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Adésio Alves Machado*
Formação moral
adquire solidez e vitalidade durante período educativo da infância
Violência, do latim violentia, é qualidade de
violento; é constrangimento físico ou moral; uso da força; coação, diz o
dicionarista Aurélio Buarque de Holanda. Como a violência se apodera de uma
pessoa fazendo-a insensível ante o
sofrimento alheio? O que leva o ser humano ao crime? De que sentimentos ele se
acha possuído quando usando de violência bate, tortura, mata, esquarteja um
outro ser humano? Chegar a uma constatação requer muitos estudos, e inúmeros
foram os estudiosos da criminologia, da psicologia, da sociologia, da
psiquiatria, da antropologia que se entregaram com denodo na busca das
respostas a tais indagações.
Como espíritas sabemos que a violência acha-se insculpida no espírito imortal,
no ser psíquico, e investindo na educação deste se poderá aniquilar a
violência, substituindo-a pela tolerância, compreensão, mansuetude. Ela não
está fora do ser, mas dentro dele.
Toda pesquisa que se faça sobre psicologia criminal, fora do Espiritismo, deve
ter seu início no estado psicológico do indivíduo. Infere-se daí o quanto é
importante lograr-se conhecer a personalidade do delinqüente em todo o seu
desenvolvimento psicológico, e também as circunstâncias em que se viu envolvido
na vida desde o útero materno. Nós aprofundamos a questão, pois queremos saber
sobre o seu passado espiritual.
Desatenção dos pais
Pais desavisados podem estar forjando um criminoso, sem proceder conscientemente.
Eles, em verdade, potencializam o que o espírito (filho) traz de bagagem moral/espiritual
de outras reencarnações.
Como se pode, pois, engendrar um criminoso dentro de um lar? São muitos os
motivos: dar ao filho tudo quanto quer, desde cedo, a começar na infância. Quando
crescer acreditará que o mundo tem a obrigação de satisfazer-lhe as vontades,
sem que para isso despenda o mínimo esforço. Quando ele, ainda criança, disser
nomes feios ache graça, o que fará com que se sinta interessante. Quando puxar
os cabelos de alguém, ache graça, diga “que bonitinho”! Fuja de dar-lhe uma orientação
religiosa, deixando que depois de crescido ele próprio escolha. Apanhe, guarde
e arrume tudo que ele for deixando jogado pelo chão, dentro de casa. Assim ele
acreditará que os outros são os únicos responsáveis pela limpeza e arrumação do
ambiente onde vive. Quer vê-lo discutindo, falando em alta voz com os outros,
discuta na frente dele, xingue quem lhe contrarie numa discussão. Ponha-lhe ao
alcance todo dinheiro que ele precisar. Ele achará que a vida tem de lhe
endinheirar sem nada exigir, muito menos trabalhar, esforçar-se para possuir. Satisfaça-lhe
todos os desejos, dando-lhe as melhores roupas, calçados, bebidas finas, comida
refinadas. Ele se habituará a exigir sempre o melhor, e quando não obtiver...
Tome sempre o seu partido quando entrar em choque com vizinhos, amigos,
professores, etc. Os outros, para ele, serão sempre os implicantes, os errados.
Quando ele se meter num sério problema policial contrate os melhores advogados
e faça-lhe ver que é inocente. Culpados são os que o estão julgando. Ao tomar
conhecimento de que ele foi visto drogando-se, não acredite. Tudo não passa de
intriga dos despeitados. Faça mais e melhor: beba com ele, acompanhe-o ao
barzinho da esquina e fique com ele e amigos até altas horas todos os finais de
semana. Faça dele um alcoólatra. E não esqueça de ter em casa um bar muito bem
provido de bebidas importadas. Compre para ele a moto do momento, a mais
incrementada; ele sentir-se-á o “máximo”. Não o induza a respeitar os adultos,
com isso ele começará por você, pela mãe e demais parentes. Matricule-o numa
academia de lutas marciais dizendo-lhe que está ali para aprender a se
defender, é verdade, mas também para bater nos outros. Não o quer ver chegar em
casa machucado. Quando se envolver em brigas de gangue ache tudo normal, dê-lhe
sempre razão. Ao perceber que ele anda faltando à escola, tirando notas baixas,
sem nenhum interesse pelos estudos, considere normal; todo jovem é assim mesmo.
Afinal de contas você não quer que ele passe pelo que você passou.
Deveres educacionais
É nos lares de hoje, sim, que se forjam os criminosos de amanhã, quando os pais
deixam de cumprir com seus amplos e profundos deveres educacionais para com os
filhos.
Em essência somos todos criminosos, assaltantes, ou seja, carregamos uma dose
de criminalidade sem tomarmos parte direta, efetiva no assalto, no crime. Sabem
quando? Quando deixamos de ajudar os mais pobres; quando nos mostramos
orgulhosos, vaidosos e ambiciosos; quando desprezamos as crianças carentes e
nada realizamos por elas; quando negamos a mão forte e amiga ao idoso que,
fraco das pernas, deseja levantar-se; quando acostumamos nossos filhos com
gritos e palavrões, desmerecendo-os diante de outros; quando nem nos tocamos
sobre a necessidade de darmos um telefonema a alguém doente; quando não paramos
nossas atividades para orar e agradecermos a Deus por tudo que Ele nos dá, e
quando não temos tempo de apreciar as belezas da natureza.
Nos muitos instantes bonitos da vida que passam sem que a nossa sensibilidade
sinta-se tocada por eles, estamos contribuindo para a criação de um
delinqüente, colocando em suas mãos uma arma e em seus pensamentos a vontade de
assaltar, roubar, violentar, matar... Toda vez que deixamos de viver o amor ao
próximo estamos construindo pessoas frias, indiferentes, criminosas, cruéis...
Toda vez que omitimos dizer “eu te amo” anulamos em nós e nos outros o
despertar para uma convivência de paz, de solidariedade, da mais legítima
fraternidade.
O mundo precisa de amor que partam de corações tangidos pelas suaves melodias
encontradas na vivência do Evangelho de Jesus.
*O autor é escritor e expositor
espírita; dedica-se também à divulgação espírita pelo rádio.
Fonte: O Clarim – nov/2005
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