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Adriano de Souza Rocha
Na realidade, não nos
interessa apenas saber o que se passa no transe da morte propriamente, mas o
que nos espera além dele, desde que a morte física não é o fim, que o Espírito
sobrevive. E não seria apenas interessante saber que sobrevivemos, e como, mas
que acima de tudo somos imortais; não apenas que o somos, mas que necessariamente
envolvemos sempre, e isso graças às idas e vindas; ao palco da vida física
Nesse caso, somos, antes de mais nada Espíritos. eternos, em trânsito na vida
terrena.
Vimos estudando os
relatos de uma soma considerável de pacientes e comparando esses depoimentos
com as revelações espíritas. Que dizem os Espíritos desencarnados? Que dizem os
que voltam das chamadas "fronteiras da morte", que nos parece serem
antes fronteiras da vida?
Dizem eles que se
sentem possuídos de uma forma humana, com um corpo estranhamente leve em
relação ao outro. E, por força, o perispírito Que se reconhecem de certa forma
vivos, num ambiente muito semelhante ao meio de onde partiram alto objetivos -
é a vida espírita -, jungido; a uma lei de afinidades, coerente com o seu
estágio evolutivo. Que estiveram no dealbar dessa outra vida, o que nela se
encontram, após um sono reparador, havendo passado pela visão panorâmica da
vida terrena como se fora num filme (seria o "juízo", o exame de
consciência). Que apresentam uma visão amplificada em que o poder do pensamento
e bem mais expressivo e que são capazes de volitar. Que mantêm a sua
identidade, a sua personalidade, que não se diluem, não se alteram basicamente,
não se desfazem no todo. Que tiveram acolhimento por parte de amigos e
familiares já desencarnados, que os vieram ver ou receber corno ao viajor que
Chega a certo destino. Que tiveram estranhas sensações. perceberam nevoeiros,
ruídos indefinidos, vozes, por vezes música transcendental Ressaltam ;linda a.,
dificuldades que representam para a criatura nesse transe o desassossego dos
familiares ou dos circunstantes Já os que retornam da morte clínica descrevem o
trabalho dos médicos,, e enfermeiros tentando recuperá-los ou cenas á distância
ocasião em que o transpõem obstáculos. paredes, ou vêem através dela; vencem
incríveis distância, espaço temporais, qual ocorre nas chamadas , viagens
astral, do sensitivo desdobrado. Ou vêem o próprio corpo exânime Somo como que
puxados de retorno no ao corpo ante a iminência de se romper uma corno que
'`barreira", o limite da vida física naturalmente.
Consideremos agora as
revelações diretas dos moribundos antes de perderem a consciência de que em
geral são tidas e havidas idas por simples alucinação mas que assumem aspecto,
de coerência insuspeita ,e eles narram de viva voz, in extremis, o que também
descrevem e agora toma foros de verdade, os retornados da crise, quanto ao que
viram e sentiram durante a fase agônica E que o próprio enfraquecimento orgânico,
propiciando o afrouxamento dos laços, vai como que abrindo em flor os centros
psíquicos como o limiar da vida espírita. Há visões no leito de morte. Ou serão
aparições de fantasmas dos moribundos, quiçá pancadas (raps) projetadas
alhures, muito mais que uma simples mas expressiva mensagem telepática.
Já se disse corri
propriedade que os fenômenos anímicos comprovam os mediúnicos que o Animismo
comprova o Espiritismo. O que se passa corri as faculdades do homem vivo à
distância do corpo, em diferentes circunstâncias - e o Espiritismo os estuda -
mostra o que ocorre por sua vez na manifestação o do Espírito despojado do
corpo. O instrumento é o mesmo, o perispírito a serviço da individualidade
inteligente. Pois bem, o que relatam as criaturas que voltaram da vida espírita
a meio carrinho, cru desdobramento coincide por sua pez com o relato dos que
romperam a barreira da vida corporal. Voltando ao corpo falam por esse
intermédio; e os que voltam sem ele encontram no médium a instrumentalidade
necessária. A realidade é a mesma, o outro lado da cortina no grande anfiteatro
da Vida Inexaurível. Uns, por enquanto, surpresos, apenas levantam parcialmente
a dobra do pano, enquanto outros descerram-na por inteiro. O primeiro, porque
alma, um fato anímico. O segundo, liberto o Espírito, um fato de ordem espirítica;
ou porque utiliza um intermediário, um fenômeno mediúnico.
Não obstante certa
resistência por parte de áreas de ceticismo intolerante, a verdade desponta e
insiste em ser notada. Mas ainda não é só. Há ainda um outro ponto a assinalar
em termos de comparação. Os ressurretos assinalam uma preocupação quanto à
retificação de seus hábitos, de sua conduta, deixando entrever uma percepção
maior das realidades que as religiões em geral apontam: a vida espírita reflete
aquela que tivemos na Terra. Ora, os que retornam pelos médiuns lamentam os
erros do passado. Fariam voltar o tempo. Ou persistem lamentavelmente, o que
não é de estranhar.
Fonte: Revista
Internacional de Espiritismo – Out/1984
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