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Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas
Jesus, vivendo o seu tempo, construiu
valores universais únicos, que, pela profundidade e extensão, modificaram os
aspectos culturais, sociais, políticos e econômicos da humanidade. Para o Espiritismo,
esses valores são conceitos fundamentais, sendo a moral cristã o eixo de sua
visão de mundo e interpretação da realidade.
O Espiritismo entende que o significado de
Jesus encontra-se em seu exemplo de vida, fazendo e demonstrando a viabilidade
de um padrão de comportamento. Foi a força de seu exemplo que deu significado à
sua existência e não a série de mitos, interpretações e dogmas que foram
agregados ao entendimento de sua mensagem. Portanto, é fundamental que o
espírita possa fazer essas distinções.
Para a Doutrina Espírita, Jesus, como todo
ser humano, nasceu da união entre um homem e uma mulher e não de uma forma
sobrenatural. De origem humilde, não era descendente de Davi e não possuía
nenhuma pretensão ao poder temporal.
O Espiritismo não recorre à idéia de
milagre, que não existe para a Doutrina, para justificar algumas situações da
existência de Jesus. Este, ao colocar em prática o seu conhecimento e a sua
capacidade mediúnica, foi interpretado, pelo desconhecimento das pessoas ao seu
redor, como o realizador de acontecimentos maravilhosos e fantásticos.
Para entender Jesus, o Espiritismo não
precisa utilizar a idéia de messias, salvador ou cordeiro de Deus. Não é
importante como Jesus nasceu ou morreu, mas, sim, como viveu. Seu significado
não se encontra nas condições de sua morte — não há necessidade de entendê-la
como um sacrifício para salvar a humanidade ou tentar transformá-la em exceção
através da idéia de ressurreição.
Apesar de sua importância, Jesus não se
confunde com Deus. Não é a Sua encarnação. Era filho de Deus como todas as
criaturas o são. Deixar de confundir Jesus com Deus permite reconhecer o valor
desse espírito que alcançou, pelo exercício de seu conhecimento, a compreensão
do amor como lei fundamental do Universo, a que nenhum homem até então havia
alcançado. Considerar Jesus como divino é retirar dele uma característica
fundamental: a de um ideal possível de ser alcançado, uma referência exeqüível
para a humanidade.
Jesus, para a Doutrina, é um espírito que
tem uma história ao longo da qual foi construindo seu conhecimento,
diferenciando-se do nível médio da cultura terrena. Na medida em que vivenciou,
em que desenvolveu experiências de vida, foi se fazendo presente, através da
força de seu exemplo, da intensidade de sua coerência, da inovação e clareza do
conhecimento que alcançou. O significado da síntese que construiu a respeito da
existência, do ser humano, da vida, pode ser avaliado em um pequeno resumo de
suas idéias:
Deus único é o pai de todos (todos são iguais
perante Deus)
Ame a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o espírito, e
ame seu próximo como a si mesmo, essa é toda a lei e todos os profetas estão
contidas nela.
Trate todos os homens da mesma forma que você gostaria de ser tratado
Ame seus inimigos e faça o bem àqueles que o odeiam e ore por aqueles que o
perseguem e caluniam
Aquele dentre vocês que não tiver errado, que atire a primeira pedra
Eu não digo que deva perdoar ao seu irmão até sete vezes, mas até setenta vezes
sete vezes
Reconcilie-se com seu adversário enquanto estiver com ele no caminho
Não julgue a fim de que não seja julgado
Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo
O homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela de muitos
Por que vê um cisco no olho de vosso irmão, você que não vê uma trave no seu
olho?
Que a sua mão esquerda não saiba o que faz a sua mão direita
Não se acende uma candeia para colocá-la sob o alqueire, mas sobre o candeeiro
a fim de que ela clareie todos aqueles que estão na casa
Não há nada de secreto que não deva ser descoberto, nem nada de oculto que não
deva ser conhecido
Fora da caridade não há condições de se alcançar um conhecimento maior de si
mesmo e da vida.
Bem aventurados os que choram, porque serão consolados; os que tem fome e sede
de justiça porque serão saciados; os humildes porque deles é o reino dos céus;
aqueles que tem o coração puro porque verão a Deus; aqueles que são brandos
porque possuirão a Terra; os pacíficos, porque eles serão chamados de filhos de
Deus; aqueles que são misericordiosos porque eles próprios obterão misericórdia.
Jesus, em sua existência cósmica, é o caminho, a verdade, a vida em sua multiplicidade,
diversidade, alteridade. Seus ensinamentos, seu comportamento e os exemplos de
outras pessoas que se identificaram com sua proposta, foram desenhando,
construindo, um código, um padrão de referência fundamentado na unidade da
humanidade e na igualdade entre os seres, e, em decorrência, no amor ao
próximo, na solidariedade, na tolerância, na responsabilidade pessoal, na liberdade
de consciência e na moral como defesa, promoção da vida. Jesus é padrão de
comportamento aberto para auxiliar as pessoas na construção de seu próprio
futuro.
Jesus é exemplo claro de comportamento moral que reflete a identidade do ser
com o Universo e com Deus.
Fonte: Site da SBEE em 05/12/2005-
www.sbee.com.br
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