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Servir

 

 

Geraldo Goulart

  

Algumas vezes o mundo nos assusta. Entregues à intolerância, à ignorância e ao ócio, via de regra deixamos escapar abençoadas oportunidades que nos são oferecidas para a promoção de nossa renovação espiritual. São chances que se desdobram para que principiemos, pelo menos, a calçar nossa decisão de modificar o rumo torto que a nós mesmos imprimimos e, dessarte, corrigindo-o, possamos oferecer braços e mãos operosas para o atendimento fraterno dentro dos mais simples e solicitados recursos preconizados pela Doutrina Cristã.

Contudo, o pavor do mundo, de suas mazelas (que são nossas filhas) calam mais alto em nossa alma e escondemo-nos. Preferimos, muita vez, o comodismo da observação ociosa e a crítica gratuita ao invés do trabalho transformador do quadro triste que se oferece aos nossos olhos. Assim, entregues à lamentação improfícua, sonhamos seja abreviada nossa experiência terrena a fim de que possamos furtar-nos ao cenário desolador da incompreensão, da miséria e abandono que — acreditamos — impera à nossa volta.

Nesses momentos recebemos, é certo, palavras amigas e reconfortadoras daqueles que podem testificar-nos a realidade do prolongamento da vida além da vida para que reconsideremos nossa condição. Sobretudo quando, à nossa volta, pontificam os mais variados recursos para a nossa emulação. O exemplo sadio que nos oferece a Natureza insere-se nesse contexto. A raiz, ainda que submetida à escuridão, garante a vida do todo, tanto pela sua própria capacidade de extrair e transformar o alimento necessário à sua manutenção, do fundo da terra, mas também pela simbiose que realiza com seu tronco, suas folhas e caules que recolhem, essas, os benefícios da luz e da chuva, processando tais recursos energéticos pela fotossíntese e retroalimentando suas raízes, onde tudo começou.

Assim, nós, que nos momentos de desespero e temor, cremos estar no fundo do abismo, a caminho da cova, saibamos aproveitar os momentâneos recursos que nos são colocados à disposição para usufruirmos nossas experiências e aprendizado. Ainda que permaneçamos fincados à Terra, esse maravilhoso e gentil celeiro de santificantes oportunidades, alcemos nossa alma, nosso sentimento mais puro, em direção a Mais Alto, solicitando a condição de orientar e servir àqueles menos afortunados que nós. Certamente far-se-ão audíveis nossos apelos e rogativas e nos identificaremos aos lírios. Não pela sua alvura e beleza, mas pela percepção de que tanto quanto podem eles suavizar o grotesco do árido cenário do pântano, poderemos nós, quais sóis menores, aquecer, oferecer luz — tênue que seja, que nas trevas será qual farol — àqueles que ainda permaneçam no imobilismo, menosprezando sua própria condição.

Somente com tal atitude, amando e servindo, servindo e amando, poderemos fazer com que vicejem novas flores de esperança e alento. Veremos que o que julgávamos ser “negrume”— as condições oferecidas pelo Planeta e pela Vida — é, na verdade, rico solo adubado pela necessidade à disposição dos que tenham o real prazer de exercitar a semeadura de amor e paz interior, tal qual o Cristo nos oferece ainda: a Sua própria Paz.

A Doutrina Espírita — Cristianismo por excelência — há mais de século vem servindo à Humanidade de forma benfazeja, silente. Impossível não lhe apreender as lições; não nos sensibilizarmos com os ilustrativos feitos nas mais variadas campanhas assistenciais; não lhe atender à rogativa impronunciada para que nos melhoremos, estudemos e sirvamos.

A Doutrina Espírita é uma ode viva ao trabalho sempre profícuo do Amor Cristão que se desdobra nas mais variadas etapas de atendimento, do infante ao idoso, para que todos encontremos a verdade libertadora da Mensagem do Cristo e, também, para que, não valorizando nossos cadinhos, sorvamos nossa taça no serviço fraterno que, ao fim, representa a redenção de nossos erros e o conseqüente resgate de nossas almas.

 

Fonte: Reformador nº1984 – Julho/1994
Responsável pela transcrição:
Wadi Ibrahim

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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