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Cristian Macedo
Allan Kardec escreveu que “os homens serão
verdadeiramente religiosos, racionalmente religiosos sobretudo”.
A religiosidade é inerente ao ser humano e,
se historicamente nós soterramos nossa espiritualidade, a marcha do progresso
fará com que busquemos novamente, enquanto civilização, uma vida de reencontro
com Deus.
Mas a fé que o homem e a mulher em evolução
passam a necessitar não se resume à crença sem discernimento, sem análise, ou
raciocínio. A fé que a criatura mais elaborada pede é aquela que lhe toque na
mente e no coração.
Immanuel Kant, observando o fenômeno
religioso, compreendeu a existência de duas formas de religião bem definidas,
baseadas nos interesses dos fiéis e de seus líderes:
1. A religião da petição de favor
organiza-se visando favores da divindade, não possuindo idéias de aprimoramento
interior. Segundo Kant, a partir dessa modalidade religiosa, surge a fé
dogmática, na qual não se exige a reflexão do fiel, mas sua adequação mental,
tendo como moldes as "verdades" estabelecidas pelos que o conduzem.
2. A religião moral, por outro lado,
prioriza a boa condução na vida, prescrevendo o tornar-se melhor. Nesse campo
religioso, se concebe um Deus que auxilia, mas ao fiel cabe empreender esforços
para fazer-se merecedor de Sua ajuda.
Fruto da religião moral, a fé que reflete
opõe-se à fé dogmática, prezando o ser em sua capacidade de discernir, nunca
ferindo seu livre arbítrio, facultando-lhe crescimento e libertação perante as
amarras da ignorância.
--ooOoo--
O Espiritismo é uma religião moral, pois nos
explica o porquê de nossa transformação interior, respondendo a perguntas que
devem se calar em algumas crenças, mas que, para os espíritas, são questões que
nos movem a construirmos a fé.
A fé, quando elaborada pelo discernimento,
nos dá oportunidade de compreendermos a natureza das coisas. Passamos a estudar
seus princípios, analisando a vida, conhecendo a nós mesmos. É tão bom. Nos
livramos dos micos da fé engessada na escuridão da ignorância.
Quando meditamos sobre seus pontos teóricos
e sobre suas conseqüências morais para nossas vidas, não nos deixamos levar
pela loucura que impera no mundo.
Quando a fé se baseia na razão, não nos
entregamos às crendices da massa, que se gruda em sujeitos com aspirações messiânicas;
não vivemos em busca de médiuns para termos mensagens do além (pois sabemos que
as informações dos espíritos são dadas na medida da oportunidade e não por
insistência infantil); não brigamos por cargos em casas espíritas como os
políticos desonestos do mundo; não ficamos como militantes de cérebro lavado
repetindo slogans gravados superficialmente em nossas mentes como: “fé
raciocinada”, “fé racionada”, “fé raciocinada”...
Se nossa fé fosse alicerçada na ingenuidade,
quando alguém nos questionasse sobre nossas ações concretas para melhorar o
mundo, sobre nosso envolvimento real com o projeto de Jesus Cristo,
responderíamos:
“não tem registro”, “não tem registro”, “não
tem registro”
... Para meditar:
“Do ponto de vista religioso, a fé consiste
na crença em dogmas especiais que constituem as diferentes religiões. Todas
elas têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, pode a fé ser raciocinada ou
cega. Nada examinando, a fé aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o
falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão. Levada ao excesso
produz o fanatismo. Em assentando no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a
fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do
progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é na
luz meridiana.”
O Evangelho segundo o
Espiritismo. Capítulo XIX, item 6.
(1) Kardec, Allan. A
Gênese, cap. XIII, item 19
Fonte: Site do Jornal Universo Espírita em
01/11/2005 – www.universoespirita.net
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