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Lúcia Pupper
“... os inimigos do homem são os de
sua própria casa.” (Mateus, 10;
36)
Num primeiro momento, ao lermos esta passagem
evangélica parece-nos que há um equívoco na afirmativa, mas não é esta a
realidade, é necessário que se analise sob dois aspectos esta passagem para
podermos compreendê-la com exatidão.
Analisemos, primeiramente, a família que é o primeiro
grupo social a que pertencemos. Ao encarnarmos já estamos inclusos nela, devido
à programação feita no plano espiritual. A convivência familiar é indispensável
e necessária à nossa evolução, pois a família é o grande laboratório onde nos
exercitamos como seres humanos, e é através
dela que combatemos o egoísmo, aprendemos a ser solidários e nos
apropriamos de avanços intelectuais e morais. Ela é o alicerce do que somos ou
fazemos. Não somos fruto de um destino determinista, mas sim fruto das nossas
muitas opções, logo, nos podemos determinar quem queremos ser e o que queremos
fazer, porque temos o nosso livre arbítrio.
O objetivo da formação das famílias visa desenvolver
a tolerância mútua, depurar faltas, recomposição com velhos desafetos,
desenvolver o conjunto das virtudes e reunir algozes e vítimas para que
aprendam a lei do Amor.
A parentela carnal reúne espíritos endividados entre
si, inimigos ferrenhos de outras vidas ou vítimas contumazes de nossos
desatinos, mas sempre recebemos o auxílio de espíritos afim, com os quais já
aparamos nossas diferenças, aos quais estamos ligados por laços de afetividade
mais profundos e por compatibilidade vibracional, que encarnam junto a nós para
nos dar amparo moral e afetivo.
A família carnal é necessária para o nosso ingresso e
desenvolvimento na matéria, mas nossa verdadeira família é aquela que temos no
plano espiritual, que nos ampara e procura através de recursos ligados ao
espírito nos auxiliar a viver na matéria de acordo com as leis de Deus e
cumprindo os compromissos que assumimos ao encarnar. Isso explica porque muitas
vezes nos sentimos estranhos no meio familiar, nos sentimos diferentes de
nossos familiares, uma melancolia inexplicável nos envolve, é a saudade
daqueles que deixamos no plano do invisível, mas que de forma inconsciente
sentimos sua presença.
Os pais dão o corpo, mas só Deus cria os espíritos, assim
podemos dizer que os pais participam da ação Divina da criação, co-criando. Mas
quando as famílias se compõem através da adoção, mesmo havendo uma escolha
consciente podemos ainda ter a certeza que não houve o acaso, mas que se
cumpriu no plano físico mais uma programação familiar e o resgate de mais um
compromisso feito na espiritualidade, devido ao abrangente ato de amor que é a
adoção.
Há uma segunda forma de compreendermos a passagem
evangélica quando considerarmos que não somos um corpo que possui um espírito,
mas ao contrário, somos espíritos que possuem um corpo para sua expressão.
Cada célula é uma entidade
inteligente, princípio inteligente, em fase evolutiva ainda muito básica, mas
extremamente sofisticada dentro da sua própria função. Não são considerados
mini espíritos ou espíritos em
miniatura, porque ainda não atingiram o grau de plenitude para serem
classificados como espírito, que é , o princípio inteligente do universo. São
bilhões de seres com existência cíclica, que se renova a cada 7anos, menos os
neurônios que se renovam em períodos mais longos, e também assumem o papel uns
dos outros, quando devidamente estimulados. Estas vidas embrionárias compõem
nosso invólucro carnal, e pelo instinto de conservação em desenvolvimento,
mantêm-nos Espírito prisioneiro da carne.
Os anticorpos que vem em
nosso socorro em momentos de doença, tentando salvaguardar nossa saúde, nada
mais são que guardiões a serviço dessas inteligências embrionárias atendendo a
Lei Natural de Conservação. Se assim não fosse haveria o rompimento dos laços perispirituais,
libertando nosso espírito; não conseguiríamos nos manter na matéria.
Agora já sabemos quem são
nossos verdadeiros inimigos: a parentela carnal e emanações personalísticas.
Como conviver em meio a tantos inimigos? É simples. A maneira mais segura de
destruir um inimigo é torna-lo um amigo. Mas como tornar amigos aos inimigos?
Quanto à parentela carnal, precisamos começar
a ver como oportunidades para nosso aperfeiçoamento, auxiliares poderosos na
nossa depuração, críticos infalíveis de nossas falhas, fonte de exercício de
todas as nossas virtudes, de nossa capacidade de renúncia e de dedicação.
Quanto às emanações personalísticas precisamos atender aos seus apelos de
preservação, cuidando bem de tudo que se refere a nossa constituição
psicossomática. Atribuindo-lhes tantos reforços físicos quanto espirituais para
que estejamos a maior parte da nossa trajetória na matéria harmonizados com o
plano espiritual superior.
E aqui se faz necessário
lembrar o que o mestre nos diz sobre os nossos inimigos. Segundo Jesus:
“-Ouvisses que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu,
porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”, e “- Reconcilia-te com o inimigo ainda a
caminho”.
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