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Dr. Vitor Ronaldo Costa
“E,
inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou. E ela, levantando-se
logo, servia-os” (LUCAS, 4:39).
Esta passagem evangélica refere-se a uma das inúmeras
curas patrocinadas por Jesus. A enferma era a sogra de Simão e deveria estar acometida
de uma afecção relativamente grave, de tal forma, que o seu organismo reagia
com a elevação da temperatura corporal.
Se imaginarmos que naquela época se desconhecia toda
e qualquer medicação química, a exemplo dos antitérmicos, antinflamatórios e
antibióticos, supomos que bem elevada deveria ser a ocorrência de óbitos em
conseqüência de infecções mais sérias. No entanto, bastou um simples gesto de
Jesus, e uma ordem proferida com toda segurança, para que a enferma se sentisse
refeita de imediato.
Diante do fato relatado pelo evangelista Lucas,
sentimo-nos inclinados a formular a seguinte inquirição:
- Por que Jesus curava com tanta facilidade os
enfermos do corpo e da alma?
A resposta pode ser desdobrada em várias reflexões,
visando a um melhor entendimento.
Inicialmente é preciso que se diga que o Mestre
Galileu, na qualidade de Espírito puro, foi o mais evoluído dos seres que já
manteve contato com a realidade terrena.
É bastante chamativo o fato da realização de curas
praticamente instantâneas, sem levar-se em consideração a existência de
“milagres”, da forma como admitem as religiões dogmáticas, já que no contexto
espírita tal possibilidade não é aceitável, em virtude das informações
kardequianas a respeito das propriedades do magnetismo humano, senão vejamos:
“Tanto quanto do Espírito
errante, a vontade é igualmente atributo do Espírito encarnado; daí o poder do
magnetizador, poder que se sabe estar na razão direta da força de vontade.
Podendo o Espírito encarnado atuar sobre a matéria elementar, pode do mesmo modo mudar-lhe as
propriedades, dentro de certos limites. Assim se explica a faculdade de cura
pelo contato e pela imposição das mãos, faculdade que algumas pessoas possuem
em grau mais ou menos elevado”. (“O Livro dos Médiuns”, item 131.)
Sabe-se hoje, e as pesquisas assim referendam, que o
magnetismo possui propriedades terapêuticas e que, se dirigido convenientemente
no sentido de beneficiar o enfermo, os resultados são dignos de registro, na dependência
das possibilidades mais ou menos acentuadas de cada magnetizador.
Na prática, alguns indivíduos são dotados da
capacidade curativa em condições bem mais intensificadas do que em outros, o
que nos permite deduzir a existência de uma gradação de potencialidade variável
entre as criaturas, de forma idêntica ao que acontece com a manifestação da
mediunidade ostensiva.
Existem pessoas que, através de um leve toque ou de
um olhar, conseguem atingir com rapidez os objetivos terapêuticos, independentemente
da aplicação de técnicas específicas. São os chamados médiuns curadores autênticos,
dotados de um elevado teor de magnetismo curativo e que, portanto, aos olhos da
maioria, realizam a bem dizer verdadeiros prodígios.
Jesus, quando de sua permanência entre nós,
demonstrou ser um médium curador por excelência, sem dúvidas, o maior de todos.
Há que se destacar, também, um outro fator de real
significado no Mestre, ou seja, a sua capacidade de doação amorável aos
semelhantes.
Compreendemos que o sentimento de piedade, embasado
única e exclusivamente no amor incondicional, serve para enriquecer ainda mais
o campo vibratório que envolve o magnetizador, de tal forma que um leve pensamento
direcionado ao enfermo seria mais do que suficiente para inundá-lo com o mais
puro teor de vibração terapêutica.
Observem que Jesus concitou os seus discípulos a
pregarem os Evangelhos e a patrocinarem curas, sinal de que a imposição das
mãos, a fé, o amor ao próximo e a vontade de praticar a caridade, quando
somados ao magnetismo, permitiriam sem dúvida a concretização de curas capazes
de maravilhar aos circunstantes.
Por isso, valorizamos os passes ministrados na
intimidade dos Centros Espíritas, especialmente quando se reconhece o reforço
da ação magnética, em virtude da conjugação dos campos vibratórios dos
magnetizadores encarnados e dos benfeitores espirituais que os assistem.
O nosso magnetismo se torna acrescido de
possibilidades curativas à medida que nos compenetramos no exercício da tarefa
edificante, tudo temperado em clima de muito amor e disposição de bem servir.
Uma vez imbuídos desses sentimentos fraternos,
estaremos aptos ao exercício da terapêutica magnética sugerida pelo mestre e
incentivados a imitá-lo na tarefa caritativa,
embora conscientes das nossas possibilidades evolutivas ainda um tanto
limitadas. .
Fonte: Revista reformador – março/1999
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