuser da poderosa alavanca da grande publicidade!” 

 

P. E quando chegará esse tempo?

R. “A este respeito uma notável mudança já se operou; já se fala mais abertamente; já se arrisca e isso faz abrir os olhos aos próprios antagonistas, que perguntam se é prudente, no interesse de sua própria reputação, atacar uma crença que, bom ou mau grado, se infiltra por toda parte e encontra apoio nas altas camadas sociais. Também o epíteto de louco, tão largamente prodigalizado aos adeptos, começa a tonar-se ridículo; é um lugar comum que se torna trivial, porque em breve os loucos serão mais numerosos do que os sensatos, e já mais de um crítico estão alinhados ao seu lado; de resto, é o cumprimento daquilo que foi anunciado pelos Espíritos, quando diziam: os maiores adversários do Espiritismo tonar-se-ão os seus mais ardentes partidário e propagadores.”

 

 

Fonte: O Clarim – Dez/1998

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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