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Prece, Para que?

 

 

Marlene Fagundes Carvalho Gonçalves

  

Vós orais, quase todos, mas quão poucos sabem realmente orar! Evangelho, Cap. 27, it. 22

 

Prece. Algo que nos parece tão comum e automático. Será que estamos sabendo de fato o que é isso? Será que estamos fazendo o melhor? Ou apenas reproduzindo uma espécie de ritual, como um dever que nos foi imposto, que temos de cumprir? A fim de trazer uma reflexão sobre esse assunto, trago aqui algumas questões:

— Qual a Finalidade da prece?

O Evangelho nos traz: a finalidade da prece é elevar nossa alma a Deus (Cap. 28 item 1), é buscar a sintonia. A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter por objeto um pedido, uma agradecimento ou um louvor (Cap. 27 item 9). Quando queremos falar, pedir, agradecer algo a alguém, o primeiro passo é chegar até esse alguém. Não conseguiremos este contato se estivermos longe, sem estabelecer primeiro algum tipo de ligação, seja por telefone, ou mandando uma carta, ou indo até a pessoa. Pois bem, a prece pede essa primeira busca de contato, este estar junto de alguma forma.

Também nO Livro dos Espíritos encontramos, na pergunta 659: A prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nEle, aproximar-se dEle, pôr-se em comunicação com Ele. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer.

— Tem eficácia a prece?

Ouvimos algumas vezes lamentações de pessoas dizendo que pediram, mas que não obtiveram o que queriam. Injusto acusar a Providência, pois Deus sabe o que nos convém, como um pai prudente, que recusa ao filho o que seria prejudicial. Mas ainda assim escuta-o, deixa-o pedir, etc. É um exercício, no qual o livre-arbítrio do filho se desenvolve.

O Evangelho ilustra essa questão com um exemplo: um homem está perdido no deserto, morrendo de sede. Ele faz uma prece, pedindo ajuda a Deus, mas nenhum anjo aparece, trazendo-lhe água. No entanto, um bom espírito lhe sugere que se levante e vá em determinada direção, sendo que ao fazê-lo, ele encontra um riacho. Por que não apareceram com a água? Ou ainda por que não lhe disseram claramente que direção tomar para encontrar a água? A resposta é simples: Primeiramente, para lhe ensinar que é necessário ajudar-se a si mesmo e usar as próprias forças. Depois porque, pela incerteza, Deus põe à prova a confiança e a submissão à sua vontade (Evangelho, Cap. 27 item 8). Como criança que chora se alguém a vê cair, mas levanta-se se está só. Se o anjo está ali, não fazemos nada por nós mesmos, e ficamos aguardando que façam por nós.

Mas vejam que a prece possibilitou a ajuda, em forma da inspiração do caminho a seguir. Mais ainda, ela deu força a ele para continuar. Ou seja, a prece funciona, sim, na medida daquilo que precisamos e que nos impele ao desenvolvimento.

— Como fazer a prece?

A ação da prece tem a ver com transmissão do pensamento. Não há receita, não há fórmula exata a ser seguida. Deus, em sua grandeza, recebe todas sinceras.

As sugestões de preces dadas pelos espíritos, ou até por Jesus, naquela prece que tornou-se símbolo de todas as preces, o Pai Nosso, são para nos ajudar, orientar nossas idéias e pensamento. Mas de nada adianta se falarmos de forma decorada e sem pensar no que estamos dizendo.

Uma das condições essenciais da prece é ser inteligível, para que possa tocar o nosso espírito. Sua principal qualidade: clareza. Deve ser simples e concisa. Cada palavra deve ter o seu valor, exprimir uma idéia, tocar uma fibra da alma. Enfim, deve levar à reflexão (Evangelho, Cap. 28, item 1).

Os Espíritos sempre disseram: "A forma não é nada, o pensamento é tudo. Faça cada qual a sua prece de acordo com suas convicções. E da maneira que mais lhe agrade, pois um bom pensamento vale mais do que numerosas palavras que não tocam o coração." (Evangelho, Cap. 28 item 1).

— Qual o poder da prece?

A prece é uma transmissão de pensamento. Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade um poder de ação que se estende muito além dos limites da nossa esfera corpórea (O Livro dos Espíritos, p. 662). E muitas vezes nem nos damos contas de tal poder.

Além disso, a prece nunca é inútil, quando bem feita, porque dá força, o que já é um grande resultado. (O Livro dos Espíritos, p. 663)

— Como criar o hábito da prece?

Conseguimos já que tantas coisa fizessem parte do nosso cotidiano, como escovar os dentes antes de dormir, lavar as mãos antes das refeições… Por que não trabalhar no sentido de estabelecer o hábito da prece? Não aquelas frases ligadas maquinalmente umas às outras, sem sentido, mas a prece com o coração e pensamento…

Os espíritos nos orientam: vamos fazer prece ao acordar, diariamente, agradecendo a noite transcorrida, e pedindo forças para a nossa melhoria moral (Evangelho, Cap. 27, item 22). Vamos fazer o Evangelho no Lar ao menos semanalmente, propiciando, além dos benefícios da própria prece, o aprendizado das crianças que participam.

Porque se a idéia da existência de Deus já está firmemente presente em cada criatura da Terra, nem sempre se sabe como estabelecer esse contato… Ou às vezes sabe, mas nem sempre se faz…

Daí a importância de se estudar, aprender e ensinar sobre a prece.

— Enfim, para que fazer prece?

A prece é recomendada por todos os Espíritos. Renunciar a ela é ignorar a bondade de Deus; é rejeitar para si mesmo sua assistência; e para os outros, o bem que se poderia fazer. (Evangelho, Cap. 27, item 12).

E ainda, como diria Santo Agostinho: "Marchai, marchai, pelos caminhos da prece, e ouvireis a voz dos anjos! Que harmonia! Não são mais os ruídos confusos e as vozes gritantes da terra: são as liras dos Arcanjos, as vozes doces e meigas dos Serafins, mais leves que as brisas da manhã, quando brincam nas ramagens dos vossos arvoredos. Com que alegria então marchais! Vossa linguagem terrena não poderá exprimir jamais essa ventura, que vos impregna por todos os poros, tão viva e refrescante é a fonte que bebemos através da prece!" (Santo Agostinho, Evangelho, Cap. 27, item 23).

Referências Bibliográficas:
1. KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
2. KARDEC, A. O Livro dos Espíritos.

 

Fonte: Jornal Verdae e Luz – março/2005

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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